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Estado de site e estado de sítio

O Facebook acaba de cravar 150 milhões de membros – e vai nas 374 mil adesões DIÁRIAS. Para M. Zuckerberg, o puto de 24 anos que o criou numa república de Harvard, num futuro próximo o site atará todos os terráqueos. Utopia ou distopia? A um eventual leitor Amish (aquela seita que recusa a electricidade), explico melhor.

19 de abril de 2009 às 00:00

Trata-se de uma comunidade on-line onde colegas, amigos, conhecidos desaparecidos, amigos de amigos ou de conhecidos desaparecidos, e perfeitos estranhos – todos se tornam íntimos. Partilham publicamente informações pessoais, por vezes embaraçosas. O Facebook é tão tentacular que o simples facto de não aderir é uma espécie de manifesto – ou afectação (como não ter telemóvel). Eis o meu primo: 'Tenho 198 amigos lá. Nunca vi mais gorda a maioria'. O meu cunhado é mais popular: 'Tenho 3200 amigos no Facebook. Conheço talvez 50 deles'.

Que raio é que está a passar-se? O Facebook consuma aquilo que a actual Hollywood ameaçava: converte adultos em adolescentes? OK, há o activismo protocolar ('Abaixo a circuncisão feminina!'). Mas há também anorécticas que ensinam a vomitar. E, sobretudo, uma escabrosa futilidade. Exemplo: '25 Coisas Sobre Mim', com idiossincrasias de cada membro. Na semana passada, 25 milhões de posts (125 milhões de factóides) infestaram o site.

Assumindo que cada lista leve 10 minutos, essa erupção de narcisismo virtual esbanjou 800 mil horas de produtividade (nem que fosse numa sesta – já nem digo a fazer uma coisa tão estapafúrdia como ler um livro). E convenhamos: a maior parte de nós não é interessante, nem espirituosa, nem estimulante – porém, partilham-se gorgolejantemente. E quem fica de fora é olhado como se fosse um leproso numa colónia de nudistas. A resistência é inútil? Se calhar. Eu odeio o Facebook e toda a gente que lá está – incluindo os meus amigos (que eu adoro), e a minha namorada (que me adora – sim, querida, vice-versa também).

MICHELLE MA BELLE, PARA VENDER

Na capa de nove em cada dez revistas (o cálculo é do Gawker), a imagem da americana Michelle Obama aumentou as vendas de todas elas.

GOOGLE DIZ QUE É AMIGO DA IMPRENSA

Na Convenção dos Jornais Americanos, o presidente disse que o Google 'é amigo da imprensa'. Nada sobre a AP, que atacou o Google News.

AGÊNCIA DECLARA GUERRA A PIRATAS

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