Nigella Lawson não é só uma musa da TV: ela é o anjo vingativo que veio recuperar a cozinha vilipendiada por ‘chefs’ com as papilas avariadas.
Quando terminei a faculdade, trabalhava num restaurante – de manhã, literatura, filosofia, linguística e trivialidades; a partir do meio-dia e meia, estufados, grelha, molhos e exercícios de decantação. Nunca me queixei, e foi uma maneira de tornar a universidade uma coisa mais saborosa.
Nessa altura, cheio de vaidade e de injustificado orgulho (ainda não cozinhava tão bem assim), eu achava que a cozinha era, finalmente, uma coisa de homens. Deles dependeria a grande arte – a invenção, a criatividade, a paciência, a glória e, não menos importante, a disponibilidade. Depois, com o tempo (coisa maravilhosa, o tempo), não se adquire apenas bom senso; aprendemos também a reconhecer os charlatães. E, num mundo como a cozinha, dominado por egos grandiosos, extensíveis e gananciosos, os charlatães abundam ao lado do talento. Isso explica-se: as pessoas não se importam de comer mal; os frequentadores de grande parte dos ‘restaurantes da moda’ dançam de acordo com a música e o estômago é-lhes quase indiferente porque a noção de gosto lhes é estranha e porque o que sabem, sabem apenas por ter lido.
PELAS MULHERES
Seja como for, as pessoas sensatas começaram a desconfiar da ‘cozinha de homens’ – com ou sem turbante, efeminados ou enlouquecidos pela fama. Mas isso não basta: é preciso prestar atenção a Nigella Lawson (agora nos cinquenta), uma inglesa descendente de judeus e de italianos, destinada a reabilitar a cozinha das nossas casas, o prazer de cozinhar sem fogo-de-artifício e ‘ambiente de design’.
Enfim, a reabilitar o prazer. Isso vê-se logo pelo seu corpo: cintura elegante mas ancas generosas, busto (digamos) latino, um jeito quase provocador na forma como – nos seus programas de televisão – sugere mais um colher de manteiga ou de molho picante, enquanto reabilita as mães, avós, bisavós, e todas as mulheres que, ao longo da história humana viveram aprisionadas na cozinha e foram obrigadas a alimentar gerações inteiras de famílias ingratas e egoístas. Se pensa que Nigella vai propor-lhe "menus de degustação", desengane-se. As suas receitas levam natas gordas, lentilhas estufadas, anchovas, alho, malaguetas, azeite não virgem – e ideologia. Vitoriana.
Num dos seus livros anteriores ela mesma confessa "afinidade com a visão vitoriana do mundo, o viver constante da inevitabilidade do declínio". Uma mulher que é sensível à palavra "vitoriana" merece atenção redobrada – o termo evoca Tennyson, as irmãs Brontë, Hardy, Thackeray, ‘O Monte dos Vendavais’. E, na cozinha, uma disponibilidade trabalhosa que vai do pudim de milho doce com lombo no forno à compota de gengibre ou à salada de borrego com romã e hortelã.
Nigella confessa-se "irritada com as pessoas que dizem que não têm tempo para cozinhar", como se precisassem de todos os minutos livres para escreverem ‘Guerra e Paz’.
RESUMO
Livro de receitas, incluindo aquelas que Nigella apresenta na série de televisão.
TÍTULO
‘Delícias da Nigella’ [‘Nigella Bites’], de Nigella Lawson
EDITORA
Civilização Editora
DOCUMENTÁRIO: ‘FANTASIA LUSITANA’
"João Canijo é um cineasta invulgar e perspicaz – os seus filmes são roteiros de um país pouco conhecido, apesar de maioritário e profundíssimo".
RESUMO
‘Fantasia Lusitana’ é uma viagem ao "paraíso português" dos anos 40, quando o salazarismo nascia – e os refugiados chegavam a Lisboa. Para quem, nos seus filmes, desenhou uma radiografia de Portugal contemporâneo, este regresso ao salazarismo era inevitável. Como se fosse a procura de uma raiz.
Género: Documentário (em exibição em Lisboa]
Duração: 1h15m
DVD: ‘OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES’
"Cenários, tom, iluminação, fidelidade à história do livro – um excelente argumento interpretado por Naomi Rapace (no papel de ‘Lizbeth Salander’) e Michael Nyqvist (no do jornalista-herói ‘Mikael Blomkvist’)".
RESUMO
‘Blomkvist’ é contratado para escrever a história da família ‘Vanger’. Para tal é importante descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta do patriarca.
Género: Policial
Classificação: M/16
LIVRO: ‘OS DIAS E OS ANOS (DIÁRIOS DE 1970 A 1993)’
"Recomendo com entusiasmo. Há cenários de diplomacia pura, revelações literárias, reflexão madura sobre política e história, observações de geografia cultural e sentimental".
RESUMO
Escrito por um diplomata, a política ocupa aqui um lugar de destaque, nomeadamente a vida no País antes e após o 25 de Abril.
Autor: Marcello Duarte Mathias
Género: Memórias
Editora: Dom Quixote
FUGIR DE...
PIOR DO QUE NÃO TER SEXO É TER MAU SEXO
"São 69 (curioso número) de lugares-comuns sobre sexo fingido. É uma pena, porque se trata de mais uma oportunidade perdida (e de papel desperdiçado) para fazer boa pornografia – uma arte séria e honestíssima com virtudes terapêuticas óbvias".
Título: ‘69 Contos Urbanos de Vícios Privados’
Autor: Daniela Oliveira
Editora: Guerra e Paz
Resumo: Estreia da jornalista, ex-directora da publicação ‘Mulher Erótica’, com uma série de contos sobre "sexualidade livre" em meio urbano.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.