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Mulher muda-se para os EUA depois de reatar romance da década de 1960 e acaba detida pelo ICE

Marie-Thérèse, de 86 anos, foi detida depois de o marido morrer subitamente e enviada para um centro de detenção no Louisiana.

14 de abril de 2026 às 19:21

Uma mulher francesa de 86 anos que se mudou para os Estados Unidos depois de se casar com um antigo amor da década de 1960 foi detida pelo ICE e enviada para um centro de detenção no Louisiana, EUA.

O filho de Marie-Thérèse diz que a mãe foi presa em Anniston, Alabama, a 1 de abril, quando estava a aguardar pelo "green card" (cartão verde, em português), um visto de longa duração que permite a estrangeiros permanecer nos Estados Unidos. "Algemaram-na pelas mãos e pelos pés como se ela fosse uma criminosa perigosa", descreveu o filho ao jornal francês Ouest-France.

O filho conta que Marie-Thérèse conheceu Billy, um soldado americano, no início da década de 1960, em França, quando este estava de serviço na base da NATO de Saint-Nazaire. Billy regressou aos Estados Unidos em 1996 e os dois perderam contacto e acabaram por casar e constituir famílias separadamente - e cada um no seu país.

Os dois chegaram a restaurar contacto em 2010 e a visitar-se mutuamente, acompanhados das respetiva famílias. Em 2022, ambos estavam viúvos e a chama reacendeu-se. O filho de Marie-Thérèse descreve Billy como um "homem charmoso e adorável" e diz que os dois pareciam "adolescentes apaixonados".

O casal deu o nó em 2025 e Marie-Thérèse mudou-se para o Alabama e candidatou-se ao "green card". No entanto, Billy acabou por morrer de doença súbita antes que a esposa conseguisse receber o visto. 

Pouco depois da morte de Billy, o filho do americano entrou em conflito com Marie-Thérèse por motivos relacionados com a herança. O homem "ameaçou-a, intimidou-a e chegou mesmo a cortar-lhe a água, a Internet e a eletricidade", explica o filho da francesa. 

A situação levou Marie-Thérèse a contratar um advogado para tratar do caso na justiça, mas foi detida pelo ICE, em casa, na véspera da audiência. Foram os vizinhos que alertaram os filhos para a detenção da idosa. 

O filho de Marie-Thérèse insinua que uma denúncia do filho de Billy esteve na origem da detenção da mãe, mas não há provas que o verifiquem. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês está a acompanhar a situação e Marie-Thérèse recebeu uma visita consular. O filho diz que a mãe é uma "lutadora" e que "se mantem bem", apesar de sofrer de problemas cardíacos e nas costas. 

"A prioridade é tirá-la deste centro de detenção e repatriá-la para França. Dado o seu estado de saúde, ela não aguentará um mês nessas condições de detenção", afirmou o filho. 

O filho de Marie-Thérèse disse a história parece "um mau filme americano". "Todas as manhãs acordo e digo a mim mesmo que nada disto é real, que foi apenas um pesadelo", diz.

À BBC, O Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou que "uma imigrante ilegal de França" com o mesmo nome de Marie-Thérèse entrou no país a junho de 2025 e permaneceu no país além dos 90 dias estipulados no visto.    

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