Foi a defesa da causa LGBT que levou a filha de Adriano Moreira em 2011 ao Parlamento, convidada por José Sócrates. Sofredora e frágil na vida pessoal, é aguerrida no combate político
Chamou a Cavaco Silva "inútil, traidor e calculista", mas, assegura fonte próxima do antigo Presidente, "foi das pessoas por quem mais cunhas foram metidas para ir trabalhar com o Cavaco, como assessora", no primeiro mandato dele. "Não foi aceite." Foi sim, em 2006, assessora jurídica de Luís Amado, no Ministério dos Negócios Estrangeiros (Ana Gomes chegou a acusá-la de ter assessorado Amado no inquérito aos voos da CIA em Portugal, no âmbito de um relatório que dava conta de que prisioneiros transportados para Guantánamo teriam passado por jurisdição portuguesa entre 2002 e 2008). "Também esconde que foi assessora do [secretário de Estado das Obras Públicas] Paulo Campos no tempo das Parcerias Público-Privadas", conta fonte do Parlamento.
Causas e críticas
Cada vez que partilha nas redes sociais as suas posições políticas, dezenas de pessoas ‘gostam’ das suas publicações, mas quando aparece de biquíni o número sobe para as centenas – da última foto gostaram 800 seguidores.
Isabel de Lima Mayer Alves Moreira, nascida em 1976 no Rio de Janeiro, é filha de Adriano Moreira, ex-ministro de Salazar, mas está alinhada à esquerda; tem cinco irmãos mas prefere viver sozinha; não quer ter filhos mas a sua grande luta foi que o Estado reconhecesse a todas as mulheres solteiras o direito a acederem a técnicas de procriação medicamente assistida. Sobre a ideia de que as pessoas só defendem causas quando são parte interessada, disse: "Eles têm a ideia de que se espalharem que eu sou lésbica, vou ter menos adesão. Simplesmente faz parte da minha cabeça sã ter por igual chamarem--me lésbica ou chamarem-me loura, não é ofensa". Tanto que leva tatuada no braço a data da aprovação do casamento homossexual em Portugal e já confessou: foi a comunidade LGBT que a salvou e lhe deu força para continuar depois de ter sido vítima de violência e abandono. "Explora a sua fragilidade como agenda política. A relação de que ela fala foi difícil de parte a parte", comenta fonte próxima. "Ou se ama ou se odeia a Isabel, não há meio termo. É sofredora por natureza", conta uma figura do Partido Socialista que com ela priva. Isabel Moreira, que chegou ao Parlamento pela mão de José Sócrates, escreveu sobre a ansiedade com conhecimento de causa num dos seus livros e mais tarde num texto da plataforma feminista Capazes, fundada pela amiga de infância Rita Ferro Rodrigues. Também assumiu ter sido vítima de assédio no trabalho, tirou do sério Manuela Moura Guedes no programa ‘Barca do Inferno’ e diz-se que só não critica Marcelo Rebelo de Sousa porque este foi seu orientador na faculdade. Chegou a estar inscrita no Tinder, aplicação de encontros na internet, mas só admite uma relação em casas separadas. Apaixonada pelo pai – apesar de estarem nos antípodas politicamente –, fez com ele a primeira campanha eleitoral, aos onze anos.
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