Preferiam chamar-se João ou António, mas a mãe, visionária, apostou na diferença entre iguais. Jonathan e Kevin, gémeos, nascidos sob o signo de... Gémeos, nasceram em Paris e nunca pensaram voltar a trocar a vida pacata em Felgueiras pela capital da França. E da moda. Cúmplices máximos na vida e no trabalho, a dupla de manequins nunca deixa de o ser: “Ou pegam os dois ou não levam nada!”
Jonathan – Antes de qualquer desfile costumo fazer o sinal da Santa Cruz para dar sorte e porque sou católico. Também tens essa superstição? Bem, nem vale a pena perguntar, sei que também o fazes!
Kevin - – É, acabamos sempre por fazer os dois.
J - Ainda sentes algum nervosismo antes de entrar?
K - Sinto, claro. Mas depois de entrar, está feito. Jon, lembras-te daquele desfile para o JP Gaultier em que ficaste a meio?
J - Não foi a meio! As luzes eram tão fortes que não via nada. Com medo de cair, voltei para trás.
K - A mim também me aconteceu uma engraçada. Dez minutos antes de entrar para um desfile rasguei a calça! Há situações inesperadas. Já desfilei de tacões! Lá dentro mandamos piadas. 'Eh, vê lá não caias, pá'.
J - Os bastidores são uma alegria.
K – Que desfile mais gostaste?
J – Internacional foi Versace. Quando era pequeno já adorava ver os actores nos filmes com esses fatos. Era uma marca ligada aos filmes de máfia.
K – Querias ser mafioso, não?!
J – Por acaso não! Mas esse desfile fez-me superfeliz.
K – Qual é o teu filme preferido?
J – Tenho tantos... mas gosto muito do ‘Padrinho’, I, II e III. Por ser uma história de máfia mas também de família e eu sou muito ligado à família
K – Somos!
J – Sim, mas fizeste-me tu a pergunta, agora espera! Também o ‘Era uma vez na América’.
K – Ah, esse é o meu favorito. Gosto imenso da relação de amizade entre as quatro personagens principais.
J – Quanto tempo consegues estar fora de Portugal?
K – Pouco! Tento todos os meses vir cá, para ver a família...
J – Que não acaba por acontecer, mas no máximo de dois em dois meses temos que vir cá.
K – A mãe sempre nos ensinou que primeiro está a família. Por acaso temos a sorte de ter uma família bastante grande e unida. Um bocado à moda antiga. Moramos em Felgueiras. A nível profissional temos estado em Paris.
J – É onde passamos mais tempo. Espero continuar lá.
K – A vida é engraçada. Nascemos lá, voltámos para cá e nunca pensei voltar para Paris. A mãe perguntava-me: 'o que gostas mais, França ou Portugal?'. 'Oh mãe, claro que é Portugal!'
J – E de que tens mais saudades quando estás fora?
K - Da comida da mãe. Aquele assado maravilhoso que ela faz. Dos amigos, da namorada, da família. E tu?
J – De ir ao café. Não é uma coisa que eu frequente muito mas é um hábito nosso. Acabo sempre por ir ver o futebol ao café do tio contigo e com o pai.
K– A nossa sorte é que em Paris há bastante portugueses e cafés portugueses. Quando queremos ver o Benfica lá estamos nós, os dois tugas, de cervejita a ver o jogo. O dono é muito simpático.
J – É, mas não sabe que somos manequins. Dizemos que somos estudantes.
K – Tu não gostas de dizer que és manequim?
J – Gosto de ser manequim mas se me perguntarem se gosto de dizer que o sou, sinceramente... o título não é importante, é a minha profissão. Mas gosto do que faço. E tu?
K – Também gosto muito do que faço. Não me imaginava a fazer a mesma coisa todos os dias, estar fechado num escritório. Podemos viajar, conhecer pessoas, culturas. Mas de todos os países que vejo acabo sempre por achar que o nosso é o melhor. A cidade que mais gosto é Lisboa, por exemplo. Lá fora tenho imensas saudades da praia, do Bairro Alto.
J – Que contrapartidas achas que tens tirado? Eu acho que viajar! A primeira vez que apanhei um avião foi mesmo a minha primeira viagem, para Milão! A moda mudou-nos mesmo a vida.
K – Acabou por mudar. Eu que estava habituado a um ritmo calmo. Se cá tivesse ficado, a nível de desporto, já estava no top! (risos). O tio é treinador nacional de karaté da parte de combate e ele sempre disse que eu tinha tudo para ser o herdeiro dele! E tu, o que te vias a fazer se não fosses manequim?
J – Estava em desporto mas a minha paixão é a fisioterapia. Queria seguir essa vertente.
K – Até quando te vês na moda?
J – Até ganhar dinheiro! (risos). Se aos 40 anos ainda ganhar, cá estou. Claro que isto é efémero. Tenho mais uns anos pela frente mas já estou a juntar dinheiro e quem sabe seguir a tal vertente profissional ou montar um negócio. Tem corrido bem na moda. O que mudou mais foram os hábitos em casa. Lá fora temos que ter em atenção que não há ninguém para nos arrumar a casa, para cozinhar. Eu gosto de fazer essas coisas, mas tu não fazes nada! (risos).
K – Chego ao fim do dia bastante cansado!
J – Cozinhar sou sempre eu!
K – Não mintas, eu faço uma massita! Uma vez por semana... Não, tens razão, tu empenhas-te mais. Olha, diz-me lá se alguma vez te fizeste passar por mim com alguma miúda?
J – Então não fiz! (risos). Devia ter uns 14 anos. Tu supostamente namoravas com a Cláudia. Eu fui assistir a uma aula, vejo-a a passar e vi que tinhas ido à casa de banho. Chamei-a à janela e pedi-lhe um beijinho. Nisto entras tu na sala! Ela ficou branca.
K – Já me aconteceu com uma rapariga dizer que nunca ia namorar comigo por ter um irmão gémeo. Tinha medo de se trocar!
J – Tu andavas com duas ao mesmo tempo! Quando estamos separados é mais difícil distinguirem-nos. Acho que somos muito parecidos.
K - Mas temos zangas. Quer dizer, desentendimentos! Há um despiquezinho mas depois lá damos um abraço. Olha, e o que é que tu achas que não sabes sobre mim?
J– Eu acho que sei tudo, o mal é esse!
K – E escondias-me alguma coisa?
J– Escondia! Não, não era capaz.
K – Eu sei que me vinhas logo dizer. Se fosse uma relação de amigos era diferente...
J – Kevin, quem é o teu melhor amigo? (risos)
K – Vá, és tu! E o teu melhor amigo?
J – É o Ruben! Não, és tu, és tu (risos).
SUCESSO MASCULINO A DOBRAR
Keith e Derek Brewer (primeira foto), Jason e Joseph Barbera (segunda) ou os romenos Chiriac Claudiu e Cristian, são alguns pares de irmãos gémeos que sobressaem na moda. Estes casos de sucesso em dose dupla não são uma novidade para Jonathan e Kevin. 'Conhecemos pelo menos cinco pares de gémeos lá fora. Sempre dissemos que queríamos trabalhar juntos. Seguimos o exemplo dos irmãos Guedes. No estrangeiro dizem muitas vezes que Portugal é muito bom com gémeos!' Têm ambos 1,88 metros de altura e uma diferença, mínima, de peso. 'O Kevin tem um quilo a mais'.
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