Alexandre Barata é ator profissional há duas décadas, mas foi o anúncio em que faz de adepto benfiquista a torná-lo conhecido.
Ninguém procurou saber qual era o seu clube quando fez o casting, e Alexandre Barata não teve dúvidas em vestir a camisola encarnada no anúncio que promoveu a entrada da Benfica TV na oferta da Zon. "Dava para perceber que iria mexer com o público", admite o homem de 49 anos, membro da companhia teatral do Fundão e ator profissional há duas décadas, que foi visto milhares de vezes pelos telespectadores a lançar o comando para a água, impedindo a mulher de ver outros canais.
Símbolo de milhões de adeptos ao longo do verão, numa campanha reforçada por Eusébio e Toni, diz que viu o primeiro jogo de futebol da vida no Estádio da Luz. Mas quando se lhe pergunta se é benfiquista, recorre ao "não posso responder à pergunta" comparável à Quinta Emenda da Constituição que permite aos norte-americanos não dizerem nada em tribunal que os possa incriminar.
"Não sou fanático por futebol, nem por clubes. Não é a minha praia. Mas tenho as minhas preferências e a minha dose de paixão", acrescenta quem já se habituou a quem lhe perguntem se conseguiu encontrar o comando, pois não passa despercebido "num meio pequeno, onde toda a gente se conhece". Nem de propósito, as fotografias à porta da Casa do Benfica do Fundão, onde entrou com os repórteres da Domingo, não foram tiradas sem que antes ouvisse elogios de uma transeunte.
NAS COSTAS DO SPORTING
Recebeu a confirmação de que tinha sido escolhido 15 dias depois de atirar uma pedra em vez do comando propriamente dito - ou de um osso, como na cena de ‘2001 - Odisseia no Espaço', de Stanley Kubrick, cuja inspiração foi reforçada pelo uso da música de Richard Strauss no anúncio. Foi a sua estreia na publicidade, provando que compensara responder ao desafio da agência QuickCasting. "Chamam-me regularmente a Lisboa, o que para mim é muito difícil, pois implica uma despesa valente. Os transportes públicos são incompatíveis com estes horários, pelo que tenho de ir de carro", diz, lamentando que "só nas portagens paga-se o mesmo que se pagava de gasolina há alguns anos".
Fez essa viagem na primeira semana de julho, gravando as cenas de exteriores numa herdade em Alcochete, situada atrás da Academia do Sporting, onde Manoel de Oliveira rodou ‘Non, ou a Vã Glória de Mandar'. "Tem rios, lagos com nenúfares, qualquer coisa como 80 mil sobreiros e criação de gado. Lindíssimo", recorda Alexandre Barata, que se divertiu imenso "num dia de trabalho bem passado".
"Atirei o comando umas três ou quatro vezes, mas tinha um fio de nylon para o puxar de volta. Cortei-me, mas o comando não sofreu", graceja o ator, que gravou a cena de interiores - em que deu a resposta: "O comando? Que comando?" - na casa de um antigo guarda-redes do Benfica. "Ele tinha um recanto todo decorado com fotografias e posters, num ambiente de adepto fanático."
PRODUTOR DE PORNOGRAFIA
Apesar do sucesso do anúncio, pelo qual terá recebido poucos milhares de euros (incluindo a campanha de imprensa), não tem recebido novas ofertas de trabalho, estando concentrado na ESTE - Estação Teatral do Fundão, que vai arrancar a temporada em outubro, numa coprodução com o Teatro Municipal de Bragança.
Gravados desde dezembro, mas à espera de um canal capaz de apostar neles, estão dois episódios-piloto da série humorística ‘Plano X', em que Alexandre Barata faz o papel de José Freitas, o dono de uma produtora de audiovisual arruinada que tenta evitar a falência fazendo filmes pornográficos.
"Acaba por ser ainda mais frustrante por todas as opiniões que ouvimos serem muito positivas. As televisões dizem que é muito bom, mas agora a luta é encontrar investidores ou patrocinadores que permitam gravar os 12 episódios", diz quem, tal como o resto do elenco, não recebeu um cêntimo por esse trabalho.
BENFICA E ZON FICARAM SATISFEITOS COM A CAMPANHA
A campanha ‘Preparado para a Odisseia?' teve resultados que agradaram à Zon (que passou a ter a Benfica TV, antes disso já disponível no Meo, como canal premium) e ao Benfica. Contactada pela Domingo, a operadora destacou os "elevados níveis de recordação espontânea" e o "efeito viral entre os fãs de futebol". Por seu lado, o clube realça que "atingiu o público-alvo e outros", contribuindo para adesões ao canal "acima das projeções".
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