Scott Ross, que esteve ligado à produção de ‘Titanic’, quer que Portugal seja a capital europeia dos efeitos especiais
Scott Ross, produtor responsável pelos efeitos visuais de filmes como ‘O Dia Depois de Amanhã’, ‘X-Men’, ‘Apollo 13’ ou ‘Titanic’, quer montar um estúdio de animação em Portugal. Veio pela primeira vez há cinco anos, para participar na primeira edição do festival de artes digitais de Troia, o Trojan Horse was a Unicorn (THU), e ficou encantado. Agora, anda à procura de parceiros de negócio.
"Fiquei logo fascinado. Pelo sol, as pessoas, o vinho, a atmosfera e a paisagem. E atenção que eu até nem fui a muitos sítios... só conheci Troia e Sintra, mas fiquei apaixonado", conta à ‘Domingo’. Não passou a ser propriamente presença habitual, até porque a sua vida, aos 65 anos, é ainda muito atarefada em Hollywood. Mas fez amigos por cá. Um deles é André Lourenço, o fundador do THU. Scott foi o seu padrinho de casamento e André é agora o embaixador do projeto. Se vir a luz do dia, dará pelo nome de Playground e nele serão criados animação e grafismos para cinema, televisão, jogos de computador e realidade virtual, à semelhança do que Scott Ross faz já há décadas, e com muito sucesso, na sua Digital Domain, a empresa de efeitos visuais que fundou em Hollywood.
"Neste momento, estas áreas representam quase 90 por cento do trabalho no setor cinematográfico", frisa. E esta seria a sua primeira empresa na Europa. Uma casa que conseguisse criar de raiz a sua própria propriedade intelectual, pela mão de artistas altamente criativos e autores especialistas em contar boas histórias.
Mas porquê em Portugal? "Porque além de todas aquelas qualidades que me encantaram, tem uma enorme mais-valia nos tempos que correm: é um sítio onde ainda se pode viver e trabalhar em segurança, pois não está constantemente debaixo da ameaça terrorista. E isto é também muito importante em termos financeiros", explica Scott Ross, numa entrevista via telefone, a partir de Los Angeles.
Portugal poderia até atrair grandes êxitos de bilheteira como ‘Avatar’ ou ‘Minions’ - este último feito em França, por exemplo, em plena crise dos atentados. E se calhasse a Portugal ser o berço de um blockbuster, fosse cinema ou jogos de computador, "todos sairiam a ganhar", garante.
A equipa fixa de Scott Ross neste projeto teria inicialmente entre 15 e 20 pessoas, mas, em fases de produção intensiva, "poderia gerar centenas de empregos locais".
"E isto em termos de empregos diretos. Porque se tivermos em conta o efeito dominó, até mesmo a nível de publicidade, comunicação, transportes, serviços, etc., este número seria muito significativo e importante para Portugal", faz questão de acrescentar.
Por isso, reuniu-se com o secretário de Estado da Inovação, João Vasconcelos, para lhe pedir apoio e também com a Câmara Municipal do Porto, cidade que preferencialmente poderá acolher o Playground. "Lisboa está muito congestionada e precisamos de um aeroporto por perto", explica.
O consagrado produtor norte- -americano procura ainda investidores privados, determinados em apostar numa marca lusa no cinema mundial. Aliás, agora tudo depende disso. Para o projeto arrancar são precisos pelo menos 9,25 milhões de euros para "montar os estúdios, contratar e adquirir os licenciamentos para as adaptações". E um ano mais tarde, quando já estivesse a funcionar em pleno, seriam precisos mais 84 milhões de euros (90 milhões de dólares). Scott Ross reconhece, porém, que "são valores que estão muito distantes da realidade portuguesa". Mas a esperança é a última a morrer.
Uma questão de vontade
Por isso mesmo, o reconhecido produtor norte-americano, de 65 anos, também apresentou o projeto na Irlanda e em Itália, os outros dois candidatos. "A comunidade ainda tem alguma dificuldade em compreender a importância e a mais-valia em termos de lucros das indústrias criativas e deste tipo de investimento. Isto pode ter uma dimensão enorme mas nem todos se apercebem disso", lamenta.
Em Itália e na Irlanda, esse ‘funding’ já está garantido, acrescenta, por seu turno, André Lourenço: "Mas em Portugal ainda não e se calhar vai ser difícil por causa das mentalidades", diz o diretor do THU, lamentando.
Entretanto, dá dois exemplos de como as coisas podem ser feitas: "Houve o caso da Nova Zelândia, onde foi feito o ‘Avatar’, que em parte foi pago com o dinheiro dos contribuintes neozelandeses porque usufruiu de enormes benefícios fiscais. Mas depois o filme rendeu dois mil milhões de dólares e os neozelandeses não ganharam nada. Mas há casos completamente diferentes como o da Finlândia, onde nasceu o ‘Angry Birds’ e onde parte das receitas beneficiou muitos outros projetos do país, inclusivamente ao nível da educação. E essa é precisamente a visão empresarial do Scott", esclarece.
Scott Ross é um dos gigantes de Hollywood. Nascido no Bronx, Nova Iorque, em 1951, era desde pequenino um apaixonado por banda desenhada e histórias fantásticas.
Começou a trabalhar nesta área em 1985, quando dirigiu uma série televisiva (‘Buddy Rich and His Band’). Haveria de chegar rapidamente a Hollywood e à sétima arte, onde é hoje considerado um dos mestres dos efeitos especiais.
Foi CEO da Lucas Film, de George Lucas, que ajudou a fundar e também criou a sua própria companhia de produção e efeitos visuais, a Digital Domain, que assegurou algumas das mais conhecidas e rentáveis grandes produções do cinema americano: ‘Regresso ao Futuro II’ (1989), ‘Titanic’ (1997), ‘Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento’ (1991), ‘O 5º Elemento’ (1997), ‘Star Trek: Nemesis’ (2002) e ‘O Dia Depois de Amanhã’ (2004) foram alguns dos filmes em que assinou os efeitos especiais e com os quais conquistou alguns prémios. Até os Óscares da Academia.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.