Imobiliário de luxo regista transações recorde de 41,2 mil milhões de euros em 2025
Subida de preços resulta de uma retoma da procura, que cresceu cerca de 12% em relação ao ano anterior.
O mercado imobiliário de luxo registou em 2025 um volume recorde de transações de 41,2 mil milhões de euros resultantes da venda de cerca de 170 mil imóveis, segundo um estudo esta quinta-feira divulgado.
A edição anual do Realty Premium Market, um estudo da imobiliária Porta da Frente Christie's e da NOVA School of Business & Economics (SBE), coordenado pelo economista Pedro Brinca, indica que, no segmento de gama alta, o preço médio por metro quadrado atingiu os 7.945 euros no quarto trimestre de 2025, mais 8,5% que no ano anterior.
Desde 2021, a valorização acumulada do valor médio por metro quadrado é de 35,8%.
Nos diferentes subsegmentos, o dos imóveis cujo preço se situa entre os 10% e 5% mais caros do mercado destacou-se pelo desempenho positivo, registando uma valorização de 10,4% relativamente a 2024.
A subida de preços resulta de uma retoma da procura, que cresceu cerca de 12% em relação ao ano anterior, impulsionada pela descida das taxas de juro, aumento de investidores estrangeiros e pelo efeito da troca de ativos para investir em segmentos mais valorizados.
O estudo conclui ainda que a oferta continua a ser "estruturalmente limitada", devido ao facto de a construção habitacional, estimada em 25 mil novos fogos em 2024, estar abaixo da média europeia, já que, em Portugal, o ritmo de construção é de 4,2 fogos por 1.000 alojamentos contra 7,1 na média europeia.
"Esta escassez, agravada pelo aumento dos custos de construção, sustenta a pressão sobre os preços, impulsiona a valorização do 'stock' existente e empurra a nova oferta para valores mais elevados", aponta a análise.
O estudo identifica ainda os riscos para o segmento do luxo, assentes na eventual reversão do ciclo monetário, alterações fiscais e regulatórias no setor e riscos geopolíticos que condicionem a procura externa.
Em termos de impacto na economia nacional, o imobiliário de gama alta registou em 2025 uma produção de 5.992 milhões de euros, que representa uma subida de 469 milhões de euros face a 2024, refletindo o aumento de licenças (+20,1%) mas, ainda assim, longe do pico de 7.262 milhões de euros atingido em 2022.
O emprego associado ao setor subiu de 68.334 para 77.108 postos de trabalho em 2025, e as remunerações atingiram 1.236 milhões de euros, mais 7,62% que em 2024.
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