A Costa Oeste nacional poderia ter sido o hino dos Beach Boys ao Surf. O nosso País está na moda
O surf é o único desporto que deixa o País três dias à espera. Até que, sábado, dia 13, às 08h15, à primeira chamada para a praia de Supertubos, Peniche, aparecem, vindas do nada, 40 mil pessoas para assistir ao arranque do Rip Curl Pro Portugal, a oitava prova do circuito mundial – uma imagem quase de estádio de futebol. E não são a onda hippie ou endinheirada que há 40 anos ‘descobriu’ as ondas da linha do Estoril – é muito mais. O surf movimenta hoje 300 milhões de euros por ano em Portugal.
"Quando este desporto chegou ao nosso país, os impactos económicos duplicavam a cada dois anos. Actualmente, duplicam em 5-6 anos" – estima Pedro Bicudo, presidente da SOS Surf, que está a desenvolver o estudo ‘Value of Waves’ ( ‘Valor das Ondas’) em parceria com a Universidade Nova de Lisboa. Em 2009 – diz o investigador –, o valor económico do surf rondava os 100 a 200 milhões de euros.
"Supertubos, em dias como este, é uma das ondas mais divertidas que temos no Tour e com o público logo ali à tua frente. Parece que estás a interagir com eles dentro de água. É um local espectacular" – elogiou o norte-americano Kelly Slater (11 vezes campeão mundial).E foi este apoio entusiasta que recebeu Tiago ‘Saca’ Pires dentro e fora de água, mesmo depois de ter sido eliminado.
SURF POTENCIA TURISMO
Para Pedro Bicudo, o surf é o maior potenciador de crescimento do nosso turismo. "As taxas de crescimento têm sido elevadas. E vão continuar a ser durante uns anos", considera. Segundo Francisco Rodrigues, da Associação Nacional de Surfistas (ANS), uma sondagem da Marktest/Surf Portugal estima em 200 mil o número de praticantes de surf em Portugal, em 2011. "O surf é o desporto mais praticado, a seguir ao futebol."
Portugal tem ondas o ano inteiro. E ondas de classe mundial na Ericeira, Peniche, Nazaré, Figueira da Foz e Sagres ou nas ilhas, na Ribeira Grande, em São Miguel, Açores, e no Jardim do Mar, na Madeira. Toda a costa Oeste ganha economicamente, mas é na região da Grande Lisboa – Costa da Caparica e Linha do Estoril – que o surf tem maior procura.
O turismo ganha uma larga fatia dos 300 milhões gerados. E cerca de 100 milhões vão para a indústria do surf: vestuário, essencialmente; pranchas; aulas de surf.
Nuno Telmo, um dos mentores da Surftechnique – uma escola para atletas de alta competição –, reconhece a importância do ensino. "Quando comecei a surfar, ia para o mar e nem sabia o que estava a fazer. Hoje as escolas dão todas as bases." Nuno estima que em quatro anos o número de escolas tenha duplicado. Cada aula custa em média 20 euros. "O ensino é um muito bom negócio. Eu, pelo menos, faço o que quero e gosto", diz o treinador.
O NEGÓCIO DA COMPETIÇÃO
A Surftechnique faz também a ligação entre patrocinadores e atletas – neste caso, alguns dos mais promissores, como Vasco Ribeiro, José Ferreira, Francisco Alves, Maria Abecassis, Francisca Pereira dos Santos e Constança Coutinho. "Não é fácil arranjar patrocinadores e ainda pior na actual conjuntura", explica Nuno Telmo. Mas os principais são a Quiksilver, Billabong, Rip Curl, Hurley, Volcom e Deeply – que pertence ao grupo Sonae. Fora do negócio do surf, a publicidade tem interessado à PT, TMN, Moche e Ford.
