Dela foi dito que era a mulher mais poderosa do mundo e, no entanto, era pequena, frágil e nada tinha. Hoje, domingo, João Paulo II, no 25º aniversário do seu pontificado, preside à sua beatificação.
“Na presença da Madre Teresa, todos nos sentimos, com razão, um pouco humilhados e envergonhados de nós mesmos.” Foi desta forma que Indira Gandhi louvou o trabalho da madre, ao proferir estas palavras perante a assembleia-geral das Nações Unidas. Mas antes de Indira Gandhi já outras vozes se tinham levantado e chamado a atenção do mundo para esta mulher de aspecto frágil que, apesar de ter desenvolvido grande parte do seu trabalho na Índia, não era indiana.
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu a 26 de Agosto de 1910, na aldeia de Skoplje (na altura pertencia à Jugoslávia, hoje, integra-se na Croácia), filha de pais albaneses. Era a terceira (e última) filha de Nikole e Dronda Bojaxhiu. No entanto, nunca viveu na Albânia uma vez que a sua família se integrava na minoria albanesa que se mudara para o sul da antiga Jugoslávia. Um dia depois do seu nascimento foi baptizada. O pai era proprietário de uma empresa de construção pelo que Agnes viveu uma infância sem privações. Foi, também, durante a infância e parte da adolescência que se tornou solista no coro da igreja da sua aldeia porque tinha uma excelente voz. Estudou em escolas estatais não católicas mas, simultaneamente, ingressou, durante a adolescência, na Congregação Mariana onde, aos poucos, foi conhecendo a vida na Igreja.
A DECISÃO AOS 18 ANOS
Com apenas 18 anos decidiu que queria enveredar pela vida religiosa e com o consentimento dos pais, no dia 29 de Setembro de 1928 entrou para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto, em Rathfarnham, nos arredores de Dublin (Irlanda), onde recebeu formação religiosa. Um ano depois foi destacada para ensinar Geografia no Colégio Secundário Santa Maria, frequentado por raparigas e situado em Darjeeling, a Sul de Calcutá, na Índia.
Com 21 anos faz a Profissão de Fé (votos de Castidade, Pobreza e Obediência a Deus) adoptando o nome de Teresa, em homenagem a uma religiosa espanhola, Teresa Martín que, em 1927, havia sido beatificada com o nome de Santa Teresa de Ávila. A 24 de Maio de 1937 faz a Profissão Perpétua. A 10 de Setembro de 1946, numa viagem de comboio entre Calcutá e Darjeeling, madre Teresa, então com 36 anos, compreende que o seu destino era na rua. “Recebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo no subúrbio, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim...”, referiu a madre uns anos mais tarde quando registava momentos da sua vida.
NOBEL DA PAZ
Dois anos depois, e com a devida permissão do Papa Pio XII, torna-se uma religiosa independente, ao mesmo tempo que obtém a nacionalidade indiana. Uns meses depois, embarca para Paris onde estuda Enfermagem com as Missionárias Médicas Americanas. De regresso a Calcutá, em 1950, funda a Congregação das Missionárias da Caridade, que usam como hábito um sari branco com rebordo azul. Aos três votos tradicionais, a madre acrescenta um quarto: a promessa de auxiliar os necessitados. Em 1965, esta Congregação é aprovada pela Santa Sé mas, antes disso, já madre Teresa tinha aberto um lar infantil, outro para os moribundos e espalhado o espírito das Missionárias da Caridade não só pela Índia como também pelo resto do mundo.
A 17 de Outubro de 1979 é distinguida com o Prémio Nobel da Paz mas nenhuma distinção ou homenagem pública a faz parar. Dedica a sua vida a ajudar os mendigos, os pobres, os doentes e torna-se um exemplo vivo de coragem, valentia e, sobretudo, de fé. Com 87 anos e depois de ter sofrido dois ataques de coração, tem uma paragem cardíaca fatal. Morre a 5 de Setembro de 1997, deixando o mundo de luto. Esta mulher considerada, em tempos, por Pérez de Cuéllar, secretário-geral das Nações Unidas, como a ‘mais poderosa do mundo’, era também designada como ‘A Mãe dos Pobres’. Curiosamente, o cortejo fúnebre de Madre Teresa de Calcutá, que hoje é beatificada, realizou-se no mesmo veículo que em 1948 transportou o corpo de Mahatma Gandhi, outro homem que ficará, para sempre, na História.
A SUCESSÃO DO PAPA
A beatificação de Madre Teresa de Calcutá pode, eventualmente, ser o último acto público de João Paulo II. No seu 25º ano de pontificado, a saúde do cardeal polaco tem vindo a degradar-se. Mas o que acontece quando um Papa morre? Inicia-se um período intitulado ‘sede vacante’. Em primeiro lugar, o cardeal carmarlengo (actualmente, é o espanhol Eduardo Martínez Somalo) certifica-se que o Sumo Pontífice faleceu e começa um ritual ancestral que dura nove dias. O funeral ocorre entre o quarto e o sexto dia, apesar das cerimónias religiosas durarem mais. Regra geral, o Papa é sepultado nas Grutas Vaticanas, por baixo da Basílica de São Pedro. Durante estes dias, todos os cardeais se reúnem em Roma e, quinze dias após a morte do Papa, começa o Conclave, altura em que se decide sobre a sucessão do Papa; isto é, quem será e qual o nome que terá. No entanto, esta eleição pode demorar alguns dias e ser susceptível de várias votações. Quando a decisão é tomada, o cardeal protidiácono (actualmente, é o italiano Luigi Poggi) aparece no balcão da Basílica de São Pedro e profere a famosa frase: “Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!”. E assim começa um novo pontificado.
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