‘Studio 60 Oon the Sunset Strip’ é do mesmo argumentista de ‘a rede Social’. Em Portugal, a série de Aaron Sorkin está disponível em DVD
Não constitui novidade para ninguém que o grande cinema está hoje na televisão. Existem razões económicas e demográficas para isso – e ambas estão ligadas. O público "cinematográfico" é escandalosamente jovem, o que leva os estúdios a apostar em produções que estejam ao nível etário do público. E não só.
O filme é apenas um começo – e, às vezes, um pretexto. Depois do filme, existe o DVD e os múltiplos objectos de "merchandising" que devem proporcionar um retorno do investimento. Perante este cenário, resta uma pergunta: e os adultos? Onde encontrar entretenimento com a qualidade que os filmes (não) têm?
A RESPOSTA
Os Estados Unidos deram a resposta: na televisão. Um episódio dos ‘Sopranos’ ou de ‘Mad Men’ é mais sofisticado do que a produção média de Hollywood.
E quem fala em ‘Mad Men’, fala em ‘Studio 60 on the Sunset Strip’. A série teve apenas uma temporada, o que em princípio a devia desqualificar ante os grandes.
Seria um erro. Aaron Sorkin pode ter atingido a fama com ‘Os Homens do Presidente’ e o último filme de David Fincher, ‘A Rede Social’. Mas a obra-prima do homem está em ‘Studio 60’, disponível em DVD: os melhores diálogos; os personagens mais humanos; e um sentido poético que Sorkin não voltou a oferecer.
‘Studio 60’ começa por ser uma meditação sobre a própria televisão: existe um programa nocturno, moldado no ‘Saturday Night Live’, intitulado ‘Studio 60 on the Sunset Strip’. Mas o argumentista do programa, ‘Wes Mendell’ (Judd Hirsch), está cansado: cansado da estupidez; da vulgaridade; e da acomodação cultural do sistema televisivo. Um dia, explode: em directo, inicia um monólogo contra o seu próprio meio (uma evocação perfeita do clássico de Sidney Lumet, ‘Network’, onde Peter Finch também explodia).
É o fim do velho argumentista. Mas é um começo para o novo, ‘Matt Albie’ (Matthew Perry), e para o seu amigo e produtor ‘Danny Trip’ (Bradley Whitford). Eles trabalharam no ‘Studio 60’, anos antes, mas foram enxotados do programa por pisarem o exacto risco politicamente correcto denunciado por ‘Wes’. Estão de volta, agora, para levantarem uma marca em descrédito.
Mas a excelência de ‘Studio 60’ não está apenas na forma realista, por vezes alucinante, com que filma as entranhas da televisão. O melhor de ‘Studio 60’ está nos personagens que o povoam – a vida dos actores do programa; dos administradores da estação; e a amizade entre ‘Matt’ e ‘Danny’. O cinema tem-se ocupado de tudo: ambição; vingança; criminalidade. Mas é raro ver os temas banais tratados com grandeza dramática. Como a amizade, precisamente, a começar pela masculina; mas também as angústias, os confrontos e as recompensas finais das verdadeiras histórias de amor. Como a história de ‘Matt’ com ‘Harriet’ (Sarah Paulson); e de ‘Danny’ com ‘Jordan’ (Amanda Peet). Se o leitor não sentir o coração nas mãos ao acompanhar as odisseias sentimentais destes dois, acredite, o melhor é verificar se ainda tem coração.
CINEMA: ‘ÚLTIMA ESTAÇÃO’
Existe um preconceito idiota contra o cinema ‘académico’. Não o compro. Se assim fosse, seria preciso riscar alguma da melhor ficção televisiva britânica e cineastas estimáveis, como James Ivory ou mesmo Hoffman, autor deste ‘A Última Estação’. O filme é primoroso pelas interpretações de Helen Mirren e Christopher Plummer. Mas o milagre pertence a James McAvoy.
Resumo: Os últimos dias do escritor Lev Tolstói.
Realizador: Michael Hoffman
Em exibição
MÚSICA: THE DIVINE COMEDY
Neil Hannon esteve recentemente em Lisboa a solo para apresentar este álbum. O Maria Matos desabou. Não admira. Hannon conseguiu o cruzamento perfeito entre a pose e a ironia literárias de Noel Coward e o gosto orquestral e enganadoramente easy-listening de Bacharach. É o melhor álbum dos The Divine Comedy. Será preciso dizer mais?
Resumo: ‘Bang Goes the Knighthood’ é o 10.º álbum dos Divine Comedy com temas como ‘At the Indie Disco’.
LIVRO: ‘SÁ CARNEIRO’
Existe literatura abundante sobre Sá Carneiro: ensaios históricos; filosóficos; políticos. Sem falar de obras solenes sobre Camarate. O que não existia era um retrato completo e brilhantemente escrito sobre o homem que devolveu à direita pós-revolucionária a sua respeitabilidade. Num país sem tradição biográfica, este livro ficará como um marco excepcional.
Resumo: Biografia de Sá Carneiro
Autor: Miguel Pinheiro.
Editora: Esfera dos Livros (764 páginas)
FUGIR DE...
‘JOSÉ SARAMAGO NAS SUAS PALAVRAS’
Dizem que é preciso separar a obra do homem. Concordo. Pena que Saramago não concorde, apesar de afirmar o contrário. Na sua pior ficção, é de um moralismo esquemático confrangedor. O mesmo acontece nas suas reflexões ‘filosóficas’ e ‘políticas’, animadas por um puritanismo e por uma grandiloquência onde o sentido do ridículo não entra.
Resumo: Selecção de declarações de Saramago à imprensa.
Editora: Caminho
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