Irmão de Ana Catarina Mendes tem feitio difícil, qualidades de estratega e é obsessivo com os pormenores.
Ainda ninguém foi capaz de dizer que os membros do Governo quando viajam na TAP não pagam bilhete?" – questionava António Mendes na sua página de Facebook em junho de 2011, no dia em que se sabia que Passos Coelho viajava para Bruxelas sem pagar pela viagem. Seis anos mais tarde Mendes acabaria a substituir Rocha Andrade na equipa de Centeno, depois da demissão deste precisamente por causa de viagens grátis: as que o seu antecessor fez ao Euro 2016 a convite da Galp. O Governo não lhe é estranho: passou por vários gabinetes nos governos de Guterres e Sócrates (parece que Ana Paula Vitorino ainda o trata por menino, apesar dos 41 anos) e o escritório André, Miranda e Associados – do qual é sócio – prestou cinco serviços jurídicos ao atual governo. Entre eles um contrato de 15 mil euros no âmbito da subconcessão de transportes urbanos de Lisboa e do Porto, a área em que Mendes mais centrou a sua atividade enquanto advogado.
"É um homem que não é das finanças, mas cumprirá na perfeição a função de cão de guarda- não nos podemos esquecer de quem é irmão. Ele e a Ana Catarina [Mendes] são autênticos siameses. Vivem dentro da política e mesmo quando fazem parte das oposições andam sempre ali a gravitar naquele microcosmos de Almada", conta uma fonte do Partido Socialista.
"São muito próximos, mas o António detesta o rótulo de irmão da Ana Catarina, embora tenha ajudado a lançá-la na política (ele filia-se na JS em 1991 e ela segue-lhe as pisadas). Tanto que quem os conhece bem aos dois sempre achou que ele chegaria mais longe do que ela, é um autêntico estratega - foi também ele que pensou a candidatura do cunhado Paulo Pedroso a Almada depois do escândalo Casa Pia – embora tenha um feitio irascível, grita muito quando se chateia e é capaz de trabalhar 18 horas por dia. É tão empenhado que chega ao ponto de lhe fazer mal à saúde", confidencia outra fonte próxima. Em 2013 o novo secretário de estado sofreu um AVC e nem assim começou a trabalhar menos horas. "Sempre muito cuidadoso com a roupa, é quase obsessivo. Se alguém tem os sapatos desapertados ou está mal vestido, ele chama a atenção", revela um amigo.
Solteiro e sem filhos
António é o mais novo de quatro irmãos – além da secretária-geral--adjunta do PS, existe Pedro, chef de cozinha, e João, psicólogo – filhos de uma professora e de um advogado que se divorciaram quando as crianças ainda eram pequenas. Sportinguista, o líder da Federação Distrital de Setúbal do PS viveu em Macau, onde foi advogado do grupo Geocapital e, já em Portugal, diretor da Refer. Na sua página de Facebook chegou a escrever que "Depois dos 40 anos, a única coisa que o médico deixa um homem comer com gordura, é sua própria mulher", mas mantém-se solteiro e sem filhos. "Não valoriza essa dimensão, a satisfação que retira da vida é a trabalhar", confessam-nos.
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