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Tem cara de miúdo mas é o mais novo elemento do clube dos quarentões. Depois de ter pilotado aviões, carros de competição e de se ter transformado em vampiro, estará Tom Cruise preparado para enfrentar o papel mais crítico da sua carreira, o de adulto?

28 de junho de 2002 às 18:18

Aquelas pequenas rugas à volta do contorno dos olhos não deixam margem para dúvidas: A adolescência de Tom Cruise tem os dias contados. Este ano, mais precisamente no dia 3 de Julho, o rapaz que fez dos blusões de piloto e dos óculos Ray-Ban, verdadeiros fenómenos dos anos 80, e que dançou pela sala, em cuecas, no filme Negócio Arriscado, prepara-se para apagar 40 velas de aniversário. Um marco importante na vida deste actor, que já protagonizou mais de 23 filmes, (que renderam perto de 1,94 mil milhões de euros, nas bilheteiras) e neste último ano trabalhou, pela primeira vez, ao lado do seu amigo de longa data, Steven Spielberg, no thriller científico Relatório Minoritário, que acaba de estrear nos Estados Unidos. Um filme de acção onde são visíveis as semelhanças entre o mítico Matrix, e o recente Memento, de Chris-topher Nolan. Mais uma vez, Tom fez a escolha inteligente. Para manter o estatuto de sex symbol, (desejado pelas mulheres, invejado pelos homens) é preciso continuar a surpreender as gerações mais novas, que não o viram misturar cocktails ao som de Addicted to Love, ou a seduzir a cirurgiã Dra. Claire Lewicki (papel interpretado pela novata Nicole Kidman), em Dias de Tempestade. Tal como o actor, os seus fãs também não estão a ficar mais novos.

Quem conhece bem esta vedeta do grande ecrã define-o como um verdadeiro workaholic e perfeccionista, duas características da sua personalidade que podem explicar o segredo do seu sucesso. Para já, Tom está em “estágio” para enfrentar mais um desafio, o filme The Last Samurai, que o tem obrigado a ter aulas com Nick Powell (que conseguiu fazer do australiano Russell Crowe, um verdadeiro Gladiador para o século XXI) para aprender a manusear a espada à medida desta figura mítica. E em preparação está já a mais nova sequela de Missão Impossível (re-alizado por David Fincher), outra vez com o carimbo pessoal da produtora de Tom Cruise, que já mostrou ter “olho” para o negócio, depois do sucesso de M: I-2, dirigido por John Woo, e de Os Outros, de Alejandro Amenábar, interpretado pela ex-mulher, Nicole Kidman. Este foi apenas o primeiro dos seis filmes que Kidman aceitou protagonizar para a produtora de Tom, mas o futuro deste negócio pode ter ficado irremediavelmente danificado quando os dois se separam. E se assim for, talvez a continuação da comédia romântica Magia e Sedução, nunca venha a ver a luz do dia.

Desde o dia 8 de Agosto, de 2001, Tom Cruise e Nicole Kidman encontram-se oficialmente divorciados. Depois de dez anos de matrimónio, aparentemente feliz e perfeito, um dos casais mais mediáticos da sétima arte decidiu seguir caminhos separados. Muito se tem especulado sobre o fim desta relação, que pode ter sido posta em causa pela beleza da enigmática actriz espanhola, Penélope Cruz, que contracenou com o actor no filme Vanilla Sky (um remake de Abre los Ojos) e com quem, actualmente, Tom ainda mantém uma relação especial, contrariando todos os rumores que davam como certo o fim deste namoro idílico. Em declaração ao jornal Daily Mirror, Tom Não se coibiu de abrir o seu coraçao: "Estou muito feliz ao lado de Penélope. É uma mulher maravilhosa", acrescentou. Recorde-se que a actriz esteve presente na festa de aniversário de Cruise, o ano passado, dando origem a inúmeros boatos, só que nessa altura, os dois garantiram que tudo não passava de “uma boa amizade”.

