Prometeu bofetadas, acabou pontapeado do governo. O filho de mário, que nunca pisou o palácio com o pai em Belém, Não tem freio na língua. pistachos e cervejas na esplanada aprovada nos tempos em que era autarca de lisboa é o seu céu. a morte viu-a por causa das simpatias pela unita. Não confirma mas também não desmente que é sua a pena de Hans Nurlufts, o erótico que escreveu: “Pero sólo en barcelona surgió la oportunidad de que me abriese tranquilamen-te sus bellas piernas”
Não gosta de ser posto em causa, de perguntas ou de ouvir. É capaz de colocar amigos competentes em situações periclitantes. O político que acabou com as barracas em Lisboa deu barraca ao escrever no Facebook que esbofeteava dois colunistas. Demitiu-se após ter sido repreendido, ou mesmo demitido indirectamente, por António Costa. Quem conhece João Barroso Soares, e são muitos, sabe que a pancadaria não faz o seu género - é o primeiro a fugir. Gosta, ou precisa de ser, o centro da atenção, o condutor da conversa e não é novidade nenhuma de que não digere bem a crítica. As palmadas oferecidas à cara de Augusto M. Seabra e de Vasco Pulido Valente são fruto da provável insolência. Mesmo com a fama e quiçá pouco proveito de ser menino do papá, simpático é o adjectivo que lhe dá a vizinhança do seu bairro. Mas não será este menino a suceder o papá na Fundação, assunto quente no seio da família socialista, nem ele quer.
A distância que vai da sua casa à Assembleia da República é ridícula. Talvez sejam os quilos a mais devido ao tabaco que já não fuma, as pernas já não chegam para a pequena subida e precisam de uma lambreta. Os intervalos da política, maiores do que automóveis estupendos, preenchem-se nas imediações, na Praça das Flores, no Pão de Canela, a pastelaria alcunhada ‘PC’, que se tornou, desde há muito, no quartel-general de João Soares, o tal que deu o braço aos comunistas para a subida à Câmara de Lisboa.
As duas esplanadas no PC das Flores, conseguidas nos anos da presidência da Câmara de Lisboa, ou o corte de trânsito que mandou fazer à volta da praça não confirmam, naturalmente, mas servem de inspiração para linguarudos. Três vezes ao dia, pelo menos, ali o encontramos. Tremoços, amendoins e pistachos constituem o seu céu, sobretudo se os salgados forem acompanhados por imperiais – bebe no máximo três. Há ocasiões em que o Jameson passa a perna à cevada fermentada. Noutras ocasiões, a ementa só por si chega; perdiz estufada ou pescadinhas de rabo na boca. Já o robalo, que é grelhado como deve ser, encontra-se noutro mar, no concelho das Caldas da Rainha, onde o avô paterno e os pais foram proprietários da colónia de férias do Colégio Moderno, que existiu na Foz do Arelho, até aos anos 60.
Acidente e diamantes
Completará 67 anos a 29 de Agosto. Não podemos esquecer que a data de nascimento de uma pessoa não se resume ao dia em que viu a luz pela primeira vez. João Soares, Rui Gomes da Silva, José Luís Nogueira de Brito e Gepperth Rainer, cidadão alemão, renasceram a 26 de Setembro de 1989. Na Jamba, cidadela da UNITA, os três deputados e o membro da Fundação Hans Seidel sofreram um gravíssimo acidente de aviação, quando regressavam do congresso extraordinário da UNITA, na Jamba, para ir a uma reunião com Sam Nujoma, líder da SWAPO na Namíbia. Ninguém morreu. O além estava lotado. O comandante António Homem de Gouveia, à época assessor naval da Casa Militar do Presidente da República Mário Soares, encontrava- -se na conferência a convite do delegado da UNITA em Portugal, e a título pessoal, recorda as palavras que ouviu de Jonas Savimbi: " Não diga nada a ninguém; o avião caiu e o filho do presidente está muito mal".
Na estrada alcatroada com embondeiros dos lados, apelidada pista de aterragem, o Cessna, que fora registado na Suazilândia e pilotado pelo seu respectivo dono, Joaquim Silva Augusto, homem muitíssimo abastado, espatifa-se de cabeça. Depois de os feridos terem passado por um hospital subterrâneo, seriam transferidos para Pretória, e nessa viagem feita a baixa altitude, para evitar a descompressão, acompanhava-os o médico Carlos Morgado, o enfermeiro Assis Adelino e, a pedido de Savimbi, Homem de Gouveia. "O João Soares por duas ou três vezes passou para o outro lado." O ex-comandante do Navio Escola Sagres não quer dizer o que realmente fez para evitar a morada celestial do amigo: respiração boca a boca a João Soares. Prefere dizer que o doutor Morgado suplantou o impossível: procedeu a uma transfusão sanguínea do seu próprio sangue para não deixar que o lado de lá fosse definitivo. "João Soares, em termos físicos, é uma força da natureza", realça Nogueira de Brito.
