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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

UM PADRE PESCADOR

Começou a pescar lampreia aos seis anos. Mais tarde tornou-se padre, mas os estudos pagou-os com o dinheiro da pesca. Hoje é um especialista

24 de janeiro de 2003 às 20:23

Chama-se Américo da Rocha Alves, tem 56 anos, é pescador de lampreias há 50 e padre há 31. Foi “chamado” pelo rio Minho muito antes de ouvir a voz de Deus. Com apenas seis anos, já acompanhava o pai na pesca da lampreia.

Como não há amor como o primeiro, o tempo que lhe sobra dos trabalhos paroquiais e das aulas de português que lecciona na Escola Secundária de Monção, passa-o ao leme do seu barco. Conhece o rio como a palma das mãos e é por muitos considerado como o melhor pescador de lampreia da região. “É só fama, mas sem proveito”, brinca.

Não sabe se já pescou mais lampreias ou almas para Deus. Mas, quanto a lampreias, “já foram certamente uns milhares”. “Faço isto pelo prazer, pela intimidade com a natureza e pelo constante desafio que a própria natureza nos coloca.”

O padre Américo assegura que nunca chegou tarde a uma Missa por causa da pesca. Mas grande parte dos seus estudos, feitos no seminário de Braga, foi paga com o dinheiro da venda das lampreias do Minho.

Franzino, mas lesto e destemido, Américo troca as voltas às violentas correntes. Este ano, garante, a coisa não está famosa. O que vale é que, para além da lampreia, o rio Minho tem sável e salmão. Graças a Deus.

NA ROTA DA LAMPREIA

De Norte a Sul do País, não faltam restaurantes especializados na confecção da lampreia. Em Entre-os-Rios, as duas formas mais conhecidas de confeccioná-la são à bordalesa ou com arroz malandro. Na Vila de Monção, o “santuário” da lampreia em Portugal, a iguaria tem outro sabor, graças às águas frias do rio Minho e ao facto de ser “bem batidinha”, porque é caçada depois de ‘remar’ contra a corrente desde a foz, em Caminha, até às terras de Deu-la-deu. Em Penacova, a lampreia é rainha num festival gastronómico, a realizar-se entre 22 e 23 de Fevereiro. Em Sever do Vouga, a “lampreia à bordalesa” é estufada, ainda com as ovas, e servida em tostas de pão, acompanhadas com arroz branco. Em Castro Marim, o ciclóstomo é pescado nas águas frias da ribeira de Odeleite. Fique com algumas sugestões de restaurantes:

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