Combustíveis disparam com petróleo em máximos em pleno impasse na guerra no Médio Oriente
Gasóleo vai subir nove cêntimos e meio na bomba e a gasolina seis cêntimos.
O preço dos combustíveis vai disparar a partir de segunda-feira nos postos de abastecimento em Portugal, num contexto em que o impasse na guerra no Médio Oriente fez escalar o custo do barril de petróleo para o valor mais elevado desde 2022. Na próxima semana, o gasóleo vai subir nove cêntimos e meio, passando a rondar os 2,050 euros por litro na bomba. A gasolina, por sua vez, deverá aumentar seis cêntimos, para 1,990 euros por litro.
Com estas mexidas, um depósito de 50 litros de gasóleo vai custar 102,50 euros. Já um depósito de 50 litros de gasolina vai rondar os 99,50 euros, a partir de segunda-feira.
Estes valores já têm em conta a redução extraordinária do ISP pelo Governo, com um efeito cumulativo a cada semana. Segundo o ministério das Finanças, somando o corte temporário no ISP aos descontos que já estavam em vigor antes do conflito, a poupança real acumulada para os consumidores é de 19,9 cêntimos por litro na gasolina e de 18,8 cêntimos por litro no gasóleo.
Fruto do impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão para um acordo de paz e enquanto o estreito de Ormuz continua bloqueado, o barril de Brent atingiu os 126 dólares, o valor mais elevado desde 2022, aquando da invasão da Ucrânia pela Rússia. Desde o início da guerra, no final de fevereiro, quando negociava em torno dos 70 dólares, o preço do barril de Brent já disparou cerca de 80%. Ainda na quinta-feira o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, reiterou que “o mundo enfrenta a mais grave crise energética da história”.
Trump ameaça retirar tropas da Alemanha
Donald Trump ameaçou na quinta-feira reduzir o número de militares americanos estacionados na Alemanha, numa aparente reação às declarações do chanceler Friedrich Merz, que disse esta semana que os EUA estão a ser “humilhados” pelo Irão. “Estamos a estudar uma possível redução de tropas na Alemanha, e uma decisão deverá ser tomada muito em breve”, anunciou o Presidente dos EUA. Merz recusou comentar diretamente a ameaça de Trump, tendo apelado a uma “parceria transatlântica fiável”, enquanto a UE lembrou que a presença de tropas americanas na Europa “também interessa aos EUA”.
EUA avaliam novas opções militares
O Comando Central dos EUA entregou a Trump planos para uma vaga “curta e poderosa” de novos ataques contra o Irão para tentar forçar o regime de Teerão a negociar. Segundo o site ‘Axios’, entre as opções em cima da mesa estará a tomada parcial do estreito de Ormuz, o que envolveria o envio de forças terrestres.
E TAMBÉM
Mojtaba Khamenei
O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, garantiu, na quinta-feira, que Teerão vai proteger as suas “capacidades nucleares e balísticas” como um ativo nacional. Na mensagem, lida por um apresentador da TV estatal, Khamenei diz ainda que o lugar dos que cobiçam o estreito de Ormuz “é no fundo do mar”.
25 mil milhões
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, revelou no Congresso que a guerra contra o Irão já custou 25 mil milhões de dólares (21,3 mil milhões de euros).
EUA fora do golfo
O presidente do Parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, garantiu também na quinta-feira que o controlo iraniano do estreito de Ormuz irá garantir um futuro “livre da presença e da interferência da América” na região do Médio Oriente.
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