Escritor e jornalista da CMTV inspirou-se nos acontecimento da segunda metade do século XVIII.
1 / 2
Com uma carreira literária de 20 anos, 16 livros publicados para adultos e quatro para crianças, Tiago Rebelo é um dos nomes seguros da atual geração de autores. ‘A Maldição do Marquês’ (Edições Asa) é o seu mais recente livro, um romance histórico que começa com o terramoto de 1755 para depois levar os leitores a viajar pela realidade política e social da segunda metade do século XVIII.
A história continua a seduzi-lo para escrever. Porquê?
Este período é especialmente rico em acontecimentos e personagens. Foi isso que o atraiu?É um período que foi particularmente difícil para Portugal, mas também de grandes desafios. A segunda metade do século XVIII é toda dominada pelos efeitos do terramoto que destruiu Lisboa – e não só, pois as consequências foram até ao Algarve -, teve efeitos a outros níveis e o debate estendeu-se por toda a Europa.
Mas o livro não fica apenas por aí, pelo terramoto. O livro tem personagens muito concretas (uma delas é o Marquês de Pombal) e essas personagens passam e influenciam uma parte dos acontecimentos do século XVIII português.
Ainda que não seja sobre o terramoto, é incrível como um acontecimento já tão distante continua a emocionar-nos tanto…
Sim. Foi um acontecimento que, pode dizer-se, marcou o País até hoje. Não só pela gravidade daquilo que aconteceu, mas sobretudo pela mudança total que se operou depois no País. As grandes repercussões do terramoto foram sobretudo a nível social e económico. Aliás, podemos dizer que há um Portugal antes do terramoto e um Portugal depois do terramoto.
Fazer este livro implicou mais pesquisa do que os livros anteriores?
A pesquisa foi muito trabalhosa. Esta é uma época que está muito retratada, mas embora haja muitas fontes, muitos relatos não só daquela época como dos vários acontecimentos políticos do século XVIII, isso torna tudo mais fácil por um lado, mas também obriga a um estudo muito grande.
Enquanto escrevia este livro tinha permanentemente quase dez livros abertos espalhados pela secretária. Talvez tenha sido o mas trabalhoso neste aspeto.
A história dá a rampa de lançamento para um livro, mas, de vez em quando, não espartilha o caminho que quer dar às personagens?
Não muito. Há personagens – como foi o caso do Marquês de Pombal – que têm uma história muito bem definida, que não posso mudar.
O grande desafio passa por encaixar a minha própria história. Porque embora seja tudo baseado em factos verídicos não deixa de ser uma obra romanceada e tem o desafio adicional: tu não conseguires dizer sequer, se não conheceres bem a história, distinguir quais as personagens que existiram mesmo ou aquelas que foram criadas pelo autor.
Que ingredientes deste livro destacaria?
A época é tão interessante e tão importante para Portugal... só o facto de sabermos que estamos a falar de uma época com tanta ação, tão rica e, ao mesmo tempo, tão romântica, é o suficiente para atrair o leitor e dar-lhe vontade de saber mais, de viajar até aquela época, mas também de passar um momento agradável a ler.
Tem livros muito diferentes uns dos outros. Acha que atraem perfis diferentes de público?
Não tenho muito bem a noção disso, mas acredito que talvez não sejam públicos tão diferentes assim. Também não me preocupo muito com isso.
A razão é que eu gosto de variar de estilo. Há livros que são um desafio maior, de maior responsabilidade, e depois há outros que gosto mais de ir escrevendo ao sabor da história, mais livremente, e sem aquela complicação de pesquisa que os livros históricos obrigam.
São 20 anos de livros. Está sempre a escrever?
Já tive alguns períodos menos produtivos, mas a vontade de escrever volta sempre e por isso acabo por estar sempre a escrever. Mas já tive alguns períodos de pausa, é verdade. O maior desafio do escritor não é escrever, é arranjar uma boa história! Uma história que interesse às pessoas, que elas gostem de ler e que prenda a atenção do leitor.
Desafio que vai sempre convocá-lo, certamente….
Acho que sim… Não estou a fazer planos, mas acho que vai haver sempre mais um livro.
Os seus livros já estão traduzidos em várias línguas e são editados em vários países além-fronteiras. Como tem sido o contacto com o público internacional? É diferente do português?
Confesso que não tenho tido muitas oportunidades para viajar e para estabelecer esse contacto mais próximo com outros públicos, mas, por exemplo, o último livro que publiquei no estrangeiro, no México, foi ‘O Homem Escandaloso’ e, na altura, fizemos uma sessão a partir do Skype e foi muito interessante – engraçado até – sentir que do outro lado do Mundo havia tanta gente interessada em saber coisas sobre um escritor do qual até então nunca tinham, muito provavelmente, ouvido falar.
Não que tenha sido uma conversa muito profunda, mas foi muito interessante. Além disso, a ideia de ter livros por aí, espalhados pelo Mundo, é muito motivadora e leva-nos a querer fazer mais, produzir mais, porque o objetivo do escritor é sempre esse: que o leiam.
Qual a coisa mais bonita (ou mais curiosa) que já lhe disseram sobre a sua escrita e sobre os seus livros?
As pessoas escrevem-me ou comentam às vezes à minha frente se gostaram ou não gostaram, mas assim… nada de especial.
O que sente de cada vez que põe um livro cá fora?
É o culminar de um projeto que demora muitos meses a escrever. Todos os dias se escreve mais umas páginas e sinto que muitas vezes a história vai-se escrevendo por si própria... ganha vida. Nós escrevemos também para ver como é que a história vai acabar. Já me aconteceu achar que a história ia acabar de uma determinada maneira, mas depois acabou de outra totalmente diferente!
É um bocado como a vida: nós às vezes fazemos também grandes planos para a vida e ela segue um caminho totalmente diferente. Um livro também é assim, como a vida: escreve-se e surpreende-nos. De maneira que, quando se põe um ponto final, é sempre um grande momento.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.