Ministro das Finanças considera que subida das taxas de juro "não era absolutamente necessária"

Governante apontou que "esta é uma crise diferente de 2022", que foi causada pela invasão russa da Ucrânia e que levou a máximos da inflação.

11 de junho de 2026 às 14:40
Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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O ministro das Finanças considerou esta quinta-feira que a subida das taxas de juro anunciada pelo Banco Central Europeu devido às pressões inflacionistas da guerra no Médio Oriente "não era absolutamente necessária", sendo uma "crise diferente da de 2022".

"Naturalmente há uma preocupação do Banco Central Europeu [BCE]. O BCE, que teve uma ação muito importante em 2022 [na anterior crise energética], entendeu dar este primeiro sinal ao mercado, mas veremos nos próximos meses. Eu mantenho a minha opinião de que podia não ter dado este sinal e não era absolutamente necessário, mas respeito naturalmente o mandato e a independência do BCE", disse Joaquim Miranda Sarmento.

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Falando aos jornalistas portugueses no Luxemburgo, à chegada para a reunião do Eurogrupo, o governante apontou que "esta é uma crise diferente de 2022", que foi causada pela invasão russa da Ucrânia e que levou a máximos da inflação.

"O Banco Central Europeu, em todo caso, decidiu subir as taxas de juros, mas estamos numa situação muito diferente, quer do ponto de vista da inflação, quer do ponto de vista das taxas de juros do Banco Central", adiantou o ministro das Finanças.

O BCE decidiu esta quinta-feira subir as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, naquele que foi o primeiro aumento das taxas diretoras em quase três anos, desde setembro de 2023.

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Na decisão, lê-se que o Conselho do BCE decidiu "aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base", já que "a guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro".

A última subida das taxas diretoras tinha ocorrido em 2023, tendo-se seguido um período de pausa até junho de 2024, quando o BCE começou a cortar os juros.

Desde julho de 2025 que o banco central mantinha os juros inalterados, voltando agora a mexer nas taxas para uma subida de 25 pontos base.

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Com esta decisão, as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão aumentadas para, respetivamente, 2,25%, 2,40% e 2,65%, com efeitos a partir de 17 de junho de 2026.

O Conselho do BCE considera que "permanece bem posicionado para lidar com a incerteza provocada pela guerra", assegurando também que vai acompanhar de perto a situação e seguir "uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária".

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