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Kaká não é uma caca

No epílogo de 2007, no Zurich Opera House, Kaká foi entronizado pela FIFA como o melhor jogador do Mundo. Recebeu 1047 votos de treinadores e capitães de selecções nacionais, contra 504 de Messi e 426 de Cristiano Ronaldo.

06 de janeiro de 2008 às 00:00

O ás brasileiro já entesourara a Bola de Ouro, e os prémios da revista World Soccer e do Sindicato dos Futebolistas Profissionais. Dias depois, ao passar um golo de Cristiano Ronaldo pelo Manchester, uma peça da SIC rugiu: “Ele não se deixou abater pela injustiça da FIFA!” Como se, aos 22 anos, o terceiro lugar do Planeta fosse um anátema.

Há jornalistas desportivos que são como o adepto que se senta ao pé do relvado, insulta o técnico e os atletas e tem resposta para tudo. Depois, sai do estádio e não consegue encontrar o carro. Não admira que, na Suíça, Cristiano estivesse trombudo. Kaká, na véspera, embolsara o título mundial de clubes, e doara a uma entidade filantrópica o troféu de melhor em campo (um jipe).

É também embaixador do Programa Mundial de Alimentos da ONU. Quando convidado, em 2004, avisou logo que não queria ser um adorno, e foi para Angola. E como jogador? Com Kaká, não há filigranas narcisistas nem arabescos rococós. O paradigma dele é o virtuosismo em linha recta, com a funcionalidade de um geómetra - aliada à exuberância física de um puro-sangue.

Ao contrário da media lusa com Cristiano, a brasileira não estraga Kaká com mimos. Uma boa parcela dos jornalistas locais (para quem Hugo Chávez é um estadista do porte de um Péricles) não perdoa ao craque do Milan três estigmas vis: é branco, religioso e oriundo da classe média-alta. Ora, na cultura brasileira (desportiva mas não só) reina o culto populista ao malandro boémio. Casos de Romário (dopping aos 43 anos), Ronaldo (uma única partida nos últimos seis meses) e Ronaldinho Gaúcho (há um ano não dá uma para a caixa) - todos velhos gaiteiros.

Para não falar em Adriano, a promessa de avançado que, aos 25 anos, regressou a São Paulo para tentar salvar a carreira do alcoolismo. No dia seguinte à eleição da FIFA, um colunista do ‘Folha de São Paulo’, o principal jornal do Brasil, acusava Kaká de ser betinho e beato. É certo que ele aponta para o céu ao marcar um golo, como gratidão pelo restabelecimento de um acidente que, aos 13 anos, quase o deixou paraplégico. Porém não é um asceta.

Nas horas vagas, é modelo Armani. Mas não se reduz a um loiro burro como Beckham, que outro dia gabou--se de acabar um puzzle em dois meses. “E isso é bom?”, perguntou Victoria. “Claro! Na caixa diz ‘dos 3 aos 6 anos’!”

A versão cinematográfica de ‘O Sexo e a Cidade’ não está pronta, mas já excita. No YouTube há mais de cem vídeos amadores, filmados em L.A. e N.Y., com imagens de Carrie (Sarah Jessica Parker) vestida de noiva e Charlotte (Kristin Davis) muito grávida (juro que não fui eu - mas tenho pena).

Kaddafi virou argumentista. O ditador escreveu o guião de um filme sobre a invasão da Líbia pela Itália, em 1911. A rodagem arranca este ano, com orçamento de 50 milhões de dólares. Não poderei ir à estreia, devido a um compromisso assumido posteriormente.

o realizador oliver stone pela--se pelo caudilho Hugo Chávez, e está na Venezuela para filmar um documentário sobre a América Latina. Acha que “Chávez é um grande homem”. O cineasta devia ter pedido uma fita métrica ao Pai Natal.

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