Há ainda quem adiante que a devoção religiosa de Tom pode explicar o fim do seu casamento, do qual resultaram dois filhos adoptivos, Isabella Jane (oito anos) e Connor (seis). Fiel à controversa Igreja de Cientologia, uma seita fundada pelo já falecido L. Ron Hubbard (autor de ficção científica) e que em 1950, escreveu um dos livros sagrados da Cientologia, Dianética ,onde descrevia a metodologia para curar os males, do corpo e alma. Sabe-se que o actor segue à risca as palavras deste guru, que o ajudaram a ultrapassar muitos dos traumas da sua conturbada adolescência.

No dia 3 de Julho de 1962 (por pouco, quase se podia dizer, Nascido a 4 de Julho) Mary Lee, uma professora primária, casada com Thomas (engenheiro electrotécnico), dava à luz o primeiro filho varão, na localidade de Syracuse, Nova Iorque, ao qual deu o nome de Thomas Cruise Mapother IV. E, se julga que este actor teve sempre a vida facilitada, desengane-se. Com apenas 12 anos, Tom assistiu ao turbulento divórcio dos pais, e o dinheiro nunca abundou no seio daquela família. A infância foi passada em diversas escolas, uma vez que o pai não conseguiu proporcionar à família uma vida estável, obrigando-os a largar as aulas e os amigos, assim que começavam a sentir-se em casa. Um cenário que se agravou, quando ao pequeno Tom diagnosticaram dislexia (que o levava a confundir as palavras e a ler devagar), o que dificultava a sua aprendizagem na escola. Uma situação que viu melhores dias quando a mãe fugiu com ele e as suas três irmãs, para Glen Ridge, New Jersey. O pai, esse, acabaria por falecer em 1984, vítima de cancro, e os dois nunca tiveram a oportunidade de endireitar essa conturbada relação. Um trauma que o actor reviveu no filme Magnolia, de Paul Thomas Anderson, ao interpretar o líder espiritual, Frank T.J. Mackey, que tenta fazer as pazes com o progenitor, quando este está à beira da morte. Uma interpretação que lhe valeu o Globo de Ouro para melhor actor secundário, e uma nomeação para os Óscares, na mesma categoria.

Com o intuito de ganhar alguns trocos extra (depois de se ter magoado no joelho, desistindo da equipa de luta amadora), o jovem Cruise decidiu inscrever-se numa escola de representação, de modo a poder participar em castings para anúncios ou publicidade, o que lhe proporcionava alguma independência financeira. Foi numa dessas “brincadeiras” que o realizador de Um Amor Infinito, Franco Zeffirelli, lhe abriu as portas do mundo do cinema, em 1981. Um pequeno papel, mas suficiente para conseguir convencer Harold Becker, que o dirigiu em O Clarim da Revolta, a dar-lhe uma oportunidade, que se resumia a uma simples frase no célebre filme. Mas a persistência é outra das suas características e, no final, soube impressionar o realizador e conseguiu ficar com o terceiro maior papel desta longa-metragem, ao lado de Sean Penn e Timothy Hutton.

Com a porta da fama entreaberta, a carreira de Tom estava pronta para levantar voo. E foi aos comandos de um F-5 que Tom Cruise tomou de assalto o mundo do cinema, no filme Top Gun, de Tony Scott. Um papel que o tornou no mais quente sex symbol dos anos 80, e num dos posters mais procurados pelas adolescentes, que ficaram loucas com o seu ar cool e “aquele” sorriso único, que, nos dias que correm, está adornado com um aparelho para os dentes, quase transparente, de modo a preservá-lo (ainda) mais perfeito.

