Às vezes sabe-se desde cedo para o que se nasce. Caso desta jovem de 18 anos. Enquanto as amigas da escola queriam trabalhar em consultórios ou escolas, Erica sonhava com as câmaras dos filmes porno.
O baptismo é recente e não houve padrinhos que atestassem a cerimónia. Erica Fontes, que contou com o ouvido para escolher o nome artístico – que a identifica como a mais nova estrela do cinema pornográfico português –, acredita que a estreia será, ainda assim, abençoada. Para trás ficou um outro qualquer nome. "Erica Fontes gosto muito, tem mais a ver comigo, e, acima de tudo, acho que soa mesmo bem."
A resolução de, em tudo o que à profissão se refere, ‘encostar’ a certidão de BI – a mesma que confirma os seus 18 anos de vida – não terá sido tomada de ânimo leve, pelo menos a julgar pela forma como habitualmente decide. "Penso bastante antes de avançar para qualquer coisa. E penso em qualquer sítio, até no centro comercial enquanto estou às compras." Já a escolha da carreira, ao contrário da do ‘pseudónimo’, não passou por tão apertado escrutínio – nunca duvidou do caminho. "Nasci para isto e sempre soube que um dia seria actriz de entretenimento para adultos."
É difícil para Erica situar a antiguidade de tal vontade. Tão complicado como repescar na memória outros sonhos que não este. "Era tão normal para mim querer isto como as outras meninas terem o sonho de serem professoras ou dentistas." Ela nunca quis arrancar dentes alheios, mas não deixa de ser curioso que no filme ‘O Diário Sexual de Maria’ ela seja precisamente... a secretária da dentista. A Óscar Rosmano, realizador, não restam dúvidas de que fez a escolha acertada para o papel.
"Quando a Hot Gold me enviou as fotos da Erica, na altura dos castings, quis logo encontrar-me com ela. Assim que vi a naturalidade com que ficou nua à frente da câmara, sem corar, sem ficar apavorada como tantas outras, eu disse logo: esta rapariga tem de entrar no meu filme. E não podia estar mais certo, porque a Erica nem parecia uma estreante, esteve desde o início muito segura."
SONHO ANTIGO
Profissão à parte, a verdade é que o interesse pela pornografia cedo despertou. Poderá ter sido através dos filmes que espreitava às escondidas, "apesar de os adultos dizerem ‘não é para ti, é para maiores de 18’" – a confissão é o mais próximo de uma referência a familiares. "Os adolescentes arranjam sempre forma de conseguir ver. Vi muitas vezes em casa, sozinha, filmes que descobria na internet. E também me juntava com amigos."
Tinha 14 anos quando se aventurou na clandestina espreitadela de cambalhotas de terceiros e, confirma, ficou imediatamente fã. "Já não recordo o primeiro que vi, também porque depois desse vieram muitos. Mas sempre gostei dos filmes para adultos com história, sem ser só aquela coisa do toma lá, dá cá". A precocidade com que se iniciou na indústria, ainda que do lado do espectador, fará mossa a muitos ouvidos mas a explicação sai sem rodeios.
"Esta mentalidade vem de mim mesma, e acredite que não tem nada a ver com a educação. Veio comigo, como com outras pessoas vem a homossexualidade, a bissexualidade, vem incluído no pacote, é um extra." A genética familiar só terá entrado em conta na elegância que lhe veste o corpo. "Sempre fui magra, mas isso é uma herança." A sorte está do lado dela porque, apesar da predilecção por "chocolates, sobremesas" e demais doces, não prejudica a figura. Talvez porque compense com sopas caseiras, feitas pela própria mão, e "uma alimentação que tenta ser equilibrada".
Os excessos não entram no prato mas espreguiçam-se na frontalidade. "Sempre tive noção de que era mais liberal do que as miúdas da minha idade, que falava de sexo com muito mais naturalidade do que toda a gente. Notava isso nas aulas da escola em que se dava o corpo humano, por exemplo em Ciências: tinha dúvidas e perguntava, nunca tive vergonha." É portanto quase certo que tenha feito corar muitas almas juvenis em tempo de aulas. "Sempre fui assim, e na altura o que queria era esclarecer as minhas dúvidas." Ao contrário do que se possa pensar, nenhum rapaz mais afoito aproveitou para pedir conselhos à menina sem tabus que nunca repetiu um ano e tinha na Psicologia a disciplina favorita.
"Sentiam-se intimidados." E, garante a ‘coqueluche’ do canal Hot, também não haveria uma especial inclinação para ela em detrimento das amigas. "Não posso dizer que era a rapariga popular da escola, aquela coisa de entrar e todos olharem para mim. Ainda hoje sou assim." Até há poucos dias o anonimato escondia-lhe os passos e ajudava-a a passar despercebida. "Há dias em que gosto que me olhem na rua, outros não. Sou uma mulher como as outras, depende do estado de espírito." Tão igual, acrescentamos, que não se livrou da dianteira paixão.
"O primeiro romance foi aquela coisinha de miúda, a entrar na adolescência, devia ter uns 11, 12 anos. Foi nessa altura que dei o meu primeiro beijo." Dessa primeira incursão no território dos afectos Erica não guarda o sabor. "Há raparigas que lembram o dia, a hora, os minutos em que deram o primeiro beijo. Eu não." Da primeira relação sexual fecha-se em copas mais cerradas. "Foi mais ou menos na altura em que as outras miúdas perderam também a virgindade, não acho que tenha sido cedo de mais."
