O que Gisela quer é cantar e sentir a música, seja de que estilo for. Se mandasse no País, era garantido que muita coisa ia mudar, mas se falasse com deus era capaz de lhe dar uma "coisinha má".
Nasceu em Barcelos a 6 de Novembro de 1983, Começou a interessar-se pelo fado com oito anos quando ouviu pela primeira vez o tema ‘Que Deus me Perdoe', na voz de Amália Rodrigues. Com 16 anos, Gisela foi cantar para a Adega Lusitana, em Barcelos. Depois rumou ao Porto para estudar design, mas rapidamente começou a cantar na casa de fados Sr. Vinho, em Lisboa, com a bênção de Maria da Fé.
A primeira aparição musical de Gisela João em disco surge em 2009 com a banda Atlantihda. Depois foi convidada para participar num disco de Fernando Alvim e passou igualmente pelo cinema no filme ‘O Grande Kilapy' (2012), onde fazia o papel de... fadista. Helder Moutinho, fadista e empresário, ouviu-a e percebeu que tinha muito mais para dar. O álbum de estreia, homónimo, chegou em 2013 e entrou logo para o primeiro lugar do top dos mais vendidos. Um disco tradicional, mas com novos arranjos e surpresas: como ‘Casa da Mariquinhas', com letra de Capicua, rapper do Porto. No dia 22 atua na Casa da Música, no Porto, e a 25 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em concertos já esgotados.
Nasceu e cresceu em Barcelos, cantou fado no Porto. Nunca se sentiu peixe fora de água?
a) Nunca. Desde o dia, ainda na escola primária, em que ouvi Amália Rodrigues cantar ‘Que Deus me Perdoe'
b) Em Lisboa é que me sinto um peixe fora de água...
c) E só por causa disso queriam que cantasse o quê? O hino dos Super Dragões?
d) Outra hipótese: Só me senti peixe fora de água durante a adaptação. Acontece a todos, acho eu...
Apesar de ser uma genuína mulher do Norte, odeia...
a) Os martelinhos
b) As tripas
Ainda sobre as mulheres do Norte, Miguel Esteves Cardoso escreveu que "têm belezas perigosas, olhos impossíveis. Têm o ar de quem pertence a si pró-pria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam (...). As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm ar de que sabem o que estão a fazer". Se a Gisela mandasse neste país...
a) Ai, muita coisa ia mudar
b) Acho que fugia logo
c) Convidava os Obama para um concerto meu
Tem uma guitarra portuguesa tatuada num braço porque...
a) Não é para tocar de certeza! Eu só toco campainhas
b) Gosto de tatuagens e como canto fado achei que tinha tudo a ver comigo
c) Tenho outras, mas não vou dizer onde...
d) Outra hipótese: A guitarra portuguesa é linda
É a mais velha de sete irmãos. Isso é...
a) Uma casa sempre cheia. Há sempre gente a rir, a chorar, a fazer birra, a cantar...
b) Uma grande responsabilidade. Sendo a mais velha tenho de dar o exemplo. E tomar conta deles todos
c) Uma trabalheira para os meus pais
Os elogios que tem recebido desde que lançou o seu primeiro disco provocam-lhe...
a) Arrepios na espinha
b) Espanto
c) Eu não quero saber de elogios e de conversas. Quero dar música às pessoas
d) Outra hipótese: Felicidade, espanto, alegria, medo, responsabilidade e vontade de cantar mais e mais porque é o que quero fazer: cantar para as pessoas
Estudou design até que começou a cantar fado no Sr. Vinho e chegou a número um dos tops. O que mudou no seu quotidiano?
a) Agora viajo mais, sobretudo para o estrangeiro
b) Não mudou nada. Continuo a beber cimbalinos, a cantar quando estou sozinha em casa e a malhar finos pela cidade
c)Continuo a ser a mesma miúda
É fã de música house. Não é pouco condizente com o fado?
a) Música é sempre música. A ideia é senti-la e os nossos estados de espírito são tantos...
b) Também tenho necessidade de arejar e respirar fora da caixa
c) Agora já não tenho tempo para ir a discotecas
Porque demorou três anos a editar o primeiro disco?
a) Porque ainda não me sentia preparada
b) Não queria que o disco fosse uma mentira e que as pessoas se sentissem defraudadas
c) Tinha de ser algo que eu sentisse como natural e que visse com orgulho. Fazeras coisas bem demora sempre mais tempo do que se espera...
A entrevista que a jornalista Judite Sousa lhe fez foi muito comentada pela forma como foi tratada. O que recorda daquele momento?
b) Ela andava a passar uma má fase. Ela própria o disse
c) Por mim correu muito bem. Eu estava felicíssima
Morria e encontrava Deus. O que lhe diria?
a) Uau! Afinal, existes?
b) Agora é que me vai dar uma coisinha má...
c) Posso voltar para a Terra?
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