Goste-se ou não do estilo deste actor, a verdade é que a maioria dos projectos em que Tom Cruise se envolve, transformam-se em ouro. Cedo percebeu que a escolha dos filmes podia significar a ruína ou a projecção da sua carreira. Em A Cor do Dinheiro, soube estar à altura de Paul Newman, e o mesmo se pode dizer do filme Encontro de Irmãos, ao lado do talentoso Dustin Hoffman. Mas a sua prova de fogo chegou em 1989, ao ser escolhido por Oliver Stone para interpretar Ron Kovic, um veterano da guerra do Vietname, que se vê forçado a passar o resto dos seus dias numa cadeira de rodas. A Academia ficou surpreendida com o seu talento e nomeou-o na categoria de melhor actor. Apesar de não ter levado o prémio para casa, o seu currículo não deixa de ser impressionante.

Uma Questão de Honra, A Firma, Entrevista com o Vampiro, Jerry Maguire (o papel principal estava destinado a Tom Hanks, mas o projecto demorou tanto tempo a arrancar, que este actor deixou de ter idade para encarnar o agente desportivo) ou De Olhos Bem Fechados, o último filme do mestre Stanley Kubrick, são alguns dos títulos que o tornaram numa das estrelas mais bem pagas na Meca do cinema. Este último, voltou a juntar no grande ecrã o casal Crui-se/Kidman, que já haviam con-tracenado juntos na película Hori-zonte Longínquo, um ano após as filmagens de Dias de Tempestade - altura em que os dois se apaixonaram à primeira vista, e que culminou com o divórcio de Tom com a actriz Mimi Rogers, 6 anos mais velha.

Apesar de não se lhe conhecerem inúmeras namoradas, dão-se como certos os seus flirts com a actriz Rebecca de Mornay, Kelly McGillis ou Heather Locklear (uma média baixa, tendo em conta que se está a falar de Hollywood), e são muitas as protagonistas femininas que não lhe poupam elogios, como Renee Zellweger, (que contracenou com Tom em Jerry Maguire), e que guarda boas recordações desse tempo: “Quando estávamos a filmar as cenas românticas, parecia mesmo que ele estava apaixonado por mim. Mas assim que o realizador gritava “corta”, o Tom ia-se embora e, a mim, restava -me recorrer à ajuda psiquiátrica”, ironiza a actriz.

Elogios à parte, a verdade é que os rumores acerca da sua homossexualidade têm acompanhado a ascensão meteórica da sua careira. Cansado desta especulação, Tom decidiu processar o jornal London’s Express on Sunday, que terá ido longe demais ao afirmar que a sua relação com Nicole não passava de uma farsa. O tribunal deu-lhe razão e o actor teve direito a ser indemnizado. Para quem se diz tímido e que gosta de viver afastado da projecção mediática, este último ano tem sido um verdadeiro tormento.

O triângulo amoroso Cruise/Kidman e Penélope tem feito correr muita tinta na imprensa, e são muitos os cronistas sociais que garantem que a ex-mulher do Tom foi quem mais lucrou com o divórcio, ao ver a sua popularidade subir em flecha. O musical Moulin Rouge foi um dos filmes incontornáveis de 2001, (valendo-lhe uma nomeação para os Óscares, na categoria de melhor actriz), e quando Nicole decidiu ir ao talk show de David Letterman, falar da súbita ruptura do casal, foi com uma dose generosa de ironia que enfrentou a opinião pública: “Ao menos, agora já posso usar saltos”, comentou a actriz, provocando a gargalhada geral na assistência.

Quase se adivinha que os níveis de audiência atingiram números recordes. Quem não gostou da brincadeira foi Tom, que ainda acrescentou: "Nicole sempre usou saltos altos, e eu sempre gostei de a ver assim", referiu o actor, que tão depressa não a vai esquecer: "Eu nunca vou deixar de a amar", confessou.

Segundo as revistas sociais "cor-de- -rosa", Nicole Kidman mantém uma relação estável com o actor principal do blockbuster deste Verão, O Homem-Aranha, o jovem Tobey Maguire, o que terá perturbado o seu ex-marido, que está a atravessar uma crise de ciúmes. E onde há fumo, há fogo...

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