Do momento recorda "o nervosismo" da novidade. "Não sei se posso dizer que quero ser actriz de cinema para adultos desde essa altura, porque a verdade é que sempre fui solta. Mas se calhar fez-me ter mais vontade, mais curiosidade, mais interesse na matéria." As visitas às sex-shops também faziam, pontualmente, parte do itinerário da então estudante de liceu.
"Lembro-me que as pessoas do balcão estranhavam por me ver entrar, por ser mulher e tão nova, mas nunca tive problemas. Adorava mexer nas roupas, perceber como aquelas coisas funcionavam. Não ia comprar, ia só ver." Cedo passou a acumular os seus próprios brinquedos de eleição, quando já longe iam os tempos da menina que fazia ballet em frente ao espelho, na infância. "Qual é a mulher que não tem?" Arredados da conversa ficam os segredos do consumo. No ar deixa a vontade de experimentar as múltiplas possibilidades que ainda tem para conhecer no que toca aos gadgets eróticos do mercado.
"Ainda sou muito nova e tenho a certeza de que vou descobrir outros que se adequam a mim. É preciso experimentar para saber os objectos que têm mais a ver connosco. No rol dos planos de futuro escrevem-se muitas outras ambições. "Sucesso, muitos filmes, sessões fotográficas e muitas palmas." Some-se a isso as viagens que planeia fazer. "Apesar de ter viajado pouco, em Espanha, Alentejo e Algarve, gosto muito; esses pequenos sítios, por mais que não tenham sido longe, mostraram-me que me sinto feliz a passear." Nas saídas à noite também é peixe na água.
"Gosto de receber os amigos em casa mas prefiro sair. Adoro dançar, gosto de quizombas, apesar de não ser uma especialista. A sorte é que é o homem que dá o passo, a mulher só tem de acompanhar." Já se viu que pés pesados estão fora das preferências de Erica. E, fique a saber-se, num homem, qualidades como "o respeito pelos outros, a simpatia e a mente aberta, com quem seja fácil ter uma conversa fluida, sem preconceitos", também são requisitos de empatia. Brad Pitt é beleza de eleição no que toca ao grande ecrã mas nem por sombras tem inveja de Jolie. "É uma grande actriz."
Dela quer que um dia digam algo semelhante. "Quando me perguntam porque é que me meti nisto, digo: o meu corpo é o meu objecto, e com ele toco as notas que quiser." A polémica que a sinfonia possa causar, "por Portugal ainda não ter uma mentalidade muito aberta", não a atrapalha. "Não é por isso que me vou modificar." Se não fosse actriz para adultos "estaria ligada à estética ou às massagens". Mas então não se chamaria Erica Fontes. E, não tem dúvidas, este nome soa mesmo, mesmo bem.
VETERANA CONTRACENA COM ESTREANTE
A estreante Erica Fontes e Ana Monte-Real [com mais experiência] são as duas primeiras actrizes com as quais o canal Hotgold celebrou contratos de exclusividade para participação nas produções. A quantia envolvida fica no segredo dos deuses mas o sorriso de Erica denuncia satisfação. Em ‘Diário Sexual de Maria’, onde Erica interpreta a secretária de uma dentista, a jovem, de 18 anos, contracenou com o também estreante Ângelo Ferro.
"É uma rapariga bonita, simpática, e foi fácil contracenar com ela, teve uma prestação muito profissional. Já nos conhecíamos antes, de outros caminhos, mas não sei se foi mais fácil ou difícil por esse motivo, porque esta foi a nossa primeira vez." O orgulho de serem os pioneiros é evidente em ambos. "Vamos abrir caminho."
"SILVIA SAINT COMEÇOU MUITO NOVA TAL COMO EU"
Silvia Saint é uma actriz de filmes pornográficos de origem checa. De família humilde, começou a sua carreira como modelo de roupa interior. É ela o ídolo de Erica Fontes na indústria internacional de pornografia. "Sempre a admirei e acho engraçado porque ela começou muito nova, como eu, e hoje é considerada uma estrela. É uma mulher com postura, que sabe falar, sabe estar, e isso fascina-me."
De facto, Silvia conheceu a fama e foi mesmo considerada uma revelação – principalmente graças às suas exibições acrobáticas. Erica, tal como Silvia, também fez uma incursão pela moda, "mas não era aquilo que eu queria", e em shows de grande sensualidade na noite lisboeta.
PERFIL
Erica Fontes nasceu em Lisboa há 18 anos. Concluiu o 12.º ano e estreia hoje no Hot o seu primeiro papel. Adora filmes de terror e, quando não fala de sexo, debate moda, cabelo, maquilhagem e cremes.
NOTAS
PORTUGAL
Um dos marcos em Portugal é o filme ‘Fim-de-Semana Lusitano’, de Manuel Chilombo, de 1997.
SÁ LEÃO
Sá Leão é a figura mais emblemática da indústria em Portugal. Realizou vários filmes.
RECORDE
‘Garganta Funda’, de 1972, EUA, é o filme porno mais rentável da História. A protagonista foi Linda Lovelace.
MILHÕES
‘Pirates 2, Stagnetti’s Revenge’ custou 6,5 milhões de euros. Foi o filme porno mais caro.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.