O meu amigo Zé dos Pneus perguntou-se esta semana: quem foi exactamente um tal senhor de La Palice?
E decidiu investigar. O instigador da laboriosa interrogação do Zé foi o ministro Miguel Macedo, ele próprio instigado pelo Partido Socialista, que tem insistido na perceptível e sonora tecla de "menos austeridade, mais crescimento". Miguel Macedo, em periclitante exercício de ironia, saiu-se com esta: "O senhor de La Palice não diria melhor, só que o senhor de La Palice não é candidato a governar Portugal." Algumas leituras depois, o Zé anda agora a explicar aos amigos que "até era bom que o La Palice governasse cá o burgo!".
Jacques de Chabannes, o senhor de La Palice, morreu em 1525, gloriosamente, no campo de batalha, com obra guerreira e história feita. Mas, ao contrário do que muitos pensam, não consta que tenha dito o que quer que seja que tenha ficado para a História. Ignorantes sobre a carreira de La Palice, muitos governantes portugueses dos últimos anos têm falado e governado pelos cotovelos. Muita fala e pouca obra!
Em tempos de resistência, sobrevivência e valentia popular, os portugueses hão-de gostar de saber que Jacques de la Palice serviu sob as ordens de três reis de França e pelejou, com honra e glória, em todas as guerras de Itália. Morreu em combate na batalha de Pavia e, para a História, ficou frase estafada: "Isso é uma verdade de La Palice!", ou seja, algo tão óbvio e evidente que até dá vontade de rir. Macedo acaba por dar razão ao PS - é evidente que Portugal precisa de menos austeridade e mais crescimento. E precisa de mais actos e menos palavras. O guerreiro La Palice lutou até à morte em Pavia e os seus soldados, impressionados com tamanha coragem, compuseram uma ingénua canção de louvor - "O senhor de La Palice/morreu em frente a Pavia/momentos antes da morte/podem crer, inda vivia!". Truísmo do povo soldado - La Palice nada tem a ver com esta gostosa "verdade de La Palice".
O meu amigo Zé dos Pneus, razoável descobridor da verdade sobre La Palice, desanca comentadores, políticos e botadores de discursos. Miguel Macedo, razoável, insiste que "não é o tempo da política como mero jogo político". Nem La Palice diria melhor, se porventura lhe tivesse dado para falar!
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