Há 14 anos um libidinoso e provocador descruzar de pernas deixou meio mundo com os olhos a saltarem das órbitas, pregados ao grande ecrã. Em quase todas as salas de cinema, do Japão ao Alasca, as mulheres roíam-se de inveja, os homens salivavam de desejo, tal a força daquela cena passada num interrogatório policial que ficará para a eternidade nos anais do cinema erótico.
A bela, perigosa e loiríssima Catherine Davis Tramell fazia esquecer por momentos personagens famosas dos filmes ‘para adultos que os adolescentes também já podem ver’, como a Elizabeth de ‘Nove Semanas e Meia’, a Emily Reed de ‘Orquídea Selvagem’ ou a Alex Forrest de ‘Atracção Fatal’. E, por arrasto, Kim Basinger, Carré Otis e Glenn Close, actrizes que, por esta mesma ordem, lhes vestiram a pele.
Sharon Stone era a mulher por trás de Catherine Tramell. Oriunda de Meadville, cidadezinha da Pensilvânia, deixava assim o anonimato a que tinha sido votada em filmes menores, aos quais o grande público jamais prestara atenção.
‘Instinto fatal’, o filme de tanto alarido, vinha embrulhado numa história assustadora, contada através da lente de Paul Verhoeven: Johnny Boz, ex-estrela rock e dono de um clube nocturno, havia sido encontrado morto na cama, perfurado com um picador de gelo após desenfreada sessão de sexo. Destacado para o caso, o detective Nick Curran apontava como principal suspeita uma escritora que num dos romances descrevera um assassínio tal qual aquele. Com o passado marcado pela droga e pelo álcool, Nick não resistiria à tentação de se enamorar pela mulher errada.
Como noutros policiais, a narrativa deixava em aberto a hipótese de continuação, desde logo porque a pérfida e sensual vilã conseguia escapar ao cerco que supostamente a deveria levar à cadeia.
"NÃO É UMA SEQUELA TÍPICA"
‘Instinto Fatal 2’ não é uma sequela típica. Primeiro porque aparece numa altura em que muitos já julgavam que os 48 anos de Sharon Stone iriam ser um entrave ao desempenho. Puro engano, comprovará o espectador a partir da próxima quinta-feira, quando se sentar na cadeira do cinema à espera de ver alguns minutos de acção na horizontal. Segundo, porque a actriz norte-americana viu-se obrigada a ir aos tribunais travar uma complicada batalha legal para conseguir os direitos de produção da película, conseguindo finalmente que o projecto visse a luz do dia.
No meio da confusão houve ainda a ‘novela Michael Douglas’, que após muita especulação acabou por ficar fora do elenco. Fará sentido um segundo filme sem ele? A questão ecoa entre muitos cinéfilos. David Morrissey responde ao emparelhar com Sharon Stone em ‘Instinto Fatal 2’, onde desempenha o papel de Michael Glass, conceituado psiquiatra londrino que no auge da carreira é convidado pela Scotland Yard a avaliar o estado mental de Catherine Tramell.
A sedutora psicopata trocara a Califórnia pela capital inglesa, vendo-se agora envolvida na misteriosa morte de uma estrela do desporto. Entre os dois vai surgir um jogo de morte e sedução onde se torna complicado descobrir quem é o manipulador e o manipulado.
Nas últimas semanas Sharon Stone tem andado numa roda viva para promover a sequela. Nas antestreias em algumas capitais europeias - com Lisboa fora do roteiro -, uns trapinhos reveladores colados ao corpo fazem furor, revelando que perto de apagar 50 velas ainda está aí para as curvas.
A promoção não é recente. Há alguns meses, a actriz norte-americana revelava alto e bom som: “Na altura em que o filme sair terei 48 anos. Quero que a nudez seja feita de uma forma completamente aberta e desavergonhada. Quero que seja muito masculina, e quero que a audiência tenha um momento em que perceba que ela está nua e que tem mais de 40 anos, porque não costumamos ver isso nos filmes.”
Insinuações à parte, a história deu um trabalhão na mesa de montagem, onde foram cortadas algumas cenas de fazer corar as pedras da calçada, entre as quais um ‘ménage á trois’, uma orgia e um encontro sexual no escritório. Afinal, Sharon está quase à beira do meio século, e já tem fama e fortuna, não precisa de dar o corpo ao manifesto. Ou precisa só um bocadinho.
‘Instinto fatal 2’
Género: Policial
Realização: Michael Caton-Jones
Actores: Sharon Stone
David Morrissey
Charlotte Rampling
Classificação: três estrelas
- Há uma extensa lista de actores que chegaram a ser apontados como parceiros da actriz norte-americana no filme. Robert Downey Jr. falhou porque por essa altura foi acusado de posse de droga; Kurt Russel recusou por não se sentir bem com a nudez; Pierce Brosnan seguiu-lhe os passos devido a achar que a película tinha elementos detestáveis. Benjamin Bratt viu-se afastado pela própria Sharon Stone, que o considera mau actor.
- David Cronenberg chegou a ser apontado como realizador escolhido para rodar ‘Instinto Fatal 2’, mas consta que Sharon Stone se opôs a essa decisão. E levou a melhor.
- Segundo os números revelados recentemente, a continuação de ‘Instinto Fatal’ custou à volta de 70 milhões de dólares.
- No início da produção, Sharon Stone chegou a recusar o papel, com os produtores a apontarem desde logo duas possíveis substitutas para encarnarem a pérfida Catherine Tramell: Demi Moore e Ashley Judd.
- A conceituada actriz acabou por aceitar o desafio após um acordo ‘pay or play’, ou seja, sendo paga de imediato na totalidade, independentemente de o filme ver, ou não, a luz do dia.
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