Estado perde mais de mil milhões com combustível clandestino
Petrolíferas garantem que preços não descem nos postos por causa da cotação dos produtos refinados. Cálculos apontam para mais de 17 mil camiões-cisterna em 2025 com produtos não declarados.
A importação não declarada de gasóleo e gasolina terá gerado perdas fiscais de 1122 milhões de euros entre 2023 e 2025, segundo um estudo apresentado ontem pela associação Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol) . À margem do evento, a Epcol rejeitou que a evolução dos preços nos postos resulte de aumento de margens do setor, atribuindo-a antes à evolução internacional dos produtos refinados.
“Não é devido ao comportamento dos agentes nacionais no mercado que os preços não estão a descer com o ritmo que todos nós desejaríamos que descessem”, afirmou António Comprido, presidente da Epcol. Relativamente ao combustível não declarado, só em 2025 terá ascendido a 553 milhões de litros, o equivalente a 17 276 camiões-cisterna, já que se trata apenas de transporte terrestre. A perda de receitas de ISP e de IVA tem vindo a aumentar de ano para ano, tendo atingido o valor mais elevado no ano passado: quase 400 milhões de euros, de acordo com o estudo ‘Irregularidades Operacionais e Regulatórias no Sistema Petrolífero Nacional’. No total dos três anos, o Estado terá perdido mais de 700 milhões de euros em ISP e cerca de 418 milhões de euros em IVA.
“Este crescimento sustentado sugere que o fenómeno não resulta de oscilações pontuais nos mecanismos declarativos, mas antes da potencial consolidação de práticas sistémicas de importação de combustíveis brancos não declarados”, conclui o estudo da Epcol.
A Entidade Nacional para o Setor Energético tem desenvolvido ações de fiscalização, tendo intercetado, em outubro do ano passado, numa única operação, cerca de 90 cisternas de produtos petrolíferos.
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