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Edite Estrela: "Terapia da austeridade pode matar o doente"

A eurodeputada socialista Edite Estrela considera que é preciso mudar de "estratégia, método e atitude" para salvar a moeda única e o projecto europeu, advertindo que "a terapêutica de austeridade pode matar o doente". <br/>

26 de setembro de 2011 às 10:53

"Quer a nível europeu, quer a nível nacional, está provado que a terapêutica de austeridade pode matar o doente, uma vez que conduz à retracção do consumo e à redução da receita fiscal. É preciso mudar a estratégia, o método e a atitude para salvar a moeda única e o projecto europeu. Precisamos de mais integração económica e política e de lideranças fortes, corajosas e respeitadas", defendeu em declarações à Lusa.

Edite Estrela lamenta também a forma inadequada como a UE tem vindo a responder à crise, apontando que "os líderes europeus não foram capazes de responder tempestiva e adequadamente" e "houve demasiadas hesitações, indefinições e até contradições quando a situação exigia rapidez, firmeza e ousadia".

"De facto, três anos depois do tsunami financeiro, a Europa ainda não encontrou a resposta adequada, limitando-se a ir a reboque dos acontecimentos e agindo em função da pressão dos mercados, com elevados custos económicos e sociais", disse.

Edite Estrela gostava por isso de ouvir Durão Barroso apontar claramente alguns caminhos, entre os quais a aceleração da mutualização da dívida, incluindo a criação de ‘eurobonds’ (obrigações europeias), e o fim dos paraísos fiscais, "uma vez que não se pode impor disciplina orçamental se as pessoas são sacrificadas e os ricos recorrem aos paraísos fiscais".   

A líder da delegação do PS ao Parlamento Europeu disse ainda que gostaria que o presidente do executivo comunitário desse a garantia de que "o uso dos fundos comunitários como alavanca para o crescimento nos países em dificuldades vai ser uma realidade imediata" e de que "o imposto sobre as transacções financeiras (que renderia cerca de 200 mil milhões de euros) vai mesmo ser aplicado".  

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