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A varinha mágica dos cartoons de Cid

Para quem faz do desenho forma de vida, a caneta é uma ferramenta preciosa. Cid nunca se separa da sua dupont, o Rolls-Royce das canetas.

18 de outubro de 2009 às 00:00

As ideias nunca têm hora marcada para aparecer. Podem nascer de uma conversa de café, de um artigo de jornal ou de uma notícia da televisão e convém estar-se sempre preparado. É por isso que o bolso da camisa de Augusto Cid guarda sempre uma caneta. Muitas vezes, é num guardanapo ou num pedaço de toalha de papel que surgem os primeiros esboços para um novo cartoon.

Mas não é uma qualquer caneta. Cid nunca larga a sua Dupont, comprada há cerca de cinco anos. O cartoonista explica porquê: "É como se fosse a extensão dos meus dedos. Tem o peso e o equilíbrio perfeitos, parece que desenha sozinha".

A esferográfica chegou às mãos de Augusto por via de um amigo. "Ele costuma comprar umas peças em segunda mão e disse-me que tinha uma caneta que era capaz de me interessar. Fui ver e fiquei logo convencido". A Dupont de Cid não foi barata. "Custou 500 euros em segunda mão, mas se fosse nova tinha ficado pelos 1000 euros. É o verdadeiro Rolls-Royce das canetas", conta o cartoonista. Um produto precioso, com tampa de prata, que tem dado algumas dores de cabeça ao artista gráfico: "É difícil arranjar recargas para esta esferográfica. São raras as lojas que as vendem e quando encontro uma compro logo recargas para vários meses".

DUPONT VS. SÓCRATES

Uma das últimas vítimas da Dupont do cartoonista foi primeiro-ministro José Sócrates, retratado nos 90 cartoons que deram origem ao livro ‘Porreiro, Pá!’, sobre o governo socialista. Actualmente, Cid, um dos mais premiados profissionais portugueses, desenha para o semanário ‘Sol’, sempre com a ajuda da sua esferográfica de tinta preta, até porque tem uma relação difícil com computadores. "Faço sempre o primeiro esboço com a caneta e depois uso tinta-da-China. Não sei mexer em computadores – se for preciso algum acabamento especial peço ajuda à minha filha, porque ela é que percebe dessas tecnologias".

Apesar da importância da Dupont para o seu trabalho, Augusto confessa que a devia tratar com mais cuidado: "Ando sempre com ela no bolso e muitas vezes empresto-a a quem me pede uma caneta para assinar um papel ou escrever alguma coisa. Eu até me esqueço de a pedir de volta mas, felizmente, devolveram-ma sempre".

Contas feitas, Augusto Cid diz que o investimento de 500 euros foi mais do que justificado. "Não há melhor caneta".

FERRAMENTA DE UM ESCULTOR

Augusto Cid desenvolve em paralelo uma outra actividade artística. A escultura é uma actividade em que a Dupont é também uma companheira indispensável. "Tal como os cartoons, uma escultura começa sempre com um esboço desenhado com esta caneta". Augusto Cid tem várias obras, por exemplo a estátua do Infante D. Henrique em Vila do Bispo e prepara--se para inaugurar, em Cascais, uma escultura de D. Diogo Menezes, herói da defesa da barra do Tejo contra os espanhóis no séc. XVI.

DUPONT

Criada pelos irmãos Dupont no final do século XIX, a marca vingou no mercado dos acessórios de luxo. Em 1973 a Dupont começou a fazer esferográficas requintadas.

PERFIL

Profissão: Cartoonista e escultor

Idade: 67 anos

Carreira: Augusto Cid é um dos mais antigos cartoonistas em actividade, tendo já passado por dezenas de títulos. Nos últimos anos esteve no ‘Independente’, ‘Focus’ e agora desenha no ‘Sol’.

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