Considerado durante muitos anos como “o celeiro de África”, o Zimbabué poderá juntar-se brevemente à lista de países africanos que sofrem com a fome. Graças à reforma agrária de Robert Mugabe...
O governo do Zimbabué deu este mês ordem aos agricultores negros sem terra para invadirem as propriedades dos 2.900 fazendeiros brancos abrangidos pelo plano de reforma agrária, num gesto que poderá fazer regressar as sangrentas confrontações de há dois anos. Isto porque mais de dois terços dos agricultores brancos abrangidos por esta medida recusam-se a abandonar as terras nas quais trabalharam toda a vida.
O prazo dado pelo governo para a saída dos fazendeiros brancos expirou no passado dia 15 e, em duas semanas, já foram detidos mais de 200 agricultores brancos por desobediência. Do próprio governo chegam constantes incitamentos à ocupação das suas propriedades pelos agricultores negros sem terra, o que faz temer a repetição das violentas acções dos “veteranos de guerra” que há dois anos semearam a morte e a destruição, ocupando dezenas de propriedades pela força e espancando, mutilando ou, mesmo, assassinando os proprietários e os seus empregados negros.
OS VETERANOS DE GUERRA
A reforma agrária de Mugabe foi lançada em Fevereiro de 2000, com o “nobre” objectivo de melhor redistribuir as terras agrícolas, até então nas mãos de apenas um por cento da população, os fazendeiros brancos. No entanto, as negociações rapidamente chegaram a um beco sem saída, com Mugabe a recusar o pagamento de qualquer tipo de indemnização aos proprietários expropriados.
Para os pressionar, o governo deu “carta branca” à actuação dos “veteranos de guerra” liderados por Chenjerai Hunzvi, mais conhecido como “Hitler”, que rapidamente semearam o terror entre os agricultores brancos. A comunidade internacional ameaçou o Zimbabué e ostracizou Mugabe, mas em vão. Nem os avisos de que o país, outrora conhecido como “o celeiro de África”, se arrisca a enfrentar o espectro da fome (a maior parte das propriedades confiscadas e entregues aos agricultores negros deixaram de produzir ou encontram-se votadas ao abandono) conseguiram demover o presidente, que garantiu que o processo é “irreversível”.
O ÚLTIMO RADICAL
Nascido a 21 de Fevereiro de 1924 numa missão religiosa da então Rodésia, Robert Gabriel Mugabe foi educado em escolas jesuítas. Estudou na África do Sul, onde manteve contactos com vários líderes nacionalistas africanos, antes de regressar ao seu país, como professor. Abandonou o ensino em 1960 para se juntar à União Popular Africana do Zimbabué (ZAPU), de Joshua Nkono, da qual se afasta três anos depois para formar a União Nacional Africana do Zimbabué (ZANU).
As suas actividades políticas levam--no à cadeia em 1964, onde passa dez anos. Ao deixar o cárcere, fixa-se em Moçambique, a partir de onde dirige uma sangrenta guerrilha contra o governo minoritário branco de Ian Smith.
As negociações de paz de 1979, em Londres, abrem caminho à independência da Rodésia, a 18 de Abril de 1980. O novo país muda o seu nome para Zimbabué e Mugabe toma posse como primeiro chefe de governo eleito. Dois anos depois, entra em rota de colisão com Joshua Nkono, seu parceiro no governo de união nacional, e afasta-o, lançando uma sangrenta campanha de repressão sobre os seus apoiantes.
É eleito presidente do Zimbabué em Dezembro de 1987, sendo reeleito em 1990 e 1996. Com o passar dos anos, a sua postura moderada dá lugar a um nacionalismo cada vez mais fervoroso e a um despotismo brutal, que fazem delem um dos últimos ditadores africanos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.