A Grã-Cruz da Ordem dos Serviços Fiéis da Roménia é uma das atribuídas ao antigo primeiro-ministro Salazar que a Cabral Moncada Leilões põe à venda hoje. Esta condecoração, com estojo e diploma, está trabalhada em prata dourada e esmalte. A base de licitação é de quatro mil euros. Segundo Pedro Alvim, proprietário e administrador da Cabral Moncada Leilões, “estima-se que atinja os seis mil euros.”
As outras condecorações, entre as quais a Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo da Bélgica, Ordem de Mérito Militar de Espanha, Grã-Cruz da Ordem da Águia Branca da Polónia, vão à praça por mil euros e podem ser arrematadas por cerca de 1500 euros. A cobertura dos lanços, conforme explicou ao nosso jornal Pedro Alvim, “é, no mínimo, de dez euros.”
Quanto aos documentos, alguns deles confidenciais, trata-se de manuscritos, relatórios, mapas, cartões, fotografias, discursos. O conjunto documental tem por base licitadora 1500 euros, com hipótese de chegar aos 2250 euros. Segundo o responsável da Cabral Moncada Leilões, os objectos pertencentes ao ex-chefe do Governo leiloados em Fevereiro de 1999 são mais importantes que os de hoje. Então, as Insígnias de Bailio com Cruz de Honra e Devoção da Ordem Soberana e Militar de Malta entraram na praça a 7500 euros e, no “quem dá mais, uma, quem dá mais, duas, quem dá mais, três”, foi subindo, subindo, até aos13.500 euros.
Pedro Alvim frisou-nos que “o sector dos leilões de antiguidades e obras de arte começou a crescer, em Portugal, nos anos 80 e vai crescer mais.” As causas do crescimento são várias, tais como “mais interessados em comprar e vender; conteúdo dos leilões; alargamento etário devido ao aumento da variedade de peças; catálogos muito bem feitos; e divulgação dos leilões por via electrónica.”
As referidas peças e outras são leiloadas, a partir das 21h30, na rua Miguel Lupi, n.º 12-D, em Lisboa.
QUADRO DE JOÃO HOGAN ATINGIU 31 MIL EUROS
As onze decorações e documentos de Oliveira Salazar incluem-se nas 1400 peças do 58.º leilão da Cabral Moncada Leilões. Neste leilão, vários artigos tiveram elevadas valorizações durante as ofertas. Por exemplo, um quadro de João Hogan entrou a 20 mil euros e foi arrematado por 31 mil euros. Uma obra do pintor René Bertholo também subiu muito: de 15 mil para 34 mil euros. Quase o dobro atingiu um quadro de Severo Portela Júnior: começou a ser apregoado a oito mil euros e chegou aos 15 mil.
Pedro Alvim, proprietário e administrador da Cabral Moncada Leilões, disse ao Correio da Manhã que a “subida espectacular” foi a de um par de frascos de porcelana do Japão, com aplicações em bronze, do século XVIII, que entrou a 1500 euros e foi aos 22 mil euros (valorização de 1366 por cento). Também significativa foi a subida do par de cómodas do rei D. José: de seis mil para 11.500 euros. O mesmo aconteceu com uma bailadeira em marfim, escultura indo-portuguesa do século XVII, que entrou a 300 euros e atingiu 2500 euros.
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