Nova versão do clássico da comédia troca o sporting pelos leões de Alcochete. Mas mantém a louca viagem por causa de um jogo.
António Silva deu um pontapé na mesa de jantar ao imaginar o golo de Peyroteo no Campo da Constituição, após a bola passar por Jesus Correia, Vasques, Albano e Travassos, os outros quatro ‘violinos’ do Sporting. Assim foi no primeiro ‘O Leão da Estrela’, que estreou em 1947, mas Miguel Guilherme só conta com Divanei na nova versão, que chega a 65 salas de cinema na quinta-feira.
"Só tenho mal a dizer do Divanei. Não consegue marcar", admite o ator de 57 anos à ‘Domingo’, encarnando por momentos o fanático adepto Anastácio, nova ‘herança’ de António Silva, após o Evaristo da nova versão de ‘O Pátio das Cantigas’ – o filme nacional mais visto desde que há estatísticas oficiais, ultrapassando os 600 mil espectadores – e antes do Caetano de ‘A Canção de Lisboa’, prestes a iniciar a rodagem, e que chega no verão de 2016.
A dependência em relação a Divanei, avançado brasileiro (interpretado pelo guineense Welket Bungué) que recupera da pubalgia enquanto trabalha como operador de caixa num minimercado, tem explicação: Leonel Vieira, produtor e realizador do novo ‘O Leão da Estrela’, substituiu a visita do Sporting ao FC Porto por uma deslocação dos Leões de Alcochete ao estádio do Barrancos do Inferno, no Alentejo profundo. Estes clubes fictícios são rivais numa competição nunca nomeada, mas que só poderá ser o Campeonato Nacional de Seniores, terceiro escalão do futebol português.
"Quis que o filme deixasse de ser uma guerra Norte-Sul, entre FC Porto e Sporting. Sou do Norte, vivo em Lisboa, e não é uma dicotomia que, para mim, faça sentido. Não gosto dessas guerras no futebol e não vou trazê-las para o cinema. A primeira decisão ao adaptar o filme foi transformá-los em clubes da Liga dos Últimos", explica Leonel Vieira, de 46 anos, que na semana passada apontou o objetivo mínimo de atrair acima de 200 mil espectadores às salas de cinema, embora espere ir muito mais além com um filme que acredita ter ficado "um grau acima de ‘O Pátio das Cantigas’".
Responsável pela adaptação do clássico da comédia portuguesa, o argumentista Tiago R. Santos, de 39 anos, diz que pretendeu "recuperar o espírito de 1947, quando o futebol era mais bairrista e pessoal". Excluídos foram o FC Porto, Sporting e Benfica, ainda que a academia do clube de Alvalade seja em Alcochete e o Estádio da Luz tenha a alcunha de Inferno, e o protagonista do filme admita, entre risos, que "toda a gente conhece os Leões de Alcochete e o Barrancos do Inferno". Que, por acaso, equipam de verde e de encarnado.
Comédia de enganos
Apesar das diferenças quanto aos clubes, este ‘O Leão da Estrela’ coincide num ponto fulcral com o filme de 1947. Também aqui a viagem de uma família, arrastada pelo fanatismo do pai, é o tiro de partida para uma comédia de enganos. "O mais importante nesta história é como eles mentem. Instalam-se na casa de umas pessoas e fazem-se passar por ricos", diz Leonel Vieira.
Com o automóvel condenado a longa estadia na garagem devido à junção de um volante e de um smartphone nas mãos da sua filha Joana (Sara Matos), Anastácio vai para o Alentejo num táxi conduzido pelo mecânico Miguel (Aldo Lima), apaixonado por Rosa (Dânia Neto), uma sobrinha da família alcochetense que terá de fingir ser a criada. E ainda Clara (Manuela Couto) e Branca (Ana Varela), mulher e filha do protagonista, que alinham no plano de se fazerem convidados no monte alentejano do casal Barata (José Raposo e Alexandra Lencastre), pais de Eduardo (André Nunes), por sua vez amigo no Facebook de Joana, mais conhecida por Jujú.
Entre a loucura que marca o filme, nenhuma vai tão longe quanto a da Rosa de Dânia Neto, transformada em ‘criada cantora’ apesar de ter mais talento a esvaziar garrafas de gin do que a limpar ou cozinhar. "Esta personagem não tem limites em nada do que diz ou do que faz. Não tem filtro", diz a atriz de 32 anos, cuja segunda Rosa – a primeira, em ‘O Pátio das Cantigas’ era de poucas palavras – submete o Miguel de Aldo Lima a uma relação poliamorosa sem que ele saiba o que isso é.
Novidades na família
Com um elenco mais reduzido, ‘O Leão da Estrela’ trouxe vantagens para quem o produziu. "Foi muito mais tranquilo fazer este filme. O outro era como estar no circo, com animais e tudo, no bom sentido", garante Leonel Vieira, que acolheu novos atores no seio da ‘família’ que criara. "Eles já vinham com uma grande alavancagem, o que só foi produtivo para mim", diz Ana Varela, que foi o "contraponto de toda a loucura", enquanto o também estreante André Nunes ainda visitou a rodagem de ‘O Pátio das Cantigas’, deixando-se conquistar pelo guião de ‘O Leão da Estrela’: "Li o texto inteiro com vontade. Cheguei ao fim e fiquei mesmo contente."
"A comédia é sempre bem- -vinda. É como um copo de água quando se tem sede", afirma Aldo Lima, enquanto José Raposo desabafa que "isto de os cómicos e de a comédia serem algo menor nunca fez sentido para mim". Depois de a primeira adaptação ter resultado nas bilheteiras, nas quais ‘O Pátio das Cantigas’ amealhou mais do que o milhão de euros de orçamento, ‘O Leão da Estrela’ está a quatro dias do supremo teste, aguardado com expectativa pelos seus criadores. "Quando vais ver um filme que escreveste, e a sala está cheia, num drama não há reação física, mas numa comédia, se ninguém ri, sabes que fizeste porcaria", reconhece Tiago R. Santos.
Com o arranque de ‘A Canção de Lisboa’ dependente do casting de atores brasileiros, Miguel Guilherme já só pensa na nova versão da "obra-prima da comédia", que encerra a trilogia de que é o principal rosto. "Hoje tenho a certeza de que valeu a pena", diz.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.