Desempenho dos principais bancos foi impulsionado pelo resultado da Caixa, cujos lucros atingiram 5,2 milhões por dia.
Os cinco maiores bancos portugueses tiveram lucros recorde de 5,2 mil milhões de euros em 2025, batendo os máximos do ano anterior por 262,5 milhões. Feitas as contas, os cinco maiores bancos lucraram 14,3 milhões por dia, num ano em que a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o Novo Banco tiveram os maiores resultados das suas histórias.
Este desempenho foi impulsionado pelos resultados da Caixa Geral de Depósitos, cujos lucros aumentaram 10% para 1904 milhões de euros em 2025 (5,2 milhões por dia). Para o resultado do banco público contribuiu decisivamente a venda da participação na Águas de Portugal à Parpública, com uma mais-valia de 188 milhões de euros.
Os lucros do BCP ascenderam a 1018,6 milhões de euros (mais 12,4% face a 2024) e os do Novo Banco a 828,1 milhões (mais 11,2%). No adeus a Pedro Castro e Almeida, que vai trocar a administração do Santander pelo cargo de ‘chief risk officer’ no grupo Santander, em Espanha, o banco teve lucros de 963,8 milhões de euros, mais 0,5%. Já o BPI viu os lucros reduzirem-se 13% para 512 milhões de euros.
Os lucros da banca têm sido sustentados pela manutenção de importantes ganhos na margem financeira (principais receitas de um banco, correspondendo à diferença entre juros cobrados no crédito e juros pagos nos depósitos), apesar do contexto de taxas de juro mais baixas. A Caixa Geral de Depósitos teve a maior margem (2,5 mil milhões de euros), mas entre os cinco maiores bancos só o BCP viu a margem financeira subir em relação ao ano anterior, fixando-se nos 2,89 mil milhões (mais 2,4%). O Santander liderou a queda nas margens, em 12,6%, para 1,37 mil milhões.
Por outro lado, no caso das comissões, o BPI foi o único dos cinco maiores bancos a ter uma receita inferior à do ano passado: 307 milhões de euros (menos 6%). Nestas receitas, que também têm ajudado aos lucros dos bancos, quem cresceu mais foi o Novo Banco (mais 9,5%), totalizando 353,6 milhões, mas foi o BCP a liderar os ganhos (847,4 milhões).
A diminuição ou mesmo reversão de imparidades (provisões para fazer face a perdas), os ganhos com operações financeiras e a devolução pelo Estado do adicional de solidariedade são outros fatores a contribuir para os resultados recorde dos bancos.
E TAMBÉM
MAIOR DIVIDENDO DA CAIXA
Dois terços dos lucros da Caixa Geral de Depósitos vão para o Estado, cerca de 1,25 mil milhões de euros (mais 47% face a 2024). “É o maior dividendo de sempre da banca portuguesa”, segundo Paulo Macedo, líder do banco público, que rendeu ao seu único acionista 4,6 mil milhões de euros entre 2019 e 2026.
Recorde de depósitos
Os bancos tinham um recorde de 200,7 mil milhões de euros em depósitos de particulares no final do ano passado, segundo o Banco de Portugal.
CRÉDITO À HABITAÇÃO
Os bancos emprestaram 23,3 mil milhões de euros em crédito à habitação no ano passado. Foi o montante mais elevado desde 2014, segundo o Banco de Portugal. O crédito concedido a jovens até aos 35 anos representou 60% desse montante.
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