page view

A ÚLTIMA FRONTEIRA

Sir Francis Drake, Bruce Chatwin, William Henry Hudson, George Muster, Thomas Falkner e Luis Sepúlveda — com o seu “Patagonia Express” — são apenas alguns dos artistas, oriundos de áreas distintas, que passaram para o papel a experiência única que é estar na Patagónia.

13 de dezembro de 2002 às 16:51

Região imensa de grandes contrastes que chega onde o mundo acaba, a Patagónia é uma zona que abrange dois países, Argentina e Chile, embora grande parte pertença à Argentina — a chamada Patagónia Argentina. Localizada no extremo sul da América do Sul, é composta por uma enorme diversidade, tanto de fauna, como de flora, e até de clima. Mas a aventura da Patagónia começou em 1520, quando o português Fernando de Magalhães ali chegou, tendo ficado bastante surpreendido ao descobrir que, numa terra tão inóspita, viviam pessoas.

Supostamente, às grandes pegadas que encontrou na neve, feitas pelas botas de pele de guanaco utilizadas pelos indígenas, deu o nome de ‘patagons’, e daí o nome Patagónia. A Patagónia Argentina abrange cinco províncias – Tierra del Fuego, Santa Cruz, Chubut, Rio Negro e Neuquén – e está dividida em duas grandes zonas: a Andina e a Atlântica.

Quase uma miragem de cumes nevados reflectidos nas águas cristalinas, possui uma infinidade de caminhos para andar a pé, de bicicleta ou a cavalo. Constituída por montanhas, florestas e lagos, os principais pontos de visita que não pode perder são a Tierra del Fuego – já nos confins austrais, às portas da Antártida – San Carlos de Bariloche e o Parque Nacional Los Glaciares. Mas se tiver tempo, existem outros pontos interessantes, como o Parque Nacional Lanín, as Termas de Copahue, o Parque Nacional Laguna Blanca e San Martin de Los Andes.

A diversidade e a beleza da Patagónia devem-se à diferença de relevo. A Oeste existem os campos de gelo e a Cordilheira dos Andes, e a Leste extensas planícies. Grande parte da Patagónia é protegida e constituída por reservas e parques. Talvez o mais importante seja o Parque Nacional Los Glaciares, constituído por 446 mil hectares, situados na Província de Santa Cruz, e que em 1981 foi declarado Património Natural da Humanidade pela UNESCO. Cerca de quarenta por cento deste território é conhecido como o Campo de Gelo Patagónico, sendo que a Norte fica o Lago Viedma e a Sul o Lago Argentino – que divide o parque – onde estão 13 glaciares, incluindo o maior, o Perito Moreno (com 60 metros de altura, cerca de 500 km2 de superfície e quatro quilómetros de frente).

No Parque Nacional de Los Glaciares pode observar as enormes placas de gelo, que quando se desprendem e caem no lago formam icebergues.O Lago Argentino permite a navegação entre os gigantescos icebergues e existem excursões pelos vários canais do lago, que tem ainda, na margem meridional, as Grutas de Wualichu, onde se encontram algumas pinturas rupestres. Outro ponto interessante é o pequeno povoado de montanha El Chaltén, onde se podem fazer circuitos a pé ou a cavalo por entre as rochas graníticas, e ao longo do Lago Viedma e da Lagoa do Deserto.

A cerca de 160 quilómetros a Sul da localidade de Perito Moreno está a Cova de Mãos, onde mais uma vez pode encontrar pinturas rupestres datadas de há mais de 9.000 anos. Quanto à gastronomia regional, não deixe de saborear o salmão na manteiga. Na Patagónia, o tradicional assado argentino é preparado de uma maneira especial — a carne de vaca é substituída pela carne de cordeiro.

A Patagónia Atlântica

É constituída por extensas e áridas planícies, que são quase um santuário ecológico, onde se encontram baleias, orcas, lobos, elefantes-marinhos, pinguins e aves marinhas, que se concentram na Península Valdes (uma das mais importantes reservas de fauna marinha do mundo). Aqui vai descobrir uma verdadeira explosão de fauna, impossível de encontrar em qualquer outra parte do mundo. Todos os anos centenas de baleias chegam às tranquilas águas da península para acasalarem, num espectáculo inesquecível de saltos e fortes assopros.

