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Ivo Canelas: "O humor não retira a seriedade nem a complexidade de um assunto"

Depois do êxito da digressão nacional, ‘Todas as Coisas Maravilhosas’, o primeiro monólogo de Ivo Canelas, está de regresso aos palcos lisboetas.

22 de setembro de 2019 às 09:00

Uma criança vai escrevendo, à medida que cresce, uma lista de razões para viver, com o intuito de ajudar a mãe a recuperar de uma depressão.

Este é o mote do primeiro monólogo da carreira de Ivo Canelas, que se estreou há precisamente 25 anos e, desde então, se tornou um dos atores mais relevantes da sua geração. Volta ao palco no Mercado da Ribeira, em Lisboa, no próximo dia 27.

Como descobriu este texto de Duncan Macmillan? Tocou-o logo no primeiro instante?

Foi um desafio do Hugo Nóbrega, da H2N, produtor do espetáculo. O texto é simples, com uma estrutura muito inteligente e aborda o tema da depressão com grande frontalidade. Assim que o li pela primeira vez percebi logo que o queria fazer. Tocou-me de imediato pela forma crua e ao mesmo tempo inocente com que trata um tema tão delicado. É uma história algo dura, mas também profundamente otimista.

Tudo se baseia numa lista criada por uma criança de sete anos sobre as melhores coisas da vida. Pessoalmente, faz por continuar a ver o Mundo com os olhos de uma criança? Faço por não perder a capacidade de me deslumbrar.

Como se fala da depressão com humor?

Vivemos numa época em que ser feliz é um ‘dever’?Esse suposto dever cria muita pressão em todos nós. Acho que não temos o dever de ser felizes. Talvez tenhamos o dever de o aproveitar quando o somos e de fazer o possível para manter e recriar essa sensação. No fundo, acho que todos sabemos bem o que realmente nos faz feliz. A grande questão é estabelecer prioridades.

É o seu primeiro monólogo. É mais difícil?

Como se prepara um ator para um monólogo?

Como antevê o regresso à cena?

Que feedback teve anteriormente do público?

Qual a coisa mais bonita que já lhe disseram no final de uma sessão?

Está a celebrar 25 anos de carreira. Que balanço faz?

Porque decidiu ser ator? Como começou?

Acho que esta acabou também por ser uma forma de vencer a minha timidez. Mas, sobretudo, escolhi este caminho porque adoro contar histórias.

Histórias que nos façam pensar, que nos façam imaginar, que nos transportem para outras realidades para além da nossa. É um objetivo que tento alcançar em cada novo projeto.

Alguma vez ‘quase’ se arrependeu? Porquê?

Como é fazer do teatro modo de vida?

Tenho uma vida quase sempre cheia de coisas novas e projetos que me levam a ‘viajar’ constantemente em vários sentidos e me ajudam a aprender muito sobre os outros. Tenho a sorte de poder trabalhar naquilo de que gosto e isso é precioso.

Prefere teatro, cinema ou televisão?

A grande diferença, para mim, é a gestão da energia. Ou seja, o teatro exige a capacidade de gerar energia durante uma ou duas horas em continuidade, a mesma hora todas as noites.

Enquanto o cinema e a televisão impõem a capacidade de gerar energia durante cinco ou seis minutos, por vezes muito menos, mas tem de ser mantida ao longo de todo o dia. São níveis diferentes de intensidade.

Qual seria o papel da sua vida?

De novas personagens e desafios. Mas não é preciso muito para isso. Um bom texto, uma ideia, dois atores e tudo pode acontecer...

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