Uma dúzia de profissionais juntou-se para fazer uma campanha destinada a não deixar esquecer o jovem desaparecido em 1998
Lembra-se dos últimos anos com o seu filho?" A pergunta, que tem uma resposta pronta e natural para a maioria dos pais, é feita por Paulo Pires e Ana Padrão num vídeo que será inserido na Internet nesta terça-feira (e que pode ver no final do texto), para assinalar o dia do 27º aniversário de Rui Pedro Teixeira Mendonça, desaparecido desde 4 de março de 1998, quando tinha apenas 11 anos.
Durante breves segundos, os dois atores convidam quem estiver a ver o vídeo a pensar em "dias cheios de acontecimentos" e os "anos cheios de novidades, surpresas, gargalhadas e travessuras", até que Paulo Pires repete a pergunta: "Lembra-se dos últimos anos com o seu filho?" É então que aparece no ecrã Filomena Mendonça, a mulher que os portugueses conhecem devido à forma incansável como, ao longo dos últimos 16 anos, tenta encontrar o filho mais velho. E ela responde, com algumas pausas e absoluta convicção: "Eu não. O Pedro faz hoje 27 anos. Não o vejo desde os 11. Nunca vou desistir de o procurar."
Voltam então Paulo Pires, que apela ao contacto de quem tenha informações sobre Rui Pedro, e Ana Padrão, a quem cabe lembrar: "Nunca é tarde para ajudar. Foi o filho da Filomena, mas podia ter sido o seu."
TRABALHO VOLUNTÁRIO
Para que este vídeo exista e para que seja divulgado - já se encontra online ‘Lembra-se?', uma página comunitária do Facebook que reúne vídeos e notícias sobre crianças desaparecidas -, foi necessário o trabalho de uma dúzia de profissionais do audiovisual e da comunicação. Todos se ofereceram como voluntários quando foram abordados pela realizadora Claudia Clemente, que teve a ideia de aproveitar as redes sociais para divulgar a mensagem de que Rui Pedro não foi esquecido e que continua a ser procurado, 16 anos depois.
Após um primeiro contacto com a Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas, foi possível chegar à fala, em meados de novembro do ano passado, com a irmã mais nova de Rui Pedro, a médica Carina Mendonça. Esta nada disse aos pais até ter a certeza de que a campanha online avançaria, e a gravação do depoimento de Filomena só decorreu há poucos dias.
"Agradecemos imenso aos jornais e às televisões por divulgarem o caso do meu irmão, mas faltava-nos um meio de divulgação que fosse para lá das fronteiras de Portugal", disse Carina Mendonça à Domingo, sublinhando o interesse da sua família num vídeo que se torne viral, permitindo que pessoas em qualquer parte do Mundo possam ver a história e o rosto de Rui Pedro.
A esperança de que o jovem possa regressar à família serviu de motivação aos responsáveis pela campanha. "Gostaríamos muito de chegar a alguém que o tenha visto. Quanto mais pessoas conseguirmos alcançar com esta mensagem, maior é a probabilidade de que alguém possa dar alguma informação que nos possa levar a encontrá-lo", reforça Claudia Clemente, autora dos textos lidos para a câmara pelos atores e pela mãe do jovem. A gravação de Filomena Mendonça decorreu em sua casa e o resultado final foi "muito sentido, emotivo e o mais curto possível". "Foi muito duro filmá-la. Era uma violência muito grande pedir-lhe para fazer aquele apelo. Mas foi necessário", explica a realizadora.
CONTRA O TRÁFICO
O "lembra-se dos últimos anos com o seu filho?" da campanha nasceu de um ‘brainstorming', e foi encarado como a melhor forma de fazer passar uma mensagem "sucinta e que pudesse chegar diretamente ao coração das pessoas". Até porque a condenação do camionista Afonso Dias por rapto (ver caixa), anunciada pela Relação do Porto precisamente 15 anos depois de a família ter visto o menino pela última vez, pode criar a ilusão de que está resolvido tudo o que resolvido poderia estar. "Isto não vai estar concluído até o Pedro aparecer ou até haver mais pistas", garante Carina Mendonça.
Além de procurar novas pistas quanto ao paradeiro de Rui Pedro - no vídeo aparecem os endereços de correio eletrónico da diretoria do Norte da Polícia Judiciária e da Associação Portuguesa das Crianças Desaparecidas - e de contribuir para que o caso do jovem não caia no esquecimento, esta campanha denuncia o tráfico de menores para fins sexuais.
Este fenómeno é grave ao ponto de três milhões de crianças serem vítimas de rapto todos os anos. Só em Portugal há mais de seis dezenas de crianças e menores desaparecidos, quase todos casos menos mediáticos do que o de Rui Pedro ou de Madeleine McCann, a menina inglesa desaparecida em 2007, num aldeamento turístico na Praia da Luz, junto à cidade algarvia de Faro.
"É preciso agitar as águas. Não podemos ficar de braços cruzados e só preocuparmo-nos se nos toca diretamente. Aquilo que toca a uma mãe, toca a todas as mães. Para mim, não faz sentido pensar de outra forma", conclui Claudia Clemente.
(Vídeo da campanha publicado no Youtube)
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