Philips fecha fábrica
A Philips Portuguesa já anunciou a intenção de despedir, a curto prazo, 162 trabalhadores, ou seja, a totalidade dos operários da unidade de componentes bobinados de Ovar, uma das duas únicas indústrias que ainda detém em Portugal.
Das 2500 pessoas que trabalhavam na multinacional em Ovar há 5 anos, só ficarão com emprego cerca de 230 trabalhadores na unidade de fabrico de controlos remotos.
A empresa apresentou uma proposta de reestruturação onde indica “a necessidade de cessação da totalidade ou de parte substancial dos contratos de trabalho”. Segundo o mesmo documento, a que o CM teve acesso, a sobrevivência da Sociedade de Componentes Bobinados de Ovar está comprometida porque produz componentes de alta voltagem para televisores tradicionais, que gradualmente têm sido substituídos por televisores planos (LCD ou de plasma), “cuja tecnologia necessita de menor número de componentes bobinados, de menor dimensão, mais simplicidade e menor custo”. De acordo com João Couteiro, da comissão de trabalhadores, “a administração já chamou toda a gente para pedir que ponderem a rescisão amigável. As pessoas têm pouca esperança e a maioria poderá aceitar o que lhes está a ser proposto”.
“Há 15 anos que alertamos a administração para a necessidade de diversificar a produção, pois sabíamos que estava comprometida. Nunca nos deram ouvidos”, diz o sindicalista. O que a administração não confirma, apesar dos esforços do CM para a ouvir, é que a produção de bobinados Philips irá continuar em Portugal, “mas com recurso a empresas subcontratadas, com custos laborais inferiores”, como refere João Couteiro”.
CISÃO
Em 2001, a Philips Portuguesa faz uma cisão no parque industrial de Ovar e divide o grupo em cinco empresas. Uma delas, a de câmaras de vigilância, é vendida à Bosh.
RESCISÕES
No Verão de 2003, a multinacional inicia uma série de rescisões amigáveis de contrato. A maior das empresas (bobinados) vê a massa laboral diminuir de 500 para cerca 200 operários.
PENDENTE
Com o fim da produção de bobinados, fica apenas a empresa de controlos remotos. Emprega pouco mais de 230 trabalhadores e, ao que se sabe, não apresenta dificuldades.
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