Qualquer um pode recuar até ao final do século XVI para fazer a árvore genealógica da família
Se gostava de fazer a árvore genealógica da sua família tenha atenção a uma coisa: apelidos iguais não significam necessariamente grau de parentesco – principalmente se quiser recuar até um passado mais longínquo. No século XVII, entre a nobreza portuguesa, os irmãos tinham apelidos diferentes uns dos outros, sendo que as meninas os iam buscar à mãe ou à avó materna.
São as mulheres quem apresenta maior variabilidade nos nomes, muito por causa da utilização de diferentes nomes próprios de devoção. Além disso, pela condição social inferior que tinham à época, pelos costumes da localidade onde viviam, pelo recurso a alcunhas ou até por ignorância dos párocos, era comum que as mulheres do povo fossem mencionadas com um nome próprio acrescentado da versão feminina do nome do pai. Uma Joana de Assunção, filha de Custódio Alves, poderia ser a Joana Custódia; uma Ana das Neves, filha de Jordão Rodrigues, poderia ser Ana Jordoa. Sobretudo no século XVII foram também comuns as menções a apelidos em versão feminina, fossem maternos ou paternos. Por esse motivo, uma Maria filha de um João Monteiro pode surgir em documentos como Maria Monteira e uma Joana filha de uma Ana Malheiro pode surgir como Joana Malheiro.
A ‘desajudar’ a missão estava a falta de um critério ortográfico rigoroso e uniforme para os nomes, uma vez que os párocos e tabeliães registavam o modo pelo qual as pessoas eram chamadas, escrevendo os nomes da maneira que supunham ser a mais correta, numa transcrição literal dos sons. Perceber a origem do apelido e a eventual ligação dos que o usaram não é tarefa linear. Atente-se por exemplo aos Sousa – na região do Porto vivem e viveram muitas pessoas com este apelido, dado que existe um rio e uma localidade assim chamados. Mas também havia fidalgos com esse apelido desde a Idade Média, sendo esses Sousas considerados como uma das principais linhagens portuguesas medievais. Por isso, se o seu apelido for Sousa, pode descender de um fidalgo ou apenas de alguém que vivia próximo do rio ou na localidade com o mesmo nome. Tal como uma Maria Ferreira podia ter esse apelido por ter nascido numa localidade assim chamada (como Paços de Ferreira ou Ferreira do Zêzere) mas podia dar-se o caso de ser mulher de um homem que trabalhava o ferro.
Já não é só para alguns
Agora, as boas notícias: "Todas as pessoas conseguem fazer uma árvore genealógica. Sempre que recuarmos uma geração, o número de antepassados tende a duplicar (salvo se houve casamento entre primos, ou outras situações em que o mesmo antepassado surge repetido em posições diferentes na árvore genealógica). Isto significa, por exemplo, que todas as pessoas tiveram geralmente oito bisavós. A probabilidade de se desconhecer por completo a filiação e naturalidade de todos esses oito bisavós é meramente académica. O que pode suceder é, em relação a alguns antepassados nossos, a pesquisa terminar precocemente num certo ponto, por falta de dados para continuar. A árvore genealógica pode até ficar com alguns ramos cortados, mas não deixa de ser uma árvore genealógica", acreditam Francisco Queiroz e Cristina Moscatel, autores do livro ‘Descubra as suas origens’ (ed. Esfera dos Livros).
Em jeito de manual, a obra dá pistas de pesquisa, interpretação e organização de dados que ajudam a reconstituir a história familiar. Já lá vai o tempo em que genealogia era apanágio dos descendentes de nobres ou reis. "Existem muitas motivações possíveis. A mais transversal é a necessidade de perceber a sua própria individualidade e, ao mesmo tempo, a busca de uma pertença – coisas particularmente relevantes num mundo cada vez mais globalizado e em que o indivíduo é socialmente reduzido a algo quase insignificante. Em muitos casos, existem ainda motivações de valorização pessoal, de busca de autoestima", concluem.
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