Artigo sobre o banco privado português.
O título do CM de sábado, 24 de maio, é uma clara distorção da realidade e tem como efeito, e, presumo, como intenção, difamar-me ou, pelo menos, afetar gravemente a minha reputação.
"Balsemão Saca 4,7 Milhões ao Estado", ocupando a metade superior da primeira página, só pode ser lido de uma maneira: o vil capitalista Balsemão conseguiu ir buscar 4,7 milhões de euros do Estado, no caso da falência do BPP – Banco Privado Português –, passando à frente dos outros credores e dos interesses do próprio Estado. A utilização do verbo "sacar" não tem outra interpretação.
O que sucedeu foi apenas isto:
– Como credores do BPP, eu e a minha Família entendemos que tínhamos direito aos nossos créditos, como titulares de contas de retorno absoluto de investimento direto garantido.
– A Direção-Geral do Tesouro e Finanças deliberou que não tínhamos esse direito.
– Recorremos dessa decisão para os tribunais, por uma questão de princípio, isto é: por entendermos que, mesmo que as possibilidades de receber alguma retribuição do que era nosso fossem diminutas ou nulas, não havia razão para sermos discriminados em relação aos outros credores.
– O Tribunal de Comércio deu-
-nos razão (notícia de que tive conhecimento através do Correio da Manhã, 6.ª feira 23 de maio, quando o jornalista António Sérgio Azenha me enviou por e-mail duas perguntas, às quais respondi prontamente – e, ingenuamente, pelos vistos, se tivermos em conta a armadilha que, entretanto, o CM me montou, publicando em primeira página, a cinco colunas, com direito a foto, que eu tinha "Sacado 4,7 Milhões ao Estado").
Dito isto, podem os jornalistas e os leitores do Correio da Manhã ficar descansados: não há qualquer hipótese de eu e a minha Família virmos a receber os 4,7 milhões de euros, nem nada que se pareça, porque a situação em que ficou o BPP não dá para pagar seja o que for que compense minimamente quem lá investiu o seu dinheiro. Esta triste realidade é conhecida há muito tempo e torna ainda mais chocante a distorção do título bombástico do CM de ontem, sábado, 24 de maio.
Francamente, não esperava isto da sua parte e do Correio da Manhã. O jornalismo, como sabemos, tem regras e, neste caso, elas foram propositadamente infringidas. Com a agravante de o visado e vilipendiado, ou seja, eu, ser o Presidente do Conselho de Administração de um grupo de comunicação social, a Impresa, que é concorrente direto do grupo de comunicação social Cofina, proprietário do Correio da Manhã.
Com os meus cumprimentos e agradecendo a publicação desta carta com o mesmo relevo do título em que sou acusado de "sacar dinheiro ao Estado".
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