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O nome de Horácio Roque, presidente do Banif, está envolvido na queixa-crime apresentada pelo Estado angolano na Procuradoria-Geral da República (PGR) portuguesa pelo desaparecimento de cerca de 104 milhões de euros que deveriam ter sido usados para comprar 49% das acções do banco, apurou o CM junto de fonte ligada ao processo.
Os angolanos apresentaram uma lista de suspeitos, que é encabeçada pelo advogado Francisco da Cruz Martins e pelos empresários António Figueiredo, líder da ETE – empresa de Tráfego e Estiva, e Eduardo Capelo Morais. Os três terão sido intermediários do negócio em representação de Angola.
Horácio Roque, em declarações ao CM, nega qualquer envolvimento neste negócio, e diz que ficou surpreendido quando soube do que se passava, há um ano: "Nunca comprei ou vendi nada ao Estado angolano. Quem andou com o dinheiro nas mãos é que deve explicar onde ele está." O presidente do banco sublinha ainda que "o Estado angolano não precisava de recorrer a testas--de-ferro para comprar acções".
O caso remonta a 1994, quando os angolanos decidiram adquirir acções do Banif, o que implicou a transferência de vários milhões de euros até 2000. As acções terão sido compradas, mas nunca chegaram à propriedade de Angola.
O escritório de advogados ABPD de José Ramada Curto e Paulo Amaral Blanco confirmou o patrocínio do Estado angolano, mas não quis fazer mais comentários.
INTERMEDIÁRIOS NO BANCO
Segundo o Estado angolano, foi feito um acordo para comprar as acções com dois portugueses, o tenente-coronel António Marques Figueiredo, empresário que controla o Grupo ETE, e Francisco da Cruz Martins, advogado que pertence ao escritório Gomes da Silva, Cruz Martins, Campos, Gandarez & Associados. A estes juntou-se o empresário Eduardo Capelo Morais.
Francisco Cruz Martins foi administrador não-executivo do Banif entre 1994 e 2000. António Figueiredo e Capelo Morais fizeram parte do conselho consultivo do banco, do qual saíram também no final de 2000. As investigações apuraram que na compra das acções, que nunca estiveram em nome dos angolanos, participaram offshores e duas empresas portuguesas. Até à hora de fecho desta edição não foi possível contactar Cruz Martins nem os dois empresários.
DISCURSO DIRECTO
"NUNCA FIZ TAL NEGÓCIO": Horácio Roque, Presidente do Banif
Correio da Manhã – Quando teve conhecimento da queixa do Estado angolano?
Horácio Roque – Há um ano, e nunca fiz tal negócio com o Estado angolano. Se foram enganados, não foi por mim.
– Contactou com Francisco da Cruz Martins e os outros dois empresários ?
– Sim. Falei com todos e todos garantiram que não havia problema nenhum.
– Os três estiveram no banco em representação de empresas. Quando saíram, a quem venderam as acções?
– Não sei. Juntos tinham 20 e tal por cento. Nunca tiveram 49%.
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