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FREDDY ADU: ELE VALE POR TRÊS

Aos 14 anos, Freddy Adu é considerado a próxima grande estrela do futebol. Já recusou propostas do Inter de Milão e do Manchester United. É americano

18 de janeiro de 2004 às 00:00

O futebolista Freddy Adu vai começar a treinar em Fevereiro no D.C. United – clube da Major League Soccer (MLS), liga norte-americana de futebol profissional, com a qual assinou um contrato de quatro anos, com mais dois de opção. Poderia ser apenas mais uma entre as muitas contratações do defeso, mas a verdade é que o atleta está perto de fazer história.

Quando vestir o vermelho e preto da nova equipa, vai tornar-se no mais jovem futebolista a actuar numa formação profissional, um feito inédito tendo em conta a sua idade: 14 anos. Freddy Adu baterá então o recorde de Santino Quaranta, que em 2001 estreou-se na MLS com 16 anos, sete meses e 25 dias.

Mas nem tudo são rosas. A inclusão de um atleta tão novo na competição está a gerar polémica. Há quem defenda que ainda é muito cedo para o menino prodígio jogar ao lado de adultos. O risco tem sido aceite por Richard Motzkin, agente do atleta, que não se cansa de afirmar tratar-se de uma cartada decisiva para o futuro de uma modalidade em crescimento nos EUA. “Se o Freddy tivesse assinado por um clube europeu não teria hipótese de jogar até ter no mínimo 16 anos, ou mesmo 18. Poderia continuar a ser uma figura mítica, que ocasionalmente apareceria e dominava as competições jovens. Ao ficar por cá escolheu mostrar o que vale ”.

De ganês a norte-americano Nascido no Gana, a 2 de Junho de 1989, Freddy aterrou nos Estados Unidos aos oito anos, altura em que a mãe, Emelia, recebeu o visto de residência que lhe permitiu levar os dois filhos e o marido para o outro lado do Atlântico. Com residência em Potomac, no Estado do Maryland, o clã Adu depressa se apercebeu das potencialidades de Freddy, assim como do benjamim da família, Fredua, dois anos mais novo. Em 2001, quando o talento futebolístico dos miúdos começou a notar-se, Emelia aconselhou calma e preferiu ver o futuro deles nos estudos. Trabalhadora incansável, arranjou dois empregos a tempo inteiro para os conseguir educar. "Nós precisamos de dinheiro, mas eu não quero apressar o Freddy. Não vou vender o meu filho, é apenas um menino”, disse após ter ouvido falar, pela primeira vez, do interesse do Inter de Milão em contratar o seu filho mais velho.

Nem mesmo a oferta de 750 mil dólares (cerca de 150 mil contos) por cinco anos de contrato, a convenceram a mudar de atitude. Devido à persistência de Emelia, o acordo acabou por não ser celebrado e em Outubro de 2001 Freddy esteve presente num estágio da selecção de sub-17. Espantou o treinador, John Ellinger, que vaticinou que ele jogaria na MSL aos 15 ou 16 anos. Ao que tudo indica, tal acontecerá mais cedo, já que Adu termina o liceu em Maio. A escolaridade será feita em tempo recorde, pois na instituição de ensino privada onde estuda, The Heights, existe um programa rápido para casos especiais. Enquanto tal não acontece, o jovem vai-

-se regozijando com a nacionalidade norte-

-americana, conseguida em meados do ano passado, quando se falava do interesse do Gana em fazê-lo jogar para o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2006. Para prevenir essa eventualidade, a Federação Norte-Americana de futebol decidiu não perder tempo: naturalizou-o

A naturalização não foi a única boa nova que Freddy Adu recebeu em 2003. Em Maio, pouco antes de completar 14 anos, assinou um contrato publicitário com a Nike, no valor de um milhão de dólares . Foi a prenda ideal para quem tinha um grande sonho: dar “uma casa gigante” à mãe.

Após uma Primavera composta em termos monetários, o jogador vestiu as cores da selecção norte-americana no Campeonato do Mundo de sub-17. Freddy voltou a dar nas vistas, chamando a atenção de outros grandes clubes do futebol europeu. Chelsea, Manchester United, PSV Eindhoven e Barcelona estiveram na corrida pelo seu passe, com a formação treinada por Sir Alex Fergusson a apresentar uma proposta milionária. Uma vez mais influenciado pela família, o avançado optou por ficar nos Estados Unidos, onde em Novembro acabou assinar contrato com a MSL. Há quem diga tratar-se do futebolista mais bem pago da Liga: 250 mil dólares por ano.

Se entrar em campo num futuro próximo, Freddy Adu tornar-se-á no mais novo atleta de uma modalidade colectiva a jogar ao nível profissional desde Fred Chapman, que tinha 14 anos, sete meses e 29 dias quando ingressou na Associação Americana de Basebol. Em 1887.

PERFIL DE UM CRAQUE

Desporto alternativo: golfe

Filme preferido: ‘O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel’

Músicos de eleição: Eminem e 50 Cent (vocalista dos G Unit)

Jogadores de referência: David Beckham e Diego Maradona

Os jogadores profissionalizam-se cada vez mais cedo. Entre os menores de 20 anos destacam-se algumas promessas.

Cristiano Ronaldo – Nasceu no Funchal, a 5 de Fevereiro de 1985. Depois de ter dado nas vistas ao serviço do Sporting, é actualmente uma das estrelas em ascensão no Manchester United, actual campeão inglês.

João Pereira – Jogador do Benfica, faz 20 anos no próximo dia 25 e é a maior surpresa da SuperLiga 2003/04. O jovem extremo-direito renovou contrato com o clube da Luz até 2008, sendo uma das esperanças das ‘águias’ para a construção de uma equipa vencedora.

Arjen Robben – Aos 19 anos, Arjen Robben joga no PSV Eindhoven mas está perto de assinar pelo Manchester United, clube no qual poderá actuar a partir da próxima época. As negociações já foram iniciadas e o futebolista termina o contrato com o clube holandês no final da presente época.

Wayne Rooney – Começou a jogar no Everton com apenas 16 anos e hoje, aos 18, é considerado um dos mais promissores avançados do futebol inglês. Em Goodison Park todos esperam que se transforme num ícone e faça golos durante pelo menos a próxima década.

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