De dia, encantam multidões nos estádios com as suas fintas e golos mágicos. Mas à noite perdem a cabeça pelo álcool, drogas e mulheres fatais. São jogadores de futebol ou rebeldes sem causa?
Há jogadores de futebol que mais parecem estrelas ‘rock’. Jardel parte quartos de hotéis. Dani é apanhado em festas loucas pela madrugada. Iuran espatifa carros na Invicta. Roger revela tanta testosterona dentro como fora dos relvados. “Os futebolistas são figuras públicas e, tal como um actor de cinema ou um cantor, atraem multidões femininas. E nem sempre é fácil resistir às tentações”, revela o ex-craque Paulo Futre. Mas alta competição não rima com boémia e sempre que um atleta é apanhado em falso, o escândalo rebenta nas primeiras páginas dos jornais… A bronca mais recente é da autoria da dupla benfiquista Miguel e Petit, vista na madrugada de segunda-feira, 15 de Setembro, numa discoteca em Lisboa, depois do empate do Benfica com o Belenenses. A noitada valeu-lhes uma multa pesada do clube encarnado e um valente ‘puxão de orelhas’ do treinador, José Camacho. Para um país que respira futebol, estas saídas são ainda vistas como uma heresia nacional.
A CARNE É FRACA
Dani foi um dos casos mais mediáticos. Em 1994, o atleta era uma das promessas do futebol português. Mas para além de ser um tecnicista nato, o sportinguista era bonito e tinha uma horda de fãs atrás de si. Os insistentes boatos de que à noite se perdia em fintas por discotecas lisboetas eram confirmados pelas exibições irregulares e por atrasos e bocejos nos treinos. Mais tarde, no Benfica, nem um esquema apertado de vigilância, montado pelo clube ao esbelto jogador surtiu efeito. Em Novembro de 2000, a bomba estoirou. O ‘Tal & Qual’ revelava uma escapadela com amigas num hotel do Estoril, com álcool e drogas à mistura.
Não menos polémicos foram os ‘raides’ nocturnos de Cherbakov, Iuran ou Kulkov, que terminaram em bancos de hospitais ou em esquadras de polícias. Os russos gostavam de se passear em carros luxuosos, a alta velocidade, perdendo-se por mulheres fatais e noites longas regadas a álcool em clubes nocturnos. Em Dezembro de 1993, ‘Cherba’, o russo ao serviço do Sporting, guiava pela Avenida da Liberdade, após um jantar de despedida a Bobby Robson. Toldado pelo álcool, não parou num sinal vermelho e embateu noutra viatura. Depois dessa noite, nunca mais saiu de uma cadeira de rodas. “Tinha o mundo a meus pés”, desabafou recentemente. Nessa mesma época, Iuran e Kulkov, eram também uma dor de cabeça para os treinadores do clube rival da segunda circular. “Levavam uma vida pessoal irresponsável”, queixava-se Toni. No ano seguinte, já no FC Porto, as noitadas continuaram e Iuran, ao fazer uma inversão de marcha proibida, em excesso de velocidade, matou uma pessoa. O russo faltou sucessivamente aos julgamentos e hoje o caso continua em aberto. No ano passado, chegou a confessar a um jornal a sua vida boémia em Portugal: “Podíamos estar até às quatro da manhã num bar, e no outro dia jogávamos melhor do que os que tinham dormido toda a noite”.
TEMPERAMENTO LATINO
Os sul americanos que passaram pelos três grandes deixaram na memória dos adeptos golos de antologia mas também histórias de faca e alguidar. O argentino Cannigia, amigo de ‘borgas’ de Diego Maradona, envolveu-se em cenas de pancadaria com adeptos do Sporting em Sintra, numa noite após um ‘derby’ lisboeta, em que foi expulso do jogo. Poucos meses mais tarde, o brasileiro Leandro decidiu fazer habilidades automobilísticas com o seu Porshe, em Albu-feira, andando em contra-mão numa rotunda. Por sorte, a noite de copos do sportinguista não acabou em tragédia.
Mais recentemente, o trio portista Pena, Esquerdinha e Rúbens Júnior, agitou a movida tripeira, saltando de discoteca em discoteca pela noite fora. Tropelias que lhes valeram o afastamento da equipa principal. E Jardel… bem, o brasileiro envolveu-se num enredo digno de uma novela da Globo: separações traumáticas, bebedeiras de ‘whisky’, indícios de drogas duras, invasão de hotéis e internamentos em clínicas. Tudo valeu no ‘annus horribilis’ do ‘bota de ouro’, em 2003. “Não é por acaso que os dirigentes nos aconselham arranjar mulher e assentar. ‘Para triunfares, tens de ter uma vida caseira’. Esta era uma frase que ouvia todos os dias”, recorda Futre, que também era perseguido por dirigentes portistas, sempre que punha o pé fora de casa depois do pôr do sol. “Não era uma vida fácil. Mas era emocionante”.
A 2 de Maio de 1997, no programa ‘Os Donos da Bola’, a SIC revelou um escândalo que envolvia jogadores, dirigentes da selecção nacional e prostitutas. Secretário, Vítor Baía, entre outros atletas, ter-se-iam envolvido numa orgia com ‘meninas’ brasileiras, no Hotel Atlantic Garden, em 1995, 3 dias antes do jogo Portugal-República da Irlanda. A noite de sexo e drogas terminou mal e Angélica Cristina Ribeiro, (apelidada de ‘Paula’) acabou na maca do hospital depois de ter sido alegadamente agredida pelo defesa direito portista. Em 2000, o tribunal obrigou a SIC a pagar uma indemnização de 25 mil euros ao ex-seleccionador nacional pela falta de provas da sua reportagem-choque, mas os portugueses descobriam o lado negro dos seus ídolos dos relvados.
DESGRAÇADOS PELO ÁLCOOL
Chainho (FCP): Apanhado a conduzir pela polícia com álcool no sangue numa viagem entre a Costa da Caparica e Lisboa (2000)
Phil Babb (SCP): Distúrbios na via pú-blica em estado de embriaguez termina numa esquadra, em Dublin (2000)
Xano (Académica): Desacatos com a polícia, na Figueira da Foz, durante os festejos do São João (2003)
Abel Xavier e Dimas (SLB): Castiga-dos pelo treinador ‘Artur Jorge’ após se-rem apanhados numa noitada (1994)
‘O JOGO’ VERSUS ‘A BOLA’
Vítor Serpa, director de ‘A Bola’ e Manuel Tavares, director de ‘O Jogo’, em discurso directo.
Um jogador noctívago tem necessariamente a carreira condenada em alta competição?
VS: Não. Nem o facto de um futebolista ser noctívago o condiciona, obrigatoriamente. Um futebolista consciente percebe que há tempos certos para celebrar a noite.
MT: Quem, por norma, faz noitadas não tem condições para treinar e muito menos para jogar. Hoje, os futebolistas profissionais são em muito maior número que a meio do século passado e os meios de comunicação social multiplicaram-se e especializaram-se, o que faz com que seja possível apanhar alguém numa noitada.
Os clubes controlam cada vez mais os passos dos seus atletas?
VS: Os clubes sempre procuraram controlar os seus atletas. Houve mesmo um tempo em que se contratavam treinadores-adjuntos que tinham como função principal a de espiar os seus jogadores.
MT: No passado, o mais habitual nos clubes era o chefe de departamento organizar uma rede de vigilância, que podia ir do treinador-adjunto ao simples adepto, passando pelos seguranças. Hoje, este tipo de vigilância foi substituído por métodos de análise de dados biofísicos que fazem parte dos métodos de treino.
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