É, sem dúvida a melhor época de sempre. A União de Leiria está hoje na final da Taça de Portugal. E vai ainda à UEFA. Nas casas de dois dos mais carismáticos jogadores da equipa vivem-se dias de indisfarçável felicidade
O jogo de hoje, no Estádio do Jamor, é para João Manuel, que vive em Coimbra com a mulher, Helena Marto, e o filho de seis anos, João Afonso, o culminar da ansiedade das sucessivas eliminatórias da Taça de Portugal, “vividas com grande felicidade”. “Sempre que eu chegava, após um jogo, a primeira coisa que o meu filho me perguntava era se tinha vencido e foi com grande euforia que, cá em casa, se viveu a passagem à final da Taça de Portugal”, afirma o jogador ao Domingo Magazine , prestando tributo, quase uma declaração de amor, à mulher. “Dá-me grande estabilidade emocional e tem sido o meu suporte ao longo dos anos. A Helena ajudou-me a ver a vida com outros horizontes; foi e é muito importante para o sucesso da minha carreira. O nascimento do meu filho, João Afonso, ainda contribuiu mais para a minha estabilidade emocional. Ele é a alegria da casa”.
Cada conquista de João Manuel é intensamente vivida por Helena Marto que não esconde, porém, o especial ‘sabor’ da Taça de Portugal. “É uma espécie de prémio de carreira. O meu marido foi algo infeliz porque deveria ter chegado a um dos ‘grandes’ mas não o conseguiu. Passou ao lado de uma carreira com maior destaque e, por isso, acho que esta é uma conquista muito especial”, afirma.
João Manuel e Helena Marto conheceram-se há mais de dez anos, numa semana académica de Viseu, quando ele ainda não era jogador profissional (jogava no Futebol Viseu, na III Divisão Nacional) e trabalhava como fotógrafo. Aliás, ela – agora uma adepta do desporto-rei – pouco ligava à modalidade do “pontapé na bola”.
A par da evolução da relação entre ambos, Helena Marto passou a acompanhar os jogos do marido e consequentemente a reconhecer o interesse lúdico do desporto-rei. “Agora sou uma fã de futebol e da União de Leiria.”
O pequeno João Afonso e a mãe vão estar no Jamor. Em casa do atleta unionista pensa-se, apenas, na vitória e Helena Marto confessa que vive “com alguma ansiedade a chegada do dia da final da Taça de Portugal”. “Espero ver o João a erguer a Taça, se há alguém que a merece, é ele porque vive muito o futebol e sente grande pressão quando sofre uma derrota”.
Maria Inês, mãe de Maciel, veio de propósito do Brasil para ver o filho erguer a Taça. A ‘torcida maternal’ cheia de ‘orgulho’ espera “ver o Maciel a jogar num grande clube da Europa”.
A mulher do jogador, Grazielle, mãe de Mateus, de poucos meses, e de Gabrielle, de três anos, realça a importância do jogo: “O Maciel merece conquistar a Taça. É algo muito importante para ele e para mim porque todas as suas conquistas são também como se fossem minhas.”
Gabrielle sente-se “bem” em Portugal. A família optou por terras lusas, apesar de, na época da transferência para a União de Leiria, ter surgido a hipótese de Maciel ingressar num grande clube brasileiro. Mas, a Europa era o caminho a seguir, pois “é aqui que estão as melhores equipas”.
As angústias das derrotas são partilhadas pelo casal, salientando Gabrielle que, tanto os resultados negativos como os positivos, são vividos com intensidade em casa, cumprindo ela, escrupulosamente, o importante papel de ajudar o marido. E Maciel reconhece-o. O apoio e a “força” que Gabrielle lhe dá são essenciais para as boas épocas que tem realizado. Por isso, afirma, que a Taça de Portugal é um prémio para os dois e uma forma perfeita de acabar uma “grande temporada”.
’SEMPRE ACHEI QUE IA À FINAL’
Achou sempre que havia de ir ao Jamor disputar a Taça
de Portugal. Tanto que nos contratos de Manuel Cajuda constava sempre um prémio de jogo especial. Pode ser que o ganhe. Lembram-se da história de David e Golias?
“Chegar a uma final da Taça de Portugal foi uma das promessas que fiz a mim mesmo e este ano consegui cumpri-la”, afirma Manuel Cajuda. Antes do início da época, o técnico da União de Leiria pressentiu que era mesmo desta. Uma fé antiga. Nos últimos três anos, no seu contrato está inscrita uma cláusula referente a um prémio de jogo especial pela chegada ao Jamor. “Sempre acreditei que poderíamos estar nesta situação e, à medida que os jogos foram decorrendo, passei a acreditar mais. Os meus contratos têm sido feitos nessa base”.
O objectivo foi alcançado precisamente numa época de maiores reticências por parte de Manuel Cajuda. "Ironicamente, conseguimos chegar ao Jamor num ano em que a nossa situação em termos de trabalho nem foi a melhor”, sublinha. É que a equipa “andou com a casa às costas toda a temporada”.