Sobre o que se contava, na altura, e ainda agora, "Diamantes? Não os vi. Marfim? Não haveria espaço; a avioneta era pequena e vinha lotada". No dia a seguir à tragédia, a empresa sul-africana difundia: "O avião do senhor Augusto foi forçado a aterrar, logo após a descolagem, por causa da excessiva carga de marfim que transportava". Um jornal da Namíbia daria detalhe curioso: "Não foi permitido o contacto dos jornalistas com os feridos, incluindo o senhor Augusto". Barnard Hennie, o advogado, acabaria por corroborar à imprensa o transporte habitual: "o camião apreendido com uma carga de marfim avaliada em 3,5 milhões de rands é propriedade do senhor Augusto mas ele não tem culpa que andem a usar os seus camiões para fins ilegais".
A ilegalidade assentava na frota de alimentos para a UNITA, sendo que os camiões regressavam carregados de marfim e madeira. Os diamantes e a droga viajavam de avião. Um artigo de Marinho e Pinto, em tempos idos, não ofertava piedade: "A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levadas a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi". Hoje em dia, o ex-bastonário "não escrevia esse texto. Mudou o contexto, eu próprio mudei", mas continua a querer entender o que considera estranho: "Não percebo as ligações da família Soares com a UNITA".
Isaac Wambembe, ex-representante da UNITA em Portugal, José Manuel Torres Couto, fundador da UGT e o actual director do Centro Cultural de Belém, Elísio Summavielle, integram, ao que consta, a mesma loja maçónica - ‘União e Simpatia’ - de João Soares, que, desde Abril de 1974, pertence ao Grande Oriente Lusitano. Tido como um bom recrutador, é um maçon que não sorri aos paramentos, por conseguinte, aventais e luvas vão, tal como as tias de Vasco Santana, para trás. Quando participa nos trabalhos da loja, o que rareia, leva o colar de Rosa Cruz que pertencia ao seu avô, João Lopes Soares.
Coincidências eróticas
Do colégio Moderno não obtivemos respostas. A directora, Isabel Soares, sua irmã, possui "uma agenda preenchida". A infância dos meninos Soares preencheu-se e seriamente pela ausência de Mário Soares, que ora estava preso, ora exilado. A mãe equilibrou os afectos. Muitos apostam que este filho vive à sombra do pai, outros fazem por livrá-lo do rótulo, mas sem jeitinho nenhum: "Quando o Dr. Mário Soares exerceu o cargo de Presidente da República, o João Soares nunca foi ao palácio de Belém". Quando o pai se zangou com Victor Cunha Rego, sócio de João Soares na editora Perspectivas & Realidades, a sociedade manteve-se intacta.
Enquanto o pai Mário foi secretário-geral do PS, o filho João editava livros. Depois, muito depois, a seguir à derrota do terceiro mandato camarário, escreveu um livro que reunia artigos publicados no Diário de Notícias e duas obras em espanhol e em inglês, assinadas por Hans Nurlufts, com peculiar aptidão para a literatura erótica - "Pero sólo en Barcelona surgió la oportunidad de que me abriese tranquilamente sus bellas piernas y que me dejase admirar su coño", excerto de ‘El Síndrome de la Hormiga" - e por John Sowinds, autor de ‘Vidigueira, a brief álbum’. João Soares não confirma os pseudónimos, mas também não os desmente . No caso do livro de contos ‘El Síndrome de la Hormiga’, a fotografia na contracapa, nem a de um gémeo verdadeiro reuniria tais parecenças. Para não falar das coincidências biográficas , nomeadamente o conto sobre Angola ou aquele outro que fala da paixão entre o narrador e Núria, na cidade belga de Liége.
Na altura do divórcio com Maria Olímpia, de quem tem duas filhas e um filho, as coisas andaram em mar revolto. O amor vinha precisamente da Bélgica, Annick Burhenne. O nome do primogénito do casal lembra homenagem a Jonas Savimbi. O social-democrata Rui Gomes da Silva, benfiquista de alma toda, leva, e com gosto, o pequeno Jonas ao estádio da Luz.
Para o alfaiate Islam, com casa aberta nas redondezas da Fundação Soares, o cliente que lhe pede arranjos de costura continua ministro. "Só digo que ele é simpático, mais não digo porque Dr. João Soares está no ministério". Não está, já não está. "Impossível".
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