A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna está debaixo de fogo por causa da operação de captura de Pedro Dias
Resistente. Tem dificuldade em aceitar a existência de caminhos distintos daqueles por onde trilhou. Não é do género de se sentar à espera de melhores dias. Lutadora. O seu discurso não é fluente. Paciência. Também o do profeta Moisés.
Deixou processos a meio em Lisboa para dirigir uma operação no Porto. A ‘Noite Branca’ deu projecção à filha de José Loureiro da Rosa, que, durante anos, presidiu à Junta de Freguesia da Zibreira e cuja especialidade se concentrava na forma como criticava a gestão socialista da Câmara de Torres Novas. Não só de política vivia um senhor amado pelos seus fregueses. Tinha um negócio do ramo automóvel. Após a sua morte, Humberto, irmão de Maria Helena, ainda geriu o negócio, mas acabou por fechar as portas. Família é a sua coluna firme. Visita com frequência a mãe, internada no lar João Paulo II. Do casamento com Jorge Fazenda, comerciante de curtumes falido no início de 2000, teve Mariana, investigadora na área da biologia, residente na Escócia, e Pedro, engenheiro civil e músico conhecido por Pedro da Rosa, fundador de bandas musicais: Os Golpes, A Armada, The Mighty Terns e Madrepaz.
O ritmo apático como encara a operação da fuga de Pedro Dias, o assassino que anda a monte desde 11 de Outubro, depois de balear cinco pessoas matando duas, tinge-lhe o currículo. Fonte próxima da GNR obriga-se ao anonimato, embora deseje ver publicada a sua irritação: "Bem sei que a PJ tem o exclusivo da investigação de homicídios. Mas a GNR pode mobilizar-se. E neste caso mais razões tem!" Das duas vítimas mortais, uma é militar da GNR. A fúria continua: "A senhora em questão que se mexa." Mas a radiografia da superpolícia não mostra preguiça. É obstinada, tem o nariz elevado e gosto pelo elitismo. Balas e bombons metafóricos regulam o seu perfil. Contradições, também. Maria Helena Pereira Loureiro Correia Fazenda, que mantém o apelido do ex- -marido, Fazenda, é irredutível e corre quilómetros para atingir o consenso.
No caso de tomar alguém de ponta, faz tudo o que estiver ao seu alcance para se vingar e jamais esquece uma cara que lhe quis mal. Não tolera que lhe façam frente, mas não é pessoa para fazer guerra directa: "Vai pela rectaguarda", afirma um magistrado.
Espalhafatosa, ou, para sermos refinados na gramática, extravagante ou animada. A característica que marca a mulher que já dirigiu o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) é a ambição. Note-se, insiste uma conterrânea: "É insinuante. Fala como se se fosse enroscar. E lá vai conseguindo tudo. Veja onde chegou." Vemos. É secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, e foi proposta para o cargo em 2014, por ministros de Passos Coelho: Miguel Macedo e Paula Teixeira da Cruz.
Um exército de curiosos esperava, admite um inspector da PJ, que estivesse presente, ou mais presente, no que diz respeito à caça do assassino. Outro inspector discorda: "Não é trabalho para a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna. É trabalho da polícia." Para desempatar, um antigo inspector reaviva algo importante: a função de secretária-geral é, entre tantas, assumir um papel de comando em situações de crise e de avalizar a articulação entre as diferentes forças e serviços de segurança.
Reunião para que fosse discutida a maneira de como a PJ e a GNR se interpretam na pesca ao assassino de Aguiar da Beira, que se saiba, só existiu uma, e por causa do alarido da comunicação social. Um coro afinado nega descoordenação das forças envolvidas na operação. A ministra da Justiça, o director nacional da Polícia Judiciária, o comandante operacional da GNR e... Helena Fazenda. Uma ou duas descoordenações "apenas" a apontar, referiu o director-adjunto da PJ. A começar pela primeira, que é grave na visão de peritos: a divulgação da fotografia de Pedro Dias logo no dia do crime. O juiz conselheiro Mário Mendes destacara as "falhas de coordenação", deu-lhes tamanho - "bastante grandes" – e reprovou a falta de atitude da sua sucessora, sugerindo que, "dada a gravidade da situação", devia, pelo menos, ter solicitado "uma reunião de urgência do Gabinete Coordenador de Segurança" com polícias e secretas.
É natural que Pedro Dias seja defendido pela mãe. O que não é normal, adianta fonte policial, é este tipo de actuação distanciar-se das regras: a da discrição e sem mostrar um batalhão de agentes no campo. A culpa desta salada é "dela", assume um magistrado do Ministério Público.
A SUBIR NA VIDA
Helena Fazenda, após uma breve passagem pelo Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, integra a equipa do Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Esteve em comissão de serviço em Bruxelas, e regressa ao DCIAP em 2004. Há memórias que continuam na capital belga: "Um colega meu quis concorrer para a OLAF [que investiga fraudes com os dinheiros europeus], mas foi-lhe dito o seguinte: não vale a pena, o lugar é dela [Helena Fazenda]. Estava bem cotada e rodeada."
Francisco Moita Flores dá-lhe um cesto de elogios: "Entre as procuradoras- -adjuntas, é uma das maiores. Com a operação ‘Noite Branca’, mostrou ser uma mulher de grande competência técnica. Oxalá tivéssemos mais assim." Bem, são pontos de vista.
Nesse 2008, a organização de uma equipa especial para investigar os crimes conexos aos seguranças da noite, chefiada pela procuradora Helena Fazenda, desagradou aos investigadores da Invicta. Uma pergunta ainda é feita, não obstante o tempo decorrido: "Então tinha que vir alguém de Lisboa para resolver a coisa no Porto? Mas também quem a nomeou… Oh, valha-me Deus!"
Fernando Pinto Monteiro. O então procurador-geral da República negou, na altura, que a sua ideia de juntar magistrados do Norte e do Sul para enterrar bairrismos provocara mal-estar. Contudo, uma demissão não tardaria a chegar. O director da PJ colocou o lugar à disposição. Os jornais noticiaram "divergências" relacionadas com a investigação dos crimes da noite portuense. Vítor Guimarães, então à frente da diretoria do Porto da PJ, fora colega de Maria Helena Fazenda na faculdade e juntos haviam feito o curso de Formação de Magistrados do Ministério Público. Eram amigos mas sentiu-se ofendido. "Alguém fez chegar a Pinto Monteiro a informação de que elementos da directoria do Porto teriam estado a fazer vigilância à equipa de Lisboa". "Alguém" é subentendido por Maria Helena Fazenda. Uma laringe garante: "Não seria capaz de tal maldade."
A ironia vem doutra: "Ai não, que não seria capaz!"
A amizade com Vítor Guimarães, hoje em dia procurador na Relação de Guimarães, essa é que acabou. Amigos outrora próximos, cumprimentam-se apenas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.