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Artigo exclusivo

Sobre estar metido consigo mesmo

Na altura sabíamos ler, dividir orações, comentar e anotar a lápis nas margens.

04 de janeiro de 2026 às 00:30

Quando o velho Doutor Homem, meu pai, queria dar o exemplo de alguém demasiado metido consigo mesmo mencionava o tio Henrique. O antigo oficial superior da arma de engenharia nos sertões de Angola, onde se ocupou da construção de pontes e estradas em redor da praça de Moçâmedes, decidiu a certa altura da sua vida trancar-se nas colinas verdejantes de Arcos de Valdevez de onde só saía muito raramente, quando era convocado pela tia Benedita para o tradicional almoço anual da família, em Ponte de Lima. Seja como for, toda a família, a começar pelo velho Doutor Homem, meu pai, tinha pelo Tio Henrique – e pela Tia Florbela – uma ternura condescendente e amável. Ele fazia parte daquele número de pessoas que só por casualidade habitava o nosso planeta. A Tia Benedita gostava de tê-lo à mesa nessas ocasiões, mas sentava-o a uma certa distância para não ter de falar de velharias ou de tomar conhecimento de actualizações necrológicas – e acenava-lhe com discrição.

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