Aos surfistas "é-lhes atribuído um orçamento anual [através dos vários patrocínios] para fazer face às despesas", explica João Capucho, antigo presidente da ANS. É preciso 10 a 20 mil euros para participar nos campeonatos nacionais e no circuito profissional júnior – onde se incluem cerca de 20 atletas portugueses; 50 a 100 mil para entrar nos campeonatos nacionais e no circuito de qualificação internacional – com cerca de cinco atletas nacionais; e 400 a 600 mil euros para entrar no World Tour – onde só Tiago Pires chegou. "Só a qualificação para o mundial custa cerca de 80 mil euros por ano. Se acreditarmos que um atleta precisa de cinco épocas para se qualificar [como aconteceu com Tiago Pires], não são menos de 400 mil euros" – explica João Capucho.
"Em Portugal, temos cinco surfistas pagos na ordem de administradores de grandes empresas", afirma Francisco Rodrigues, escusando-se a avançar valores. Várias fontes indicam que Tiago ‘Saca’ Pires terá um orçamento anual na ordem dos 900 mil euros, para pagar despesas, como alojamento, deslocações, preparação física, treinos, equipamento e honorários. De fora ficam os prémios.
Segundo a Association of Surfing Professionals (ASP), organizadora do circuito mundial, ‘Saca’ já ganhou este ano 51 mil euros de prémios e, em toda a carreira, mais de 500 mil. No topo está Kelly Slater, com 2,58 milhões de euros ganhos. Carlos Mariano, da Federação Portuguesa de Surf, explica que valores desta ordem são representativos do poder económico dos patrocinadores, da importância da modalidade e do impacto económico do surf.
Entre as promessas nacionais, Vasco Ribeiro, de 17 anos, tem um orçamento de 50 mil euros. O mesmo valor que José Ferreira e Frederico Morais.
Ao nível amador, é tudo bem mais simples. Com 200 a 250 euros já se compra uma prancha e um fato de surf. E mesmo as pranchas fabricadas em Portugal, pela Polen ou pela Semente, apesar de mais caras, não chegam a valores exorbitantes.
Miguel Katzenstein, sócio da Semente, na Ericeira, vende as suas pranchas a uma média de 400 euros, com "margens de lucro mínimas". Ainda assim, o negócio já cresceu 5 a 10% por ano" para uma marca que fabrica anualmente 1000 pranchas (30% para exportação). Quem compra? A maioria é um público masculino dos 20 aos 30 anos – mas há cada vez mais mulheres a praticar.
O SUCESSO DE PENICHE, ‘CAPITAL DA ONDA'
Os impactos económicos globais da edição de 2010 do Rip Curl Pro, em Peniche, que recebeu 120 mil pessoas, foram de 7,1 milhões de euros, revela um estudo da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche. João Paulo, coordenador deste trabalho, explica que "poucos serão os eventos em Portugal com este impacto". Já o presidente da Região de Turismo do Oeste, António Carneiro, destaca "o impacto promocional, muito importante para o turismo da região".
Por seu turno, o presidente da Câmara de Peniche, António José Correia, estima que a edição deste ano da oitava prova do circuito mundial de surf tenha chamado 160 mil pessoas. "As indicações que temos é de que os hotéis estão cheios", adiantando ainda que Peniche está a crescer na sua capacidade hoteleira, com novos projectos a surgir.
Em 2010, segundo o estudo de João Paulo, o público permaneceu em média cinco dias na ‘Capital da Onda’, gastando uma média de 189 euros por pessoa. O turismo garantiu 4 milhões de euros. As despesas da organização e da imprensa elevaram a despesa para 7,1 milhões.
NOTAS
TURISMO
Os parques naturais são as zonas de maior potencial de crescimento turístico associado ao surf.
'SACA'
Tiago ‘Saca’ Pires terá um orçamento anual de 900 mil euros. Já recebeu 500 mil em prémios de carreira.
PRÉMIO
A Liga Meo Pro Surf é a maior competição nacional, com 25 mil euros de prémio acessíveis ao top 8 masculino e top 4 feminino.
SURFISTAS
O número de surfistas no Mundo passou de 26 para 35 milhões entre 2001 e 2011, segundo a ‘Economist’. Em Portugal são mais de 200 mil.
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