Foi uma época “sofrida” e como tal de conquistas mais ‘saborosas’. “Olhando agora para a União de Leiria, ninguém dirá que tivemos tantas dificuldades. Mas os vencedores são aqueles que encontram barreiras e as ultrapassam e nós conseguimo-lo!” Mérito partilhado entre grupo de trabalho, a administração da SAD, os adeptos e a sua “querida equipa”. “Os jogadores foram maravilhosos e mostraram-se ambiciosos. Grande percentagem dos feitos deve-se a eles e não os posso esquecer.”
Manuel Cajuda analisa o seu adversário: “Vai ser uma tarefa complicada, mas acredito que a União pode ganhar. Não me posso dar por vencido só por ir defrontar aquela que é, provavelmente, a melhor equipa da Europa”. O União de Leiria alcançou a final da Taça de Portugal após cinco eliminatórias, três das quais disputadas com formações da II Divisão B. Na época de ouro ainda se inscreve o 5º lugar na SuperLiga e a garantia da ida à UEFA.
A história desta presença no Jamor começou a ser escrita frente ao Oriental. A equipa de Lisboa ainda deu alguma réplica à União de Leiria, mas Douala, Gabriel e João Manuel acabaram com o sonho da formação secundária. Seguiu-se o Louletano, que os leirienses golearam por 4-1. Bilro, Fernando Aguiar, João Paulo e Silas foram os autores dos golos. Nos oitavos-de-final, a formação de Cajuda recebeu o Freamunde e venceu com os golos de Douala, Márcio Santos e Maciel. O primeiro encontro com uma equipa do mesmo escalão deu-se nos quartos-de-final, com a União de Leiria a manter-se como o conjunto visitando. A Académica vendeu bem cara a derrota. Hugo Almeida inaugurou o marcador para os leirienses, mas Marinescu empatou para os “estudantes”. No segundo período, o União aproveitou os erros do adversário e Paulo Gomes e Bilro fixaram o 3-1. O Paços de Ferreira foi o adversário seguinte e a equipa de José Mota foi ultrapassada, com um golo “de sorte” de Bilro.
João Martins, 25 anos, um dos adeptos mais fervorosos da União de Leiria, lamenta a falta de adesão dos leirienses: “Falta bairrismo às pessoas de Leiria. Têm uma equipa espectacular e que dá grandes alegrias à cidade mas alheiam-se completamente”.
“Fanático pela União de Leiria desde a adolescência”, como afirma, promete apoio ao “clube do seu coração”. É que João Martins é membro fundador da claque ‘Frente de Leiria’ e, por isso, não vai deixar os crédito por mãos alheias: hoje gritará “sempre e até não poder mais”. “Vamos apoiá-los. Os 73 autocarros podem não ir cheios para o Jamor mas os que vão são bons”, desabafa.
A paixão de João Martins pela União de Leiria começou há uma década, quando a equipa subiu à I Liga. A partir daí, este adepto nunca mais deixou de acompanhar o clube. E tenta explicar: “É por causa jogadores e do convívio nas bancadas. É algo inexplicável. Tem que se viver!”
AS ATRIBULAÇÕES Da UNIÃO
O clube União Desportiva de Leiria foi fundado a 6 de Junho de 1966, como resultado da junção de dois clubes da cidade, o Sporting Clube Leiriense e o Ateneu Desportivo de Leiria, acabando este por sair.
Com 37 anos, o clube só se afirmou no principal escalão do futebol português no final do século XX. Até aí só se intrometia ocasionalmente entre os “grandes”. A época 1979/80 marca a chegada à então I Divisão Nacional. ‘Sol de pouca dura’, a equipa cai novamente de escalão. Volta uma época depois a conviver com os “grandes” mas a despromoção teima em acontecer.
A década de 90 é o virar da página. A União de Leiria passa a disputar a I Liga em 1994/95, e fica neste escalão durante três temporadas. Volta a descer à II Liga, regressando em 1998/99 à categoria maior. Desde, então, mantém-se alcançando a melhor classificação de sempre (5º lugar) na época 2000/2001 – que repetiu na presente época –, quando era treinada pelo técnico Manuel José.
Do seu historial consta um título de Campeão da II Divisão (1979/80) e da II Divisão de Honra (1997/98). A União de Leiria conta ainda com 35 presenças na Taça de Portugal, tendo chegado às meias-finais nas épocas 1995/96 e 1997/98.
CACHECÓIS E BANDEIRAS À BORLA
E como a festa é da cidade, a Câmara de Leiria abriu os cordões à bolsa para oferecer aos munícipes e torcedores em geral cinco mil cachecóis e igual quantidade de bandeiras com as cores e brasão do município para a final da Taça de Portugal. Além disso, a autarquia colocou à disposição dos adeptos 73 autocarros de 55 lugares para os transportar ao Jamor.
Para que ninguém acuse que cachecóis e bandeiras, ainda que de borla, é pouco para a 'fezada', os serviços do clube disponibilizaram um ‘kit’ ‘Especial Taça’, com as cores do União de Leiria, branco e vermelho, que integra um boné e uma 't-shirt'.
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