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Artigo exclusivo

O poema ensina a cair

Todos sabemos que “a poesia não serve para nada”, mas alguns de nós sabemos que, ao não servir para nada, serve para tudo.

04 de janeiro de 2026 às 00:30

É um verso de Luiza Neto Jorge (1939-1989). Neste país pode faltar tudo (o que comer, onde dormir, onde parir, onde adoecer) mas nunca bons poetas. Nem boa poesia. Isto apesar de vivermos tempos um bocado a dar para o prosaicos. Em boa hora o verso foi recuperado para dar nome ao podcast que Raquel Marinho anima já há uns anitos. Em boa verdade, Raquel não o recuperou, porque o verso não andava perdido. O resto do poema sim, é menos conhecido e, embora pequeno, por não rimar, é menos fácil de decorar. Já o verso agarrou gerações. Ou melhor, amparou. É que “O poema ensina a cair” é todo um programa, toda uma filosofia de vida contida num verso tão breve. Ainda por cima, embora não seja literal (a poesia nunca é para levar à letra), é um verso mais claro do que o habitual. Quem for à procura de aprender a não se magoar quando rebolar no chão talvez seja melhor ir ter aulas de Judo ou Aikido (ou ir para os Comandos), mas até uma criança entende a bonita sabedoria do verso. Isto é, que os poemas não ensinam coisas práticas, tipo apertar um parafuso ou mexer no quadro elétrico sem morrermos eletrocutados, mas que podem ajudar a recuperarmos a sanidade mental num mundo que, esse sim, está mais em queda livre do que a Bolsa de Nova Iorque na grande crise de 1929, aquela em que do dia para a noite se desfizeram fortunas, e milhões foram atirados para o desemprego.

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