Quando todos os rumores o davam como perdido para a música, depois de dez anos de silêncio discográfico, eis o regresso de David Bowie.<br/>
Com o lançamento do single ‘Where Are We Now’, a preparar terreno para ‘The Next Day’ com edição anunciada para 11 de março, é todo um mundo de rumores e mitos urbanos, alimentados por anos de silêncio e aparições titubeantes, que se desmorona: afinal Bowie está vivo e operacional! Dos velhos heróis do rock que o novo milénio ornou com a aura de lenda viva, carregando a patine de sobreviventes que outrora era apenas apanágio de bluesmen e jazzmen – Bob Dylan, Neil Young, Leonard Cohen, Keith Richards, Iggy Pop, Lou Reed, John Cale… –, apenas David Bowie parecia condenado ao silêncio desde que, em 2004, na sequência dos problemas cardíacos que obrigaram à interrupção da sua apresentação no Festival Hurricane, na Alemanha, a digressão de promoção ao álbum ‘Reality’, lançado no ano anterior, fora subitamente cancelada.
De então para cá as suas aparições foram muito esporádicas – duas fugazes presenças em palco com os Arcade Fire, uma outra com David Gilmour e uma quarta com Alicia Keys, todas em 2006, para além de pequenas colaborações, entre 2004 e 2007, para bandas sonoras, anúncios e discos dos TV On The Radio e Scarlett Johanson –, nutrindo todo um manancial de zunzuns sobre o seu estado de saúde. As últimas notícias davam-no como sofrendo de Alzheimer, o que o impediria de se lembrar das canções ou mesmo de ter consciência que estava em cena – e eram ilustradas com histórias de que no dia tal, com a banda x, teria subido ao palco e ficado por lá, a deambular, sem cantar, esquecido do que fora fazer…
NADA A PROVAR
É assim tempo de pôr fim à mitologia urbana de um Bowie fantasmagórico, perdido nos labirintos da memória. De resto, ele já nada tem a provar depois da sua pertinência criativa ter escrito algumas das mais belas páginas da história da música popular. No caso de Bowie, essa pertinência centrou-se principalmente nos anos 70 do século passado, com álbuns decisivos e imprescindíveis em qualquer discografia que se preze, a começar pelas últimas obras-primas que compôs, os dois primeiros tomos da sua gélida e minimalista trilogia berlinense, ‘Low’ e ‘Heroes’, editados em 1977.
Um ano particularmente criativo, que daria azo a dois outros discos fundamentais com a mão de Bowie: ‘The Idiot’ e ‘Lust For Life’, de Iggy Pop. Mas se o início da trilogia berlinense foi um apogeu, já anteriormente Bowie tinha assinado marcos incontornáveis, como ‘Young Americans’, em 1975, onde reencarna magistralmente o soul de Filadélfia numa visão que chamaria de plastic soul, ou ‘Hunky Dory’ (1971), ‘Ziggy Stardust’ (1972) e ‘Aladdin Sane’ (1973) que, a par dos T.Rex de Marc Bolan, criariam os fundamentos do glam rock. Por fim refira-se o disco de 1970 – ‘The Man Who Sold the World’ –, com acentos de folk psicadélico, que foi a sua primeira obra-prima.
Disco: ‘Where Are We Now’
Autor: David Bowie
Editora: ISO
LIVRO: ‘MULHER ILUSTRADA’
O agora publicado segundo livro da autora de ‘Exercícios para Endurecimento de Lágrimas’ (2010) é um reencontro com a sua poesia depurada, em confronto com a ausência e com a nostalgia que se desprende de um quotidiano desabitado. Primeira publicação de uma nova editora coimbrã, de que se saúda o arrojo e o bom gosto.
Autora: Maria Sousa
Editora: Do lado esquerdo
FILME: ‘DJANGO LIBERTADO’
Ao oitavo filme Tarantino atira-se ao género mais consolidado do cinema, a ponto de convocar um nome lendário do western spaghetti para o título e para a personagem principal. O velho Oeste, filmado sob a perspectiva do racismo e onde o amor substitui a vingança, acaba por surgir como algo novo e indiscutivelmente Tarantino.
Realizador: Quetin Tarantino
Em exibição nos cinemas
EXPOSIÇÃO: ‘UM, DOIS E MUITOS’
Um olhar sobre a obra da autora em três espaços distintos: um sonoro, onde a imagem se forma na escuta a partir da memória e da imaginação, outro fílmico, onde 16 vozes carregam Nietzsche pela Arrábida, e outro pictórico, onde auto-retratos dialogam com a intimidade de Maria Ondina Braga.
Autora: Marta wengorovius
Local: Galeria da Universidade - Museu Nogueira da Silva, Braga
FUGIR DE...
DAN WELLS
‘Não Sou Um Serial Killer’ encena um adolescente que luta contra as suas tendências psicopatas e que descobre que afinal o demónio do assassínio está nos outros e que só ele o poderá parar libertando as suas inclinações tão arduamente reprimidas… Se lhe juntarem o cenário da funerária familiar têm o contexto desta narrativa doentia e alarve cuja tradução portuguesa a Contraponto pôs à venda.
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