Aqui encontra também o Centro de Interpre-tação, situado na Reserva Faunística Isla de los Pájaros, que põe à disposição do visitante o seu museu e o salão audiovisual. Da torre do edifício pode desfrutar da magnífica vista panorâmica. Merecem uma visita as reservas naturais de Puerto Pirámide, Punta Delgada, Caleta Valdés e Punta Norte. E por falar em reservas naturais, existem algumas que são essenciais e de visita obrigatória. Na Reserva Natural de Punta Tombo encontra a maior concentração continental de pinguins e na Reserva de Punta Loma há um centro de informação sobre fauna e flora do litoral patagónico, local por excelência dos cerca de 800 exemplares de lobos marinhos.

Um pouco mais a Sul, na província de Santa Cruz, fica a Reserva Natural Ría del Deseado, com os seus corvos marinhos, gaivotas rapineiras e pombos antárticos. Partindo de Puerto Deseado existem excursões pela ria e por várias reservas de fauna. Ainda na província de Santa Cruz, 225 km a Oeste de Puerto Deseado, encontra-se o Monumento Nacional dos Bosques Petrificados, que protege os maiores bosques petrificados do mundo (a marca deixada pela acção vulcânica que levantou o sistema andino fossilizando toda a flora que depois de vários séculos voltou a aparecer).

Um ponto importante de visita é o Museu Oceanográfico e de Ciências Naturais, situado na cidade de Puerto Madryn. Nesta cidade, assim como em Puerto Pirámide – ambas banhadas pelo Golfo Nuevo – é possível praticar vários tipos de desportos náuticos. As suas extraordinárias condições naturais fazem destes locais zonas especialmente indicadas para as actividades subaquáticas. Aqui existe mesmo o Parque Subaquático que – de entre várias actividades – organiza cerimónias de ‘baptismo submarino’ para principiantes.

A visita à Patagónia Atlântica não fica completa sem provar a gastronomia regional. Aqui combinam-se pratos de carne – destaque para o assado de cordeiro ‘a la cruz’ e paletas de cordeiro recheadas – com pratos de peixe e crustácios. Os queijos do Valle de Chubut são de prova obrigatória, e já agora, experimente o chá e as tortas negras galesas. De recordação pode trazer caracóis marinhos, artesanato mapuche e tortas Gaiman. Desde o primeiro momento que pisar solo argentino vai constatar que todos bebem o ‘mate’ – muito mais que um chá – a qualquer hora do dia. Experimente-o.

REPÚBLICA ARGENTINA

Localização: América do Sul

Área: 2.776.890 km2

Capital: Buenos Aires

Fuso horário: - 3 horas

Moeda: peso (ARS)

Língua oficial: espanhol

Indicativo telefónico: 005411 (Buenos Aires)

População: 37.812.817 habitantes

Religião: cristã

Regime de governo: democracia

Actividades económicas: indústria mineira, turismo, indústria pesqueira, agricultura, petróleo e gás natural.

É necessário passaporte português com uma validade mínima de seis meses. Pode permanecer até 90 dias sem necessitar de visto. É bom ter o boletim de vacinas em dia. Para melhor planear a sua visita recomenda-se que consulte na Internet o ‘site’ da Secretaria de Turismo da Argentina em: www.turismo.gov.ar

Não há voos directos de Portugal para a Argentina. Tem de viajar até Madrid e de lá voar na Iberia ou na Brithis Airways, que têm voos para Buenos Aires. A partir daí, as companhias aéreas argentinas fazem voos diários para as principais cidades da Patagónia.

Hotel del Bosque*** (Tierra del Fuego)

Hotel Austral Plaza**** (Chubut)

Hotel Patagónia Norte *** (Rio Negro)

Albergue e Hotel del Glaciar (Santa Cruz)

Obrigatório ver e fazer:

Tierra del Fuego

Parque Nacional Los Glaciares

Campo de Gelo Patagónico

Passeios no Lago Viedma

Passeios no Lago Argentino

Perito Moreno

Grutas de Wualichu

El Chaltén

Lagoa do Deserto

Península Valdés

Monumento Nacional dos Bosques Petrificados

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8