Fenómeno argentino estreou-se pelo Barcelona no Dragão, frente ao FC Porto. Faz oito anos
O dia 16 de Novembro estaria destinado, nos almanaques do desporto, a consagrar pomposamente a data em que, no ano de 2003, o FC Porto inaugurou um novo estádio, baptizado de Dragão. Uma outra ocorrência, contudo, ditou que a efeméride ficasse condenada, pela história, a uma segunda entrada na lista dos acontecimentos relevantes desse dia: aos 74 minutos do jogo, que assinalou o corte da fita, disputado entre o FC Porto e o Barcelona, entrou em campo um menino de apenas 16 anos mais 145 dias. Nas costas da camisola tinha o número 14. O nome, Lionel Messi. Em dia de estreia.
Frank Rijkaard, treinador do Barça, ou José Mourinho, no outro banco técnico, jamais poderiam avaliar, naquela noite, o peso histórico do momento solene. Messi estava a dar ali, em solo português, o primeiro passo de uma caminhada que, passados oitos anos – completam--se na próxima quarta-feira –, haveria de o conduzir ao topo do Mundo, à galeria dos génios do desporto. Pensar que, aos 24 anos, esse trajecto ainda está tão longe do fim, é uma perspectiva aliciante. A história de Messi continua a escrever-se, jogo após jogo, golo após golo, drible após drible.
DE ‘PULGA’ A MONSTRO
Lionel Andrés Messi nasceu em Rosário, Argentina, no dia 24 de Junho de 1987. Começou a jogar futebol aos cinco anos, no Grandoli, clube do bairro dirigido pelo pai. Aos sete anos ingressou nos escalões de formação do Newell’s Old Boys. A sua genialidade a ninguém passava despercebida. Uma técnica excepcional aliada a uma incrível velocidade de execução faziam dele um fenómeno e aos 10 anos o River Plate, um dos ‘tubarões’ do futebol argentino, lança-lhe a rede. Mas eis que surge um dado absolutamente determinante na vida do pequeno Leo, tão pequeno que lhe chamavam ‘La Pulga’ (A Pulga): foi-lhe detectada uma anomalia no desenvolvimento da estrutura óssea, provocado por um baixo nível de hormonas de crescimento.
A patologia tinha tratamento, mas era cara. O pai, metalúrgico, e a mãe, empregada de limpezas em part-time, não podiam suportar os 800 euros mensais pedidos para a cura. O progenitor toma uma decisão: emigrar para Barcelona com a família (mulher e quatro filhos), de onde surge uma oportunidade de trabalho.
Em Espanha, a poeira levantada pela mudança de vida dos Messi assenta no Verão de 2000. Em Setembro, Lionel vai prestar provas ao Barcelona. Carlos Rexach, director técnico, ficou maravilhado. Imediatamente, o clube integra-o nos escalões jovens, assumindo as despesas do tratamento (antes da terapia, Leo media 1,40 metros). Hoje é Messi que retribui, fazendo o Barcelona crescer quase ao ritmo de cada jogo.
A história seguiu o seu rumo. Pelo Barcelona já ganhou tudo. No plano individual, é o melhor jogador do Mundo.
Já agora, o FC Porto venceu o jogo de há oito anos, por 2-0. Golos de Derlei e Hugo Almeida. Um detalhe apenas, nesse dia que marca o ‘nascimento’ de um monstro do futebol.
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