Ele nem sequer é muito bonito, mas elas suspiram só de vê-lo passar. São os encantos do Sapo, há nove anos na televisão
A voz de Etta James entoa no televisor um verso conhecido: ‘I don’t want you to be no slave/ I don’t want you to work all day’ [‘Não quero que sejas escravo; Não quero que trabalhes todo o dia’]. A imagem mostra um andaime, uma janela, mulheres em êxtase com uma visão dos céus. A memória não perdoa e então a imaginação pula e avança. Só que desta vez não aparece o bonitão musculado da ‘hora Coca-Cola Light’ mas um sapo endiabrado. E não foi porque a princesa – que neste caso até são cinco, de cortar a respiração, por sinal – se esqueceu de o beijar que o sapo não virou príncipe. Ele é mesmo assim. Simplesmente um sapo endiabrado, no novo anúncio do Sapo Fibra Light.
O sapo, mascote da empresa de telecomunicações homónima desde 2003, já está habituado a recriar a anúncios que fazem parte da memória colectiva: já foi o sapo ‘Ambrósio’ e também o sapo ‘Martini’. Essa é parte da razão do seu sucesso, conforme explica Nuno Peixoto, criativo da empresa de publicidade Normajean, que deu vida a este anúncio: "O revivalismo de anúncios míticos, como este que é mundialmente famoso da ‘hora Coca-Cola Light’, tem sido a mais recente linha de comunicação da Sapo".
A irreverência e a originalidade dão alma à marca: "A piada reside no facto de o sapo fazer coisas que um sapo não faz, o efeito surpresa", assegura.
Pôr o sapo a fazer coisas dignas de homem não é tarefa fácil.
A personagem nasceu da imaginação de Jorge Godinho, antigo director criativo da Normajean, mas foi criado em 3D na Bélgica. Depois, ganhou vida pelo mão do produtor José Neto, da Still Produções, e hoje é animado no Brasil, pela equipa de pós-produção da Casablanca. Para um anúncio de 30 segundos como o do Sapo Fibra Light foi preciso uma semana de trabalho. "O processo de animação começa logo após a aprovação de um off-line (filme sem sapo). São necessárias três a cinco pessoas para trabalhar neste processo de animação, textura e iluminação do sapo, que depois de animado é inserido no filme, através de máquinas de composição de imagem", explica Pedro Neto, da Still.
Quanto ao anúncio propriamente dito, o projecto ‘Sapo Fibra Light’ teve um orçamento aproximado de 150 mil euros, implicou uma semana de ‘brainstorming’ criativo, uma semana de preparação; dois dias de construção dos cenários e adereços; um dia de rodagem e duas semanas de pós-produção. A realização esteve a cargo do belga Manu Coeman.
PREDICADOS FEMININOS
Depois dos encantos do sapo, os olhos fogem para os predicados femininos que também abundam no anúncio, sob a forma de quatro executivas que comparecem para uma reunião e de uma secretária que acabam enlevadas pelo limpa-janelas.
Na vida real, são três modelos internacionais (as brasileiras Daniella Novaes, Fernanda Liz e Brenda Queiroz) e duas recrutadas em Portugal - a ucraniana Kateryna e a bem portuguesa Olívia Ortiz.
Os cento e oitenta centímetros de altura de Fernanda Liz (e uns não menos generosos 90 de busto, 62 de cintura e 93 de anca) obrigaram-na a rodar o minifilme descalça, para que a diferença não sobressaísse. É também ela que tem o maior número de falas, nas quais o sotaque açucarado de São Caetano do Sul, onde nasceu, teve de sumir-se por artes mágicas e mestria de umas quantas repetições.
Foi o segundo anúncio da Sapo que fez e também a segunda vez que esteve em Portugal. "Adorei. Foi uma experiência diferente, apesar de nós, modelos, em todos os anúncios, termos de incorporar uma personagem. Além disso, foi bom retornar a Lisboa." Aos 22 anos, vive em São Paulo mas está de malas aviadas para Nova Iorque, onde ficará sob a tutela da prestigiada Next Models durante três meses a fotografar outras campanhas.
A outra loira do anúncio é Daniella Novaes, 23 anos, nascida e criada em São Paulo, que veio a Portugal divertir-se à grande com o sapo. "Foi sobretudo muito divertido. Tínhamos de imaginar um homem muito bonito e exagerar nas caras e bocas! A profissão de modelo requer também esse lado de actriz."
Daniella já conhecia Portugal como a palma das mãos. Viveu três meses em Lisboa (2008) e nessa altura protagonizou algumas das maiores campanhas do ano: El Corte Inglés, Azeite Gallo, Mimosa, Mitsubishi, Clarks, etc.
O cachet das modelos para este anúncio variou dos três mil aos cinco mil euros, mas Daniella exalta outras qualidades na profissão: "As novidades dos lugares e das pessoas."
Por cá, o sapo arrebatou ainda a ruivíssima Kateryna Savchenko, que se sentou no posto de secretária. Aos 28 anos, Kateryna quase sempre se dividiu entre a moda e o curso de marketing e comunicação. Mesmo em Milão, onde viveu um ano, exerceu ambas as profissões. No dia da rodagem não parou: das 07h00 da manhã até à noitinha "sempre a olhar para um sapo que nem sequer era muito bonitinho…", brinca.
Mas a verdadeira fibra deste anúncio é Olívia Ortiz, um das mais requisitadas modelos portuguesas do momento. Ela é uma das meninas Triumph (ao lado de Luísa Beirão e Andreia Rodrigues) e deu que falar quando assinou um contrato ‘milionário’ com a TW Steel no valor de 25 mil euros.
É caso para dizer que mais vale tarde do que nunca no caso desta morena curvilínea nascida "acidentalmente" em Paris que só começou a ser modelo aos 23 anos. Antes andou ocupada a tirar o curso de fisioterapia. "Quando nos dedicamos a uma coisa devemos fazê-lo a cem por cento", justifica. Com esse mesmo espírito lançou olhares apaixonados a um boneco de peluche que um técnico fazia subir e descer para que olhassem todas na mesma direcção. Logo no casting adivinhou o que a esperava, quando, ao som de ‘I Just Want to Make Love to You’, lhe pediram para esboçar caras de puro prazer…
NOTAS
TRUQUE I
Fernanda Liz, a mais alta das manequins (1,80 cm), teve de filmar descalça.
TRUQUE II
Assistente fez subir e descer um peluche para que todas olhassem na mesma direcção.
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