Escolha o Correio da Manhã como "Fonte Preferida"
Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.
À primeira vista, Rita Guerra e Cifrão formam um par improvável. Mas há discos que são como a vida – uma caixinha de surpresas. Assim é ‘O Melhor de Rita Guerra – Acústico ao Vivo’, que regista 25 anos de carreira de uma das maiores vozes nacionais e traz o tal dueto, no tema ‘Pormenores sem a Mínima Importância’. A entrevista começou como a parceria: uma inundação no estúdio e a dupla a recordar os percalços da actuação, registada em DVD. Depois, veio a ‘bonança’, a notícia que os precipitou para os braços um do outro em elogios mútuos: o primeiro lugar no top e um disco de platina, ou seja, 20 mil unidades vendidas em menos de um mês.
Cifrão - Quando subo ao palco para cantar uma só música, sabe-me sempre a pouco. Preciso de fazer uns quatro ou cinco temas para retirar satisfação plena. Foi um bocado o que aconteceu quando subi ao palco para cantar contigo: soube a muito pouco. Não te acontece?
Rita Guerra - Também. Às vezes, acabo um concerto de uma hora e meia com vontade de continuar. Quando cantámos juntos, estava nervosa, porque não começou bem: era para ter entrado de lado e acabei por chegar ao palco por cima. E ainda por cima sem luz.
C. - E eu com o braço estendido, para apontar para o lado... 'senhoras e senhores: Rita Guerra...'. É então que o ‘road manager’ me aponta para cima e eu dou meia volta com o braço no ar, até tu apareceres! (risos)
R.G. - Mas foi muito bom... até já repetimos a experiência. Eu curti muito, fartei--me de dançar, que é coisa que nunca faço! É o ‘bichinho’. Tu já andavas a tocar esta música há muito tempo, não era?
C. - Sim, gostei muito dela e costumava fazer sozinho as duas vozes. Mas connosco resultou bem, muito melhor. Houve até um senhor, músico de uma geração bem mais velha, que me disse: ‘viu-o na gala da TVI, a cantar com a Rita Guerra, e devo dar-lhe os parabéns. Afinal você sabe cantar!’. Parece que dei um passo em frente ao teu lado, isto em jeito de agradecimento.
R.G. - Foi porque tiveste uma oportunidade diferente. As pessoas ainda têm muito o preconceito dos ‘boys band’ que, aliás, foi coisa que os D’ZRT nunca foram. O público ainda não te tinha ouvido a ti.
[Via telefone, Rita Guerra recebe a boa nova: 'estás em primeiro lugar do top e já é platina!']
R.G. - IUUUUUPIIIII! Cifrão! Cifrão, o disco está em primeiro. Nem consigo acreditar. Que bom!
C. - Uau! Parabéns. Tu mereces. É plenamente merecido. O que sentes neste momento, quando o resumo da tua vida artística chega ao primeiro lugar do top?
R.G. - É formidável. Ainda nem estou bem em mim. É sinal que evoluí e que as pessoas continuam interessadas na minha carreira. É também o fruto de muito trabalho.
C. - Quantos anos tinhas quando descobriste que sabias cantar?
R.G. - Cinco ou seis anos. Mas os primeiros a descobrir foram os meus pais e a vizinha de cima, porque eu costumava cantar no hall de entrada da moradia.
C. - E o que é que costumavas cantar?
R.G. - Os jingles da televisão – como quase todos os miúdos - as canções do Festival da Canção e o que os meus pais e irmãos ouviam em casa, como Charles Aznavour, Mireille Mathieu, Frank Sinatra, Beatles ou Led Zeppelin.
C. - Qual foi a tua primeira actuação profissional?
R.G. - No clube dos oficiais americanos, na base das Lajes, Açores. Fui para lá viver com 12 anos, porque o meu pai era oficial da Força Área... O responsável pelo clube costumava ouvir-me às escondidas e acabou por convidar-me para lá actuar na festa do Dia da Mãe. Pagou-me 15 dólares, o que na altura era ‘bué’! Fui logo comprar uns ténis da Nike! Quando voltei para o continente, com 16 anos, passei a ter um dia certo, uma vez por semana, no Marquês da Sé, em Lisboa, onde cantava essencialmente ‘covers’.
C. - Viver numa base é muito interessante, é um mundo....
R.G. - Na altura era muito giro para um miúdo viver ali: às 6h00 da manhã tínhamos de estar na porta de armas da base para apanhar a carrinha para irmos para a escola, em Angra do Heroísmo. O autocarro parava em várias terrinhas e aconteciam sempre aventuras: ou havia um burro atravessado na estrada, ou uma derrocada. Na base, jogávamos basquete, bowling – aquilo que hoje são os ‘sundaes’ do McDonald’s já naquela altura havia no clube de bowling dos americanos –, andávamos de bicicleta e tínhamos um ringue de patinagem espectacular e um cinema, para onde íamos à noite.
