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Corrida ao estanho

A Beralt-Tin & Wolfram (BTW), empresa concessionária das Minas da Panasqueira, aguarda pela autorização da Direcção-Geral de Geologia e Energia para começar a fazer prospecções de estanho numa área de 200 quilómetros quadrados que abrange os concelhos da Covilhã, Fundão e Pampilhosa da Serra.

16 de janeiro de 2006 às 00:00

O objectivo das sondagens é “saber se existem reservas de estanho suficientes para que este minério possa ser explorado e comercializado”, explicou ao Correio da Manhã Fernando Vitorino, director-geral da empresa, que acredita existir naquela zona, conhecida como Cabeço da Argemela, importantes filões de estanho por explorar.

“Sabemos que há 50 anos houve no local extracção deste mineral e estamos empenhados em reactivar a actividade, até porque o estanho está a atingir valores considerados muito interessantes nos mercados internacionais”, salientou aquele responsável.

O pedido da BTW engloba ainda a pesquisa de tungsténio, lítio, cobre, zinco, chumbo, prata e pirites.

As prospecções deverão arrancar em Março, caso o pedido seja aceite pela Direcção-Geral de Geologia e Energia, sendo que os estudos deverão decorrer durante dois anos até um prazo máximo de cinco.

“Se as reservas existentes valerem a pena, a empresa está disposta a investir e levar a cabo um plano de desenvolvimento com a contratação de novos técnicos e trabalhadores”, acrescenta Fernando Vitorino.

A empresa que explora as Minas da Panasqueira, de onde extrai sobretudo volfrâmio, demonstra, assim, intenção em alargar a sua presença na região e diversificar a extracção de minérios.

A exploração e venda do estanho poderá contribuir, decisivamente, para a estabilidade económica de uma empresa que, nos últimos anos, tem vivido com muitas dificuldades, resultado das constantes oscilações do preço do volfrâmio no mercado internacional. Depois do ‘ano negro’ de 2004 com fortes quebras no mercado e a desvalorização do dólar face ao euro, factores que quase levaram à suspensão da laboração, a BTW volta a atravessar uma boa fase e prepara novos investimentos, nomeadamente a aquisição de novo equipamento para a extracção de minério. “Queremos substituir a maquinaria obsoleta que não tem capacidade para acompanhar o ritmo de produção que queremos atingir”, concluiu Fernando Vitorino.

CEM ANOS DE VIDA

As Minas da Panasqueira, que laboram há quase 100 anos, situam-se numa encosta da Serra da Estrela, no concelho da Covilhã. Até 1993 foram as últimas minas de tungsténio em laboração na União da Europeia, oferecendo, ainda hoje, o maior filão em território nacional. Actualmente emprega 285 trabalhadores – há duas décadas o número atingiu o dobro – que produzem mensalmente 120 toneladas de concentrados de volfrâmio. Exporta aquele minério para países como estados Unidos, Reino Unido, Espanha e japão.

CRISE EM 2004

O ano de 2004 foi terrível para as Minas da Panasqueira que estiveram quase a suspender a actividade devido às fortes quebras no mercado e à desvalorização do dólar. A crise parece ultrapassada. Grande parte das pessoas residentes nas aldeias de Barroca Grande, São Jorge da Beira e São Francisco de Assis dependem, directa ou indirectamente, das minas, assim como a maioria das transacções económicas da região.

MAIS FILÕES

Além de ir à procura de estanho, a empresa encontra-se actualmente a fazer novas prospecções à superficie e no interior da minas para “explorar mais filões e atestar da viabilidade de avançar com novos projectos”, refere Fernando Vitorino, director geral da Beralt-Tin & Wolfram, salientando que o futuro daquela unidade mineira está garantido “pelo menos até ao próximo ano de 2010”.

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