C. - Sempre foste autodidacta, no sentido de sentires que o teu caminho era algo muito próprio, ou sentiste necessidade de ter formação?
R.G. - Senti ambas as coisas. Ou seja, senti que tinha algumas bases e que o território em que me movia era aquele em que me sentia bem. Mas os meus pais sempre defenderam que eu deveria ter formação clássica, até porque já havia um exemplo na família – sou prima da Maria João Pires. O mais engraçado é que eu dançava e queria mesmo era ser bailarina clássica. O destino decidiu por mim: acabei por descobrir que nunca poderia dançar em sapatilhas de pontas porque tenho um problema nos tornozelos. Optei pela carreira que me dava maior longevidade. Nunca me arrependi. Não quer dizer que não tenha cometido erros mas quando se fazem as coisas com paixão e dedicação é meio caminho andado para correrem bem. Tive aulas de piano vários anos e estudei no Instituto Gregoriano de Lisboa, mas depois a minha vida deu uma volta e tive de deixar... casei, fui mãe, comecei a trabalhar... tornou-se tudo complicado.
C. - Quem te descobriu e como?
R.G.- Trabalhava como recepcionista na Rádio Gest e, entretanto, calhou dizer a alguém que ia cantar num sítio qualquer. Mais tarde, decidiram fazer a festa de aniversário no Casino do Estoril e o Henrique Garcia achou por bem perguntar-me se queria fazer a primeira parte do Adamo, que era o artista convidado da gala.
C. - Ou seja, puseram a recepcionista a fazer a primeira parte!
R.G. - (risos) Foi quase uma brincadeira. Mas a sorte é que o Tozé Brito estava na plateia e agendou uma reunião comigo na antiga Polygram, onde me desafiou para gravar um disco. A minha vida levou uma grande volta nesse dia: antes do final dessa noite, o director artístico do casino convidou-me para ir trabalhar para lá.
C. - Gravaste o teu primeiro álbum em português e o segundo em inglês. Porquê? Estavas a pensar na internacionalização?
R.G.- Nunca senti coragem para sair do meu País. Sempre achei que lá fora existiam ritas guerras aos pontapés, a cantar mil vezes melhor do que eu, que moravam a um quarteirão dos compositores e podiam trabalhar directamente com eles. Nunca tive essa grande aspiração, sempre achei que tinha muito para construir em Portugal. Por outro lado, também já era mãe na altura, o que complicava uma aventura desse género. Nesse disco apenas prevaleceu a influência da música anglo-saxónica, que ouvi toda a vida.
C. - Às vezes, para a internacionalização acontecer, só é preciso estar no sítio certo...
R.G. - Foi o que aconteceu com a minha parceria com o Ronan Keating. Ele viu--me na televisão e quis cantar comigo.
C. - Chegaste a fazer world music e até já cantaste alguns fados. Nunca pensaste em explorar esse caminho a sério?
R.G. - Passei pelo fado há já muitos anos, gravado e ao vivo, com o João Braga, em espectáculos em que interpretava fados da Amália, como o ‘Gaivota’. Certa noite, fiquei nervosíssima porque ela tinha ido assistir. Lá fiquei com o coração apertadíssimo, mas tive a honra de ouvir da boca dela que tinha gostado. Mas nunca explorei isso porque nunca quis correr o risco de alguém dizer: ‘Olha, não foi lá de outra maneira, foi pelo fado’. Se algum dia for lá para fora, será pelo repertório que tenho.
C. - Tens desvarios no palco? Ou seja, momentos em que te deixas levar pelas emoções?
R.G. - Claro que tenho. Já me aconteceu chorar.
C. - E se o dia estiver a ser o pior da tua vida, és apologista da máxima ‘show must go on’?
R.G. - Completamente. É preciso desligar. A música também é terapêutica...
C. - Ter cantado contigo foi das experiências mais enriquecedoras que tive. Esta é a pergunta do ‘discípulo perante o mestre’. Que conselhos tens para me dar?
R.G. - Faz essencialmente aquilo em que acreditas e fá-lo com paixão. Isso é meio caminho andado para que as coisas resultem. Nunca cedi a pressões, nem a modas. Às vezes, dizer que não é mais importante do que estar sempre presente. Quem é genuíno deixa sempre um bocadinho de saudade.
PERFIL
Nascida em Lisboa a 22 de Outubro de 1967, Rita Guerra afirmou-se como uma das mais poderosas e seguras vozes femininas do nosso panorama musical. Já representou Portugal na Eurovisão, gravou com Ronan Keating, cantou 20 anos no Casino do Estoril e tem seis álbuns no currículo.
Aos 29 anos, Vítor Fonseca continua a ser mais conhecido por Cifrão, o nome que o popularizou nos D’ZRT.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.