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Correio da Manhã

Economia
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Empresa mineira estuda investimento de 100 milhões para explorar lítio em Portugal

Savannah Resources prepara-se para explorar a Mina do Barroso, em Vila Real, a partir de 2020.
Lusa 5 de Maio de 2018 às 13:35
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
Mina do Barroso, em Vila Real
A exploração de lítio em Portugal poderá envolver um investimento de 100 milhões de euros da britânica Savannah Resources e arrancar já em 2020, mas a decisão só será tomada no início de 2019, afirmou o presidente executivo, David Archer.

A Savannah Resources anunciou esta semana uma atualização em alta da estimativa de reservas de lítio na Mina do Barroso, no distrito de Vila Real, ao descobrir que o volume dos recursos é 52% maior do que pensava anteriormente.

A existência de 14 milhões de toneladas faz daquele "o maior depósito de espodumena de lítio na Europa ocidental", mas Archer revelou à agência Lusa que existe potencial para serem identificadas mais entre oito a 12 milhões de toneladas, colocando o total na casa dos 20 milhões de toneladas.

A espodumena é um tipo de lítio considerado o mais importante e mais comercializado internacionalmente para alimentar a indústria de baterias de ião-lítio.

"Este é apenas um de entre uma série de depósitos na Europa e entre muitos outros depósitos no mundo. Estamos muito satisfeitos com a descoberta, mas existe uma enorme concorrência internacional entre projetos relacionados com lítio, e alguns são maiores e estão mais avançados. Temos de tentar apanhá-los e nada está garantido quanto a este depósito. Mas é muito promissor", garantiu.

Para uma exploração de espodumena ser desenvolvida, Archer considera que 10 milhões de toneladas é o mínimo desejável, pelo que a Mina do Barroso oferece uma boa perspetiva de viabilidade.

A extração do mineral representa a fase 'upstream' da cadeia de valor da indústria de baterias: após retirada do solo, é processado localmente para produzir um concentrado de espodumena, um pó fino que é enviado para fábricas que vão desenvolver químicos de baterias.

Esse material é adquirido por fabricantes de células de baterias, que, por sua vez, vão ser incorporados em baterias usadas em veículos automóveis, o setor onde a Savannah Resources vê maior potencial de crescimento.

O próximo passo será completar um estudo exploratório, previsto para o final do semestre, ao qual se segue, segundo o executivo, "uma análise mais profunda, um estudo de viabilidade completo, com o objetivo de poder tomar uma decisão em torno do desenvolvimento da mina no início de 2019 e, se possível, iniciar a produção até 2020".

A licença de exploração, válida até 2036 mas com direito para extrair apenas sete milhões de toneladas de lítio, quartzo e feldspato, terá de ser ampliada e financiamento angariado, além de identificados clientes para o material.

A empresa, cotada no índice AIM da Bolsa de Londres, destinado a companhias de menor dimensão, mas em crescimento, adquiriu 75% do projeto no norte de Portugal em 2017 por oito milhões de euros, aos quais somou três milhões de euros de investimento em perfurações e estudos técnicos.

"O investimento provavelmente chegará aos 100 milhões de euros para o desenvolvimento total. Vai dar um impulso significativo à economia da região no norte de Portugal e criar postos de trabalho numa área que está muito despovoada atualmente", referiu Archer à Lusa.

A Savannah Resources recrutou até cerca de 20 pessoas, sobretudo localmente, para a fase de testes, mas o desenvolvimento da mina para iniciar a exploração poderá criar mais 150 empregos, "com um efeito multiplicador na região, porque vai atrair o desenvolvimento de outras empresas".

Apesar de otimismo no projeto, David Archer receia que se tenham formado "expectativas irrealistas" relativamente ao que a indústria do lítio pode oferecer em Portugal, enfatizando que a extração mineira é um negócio difícil, arriscado e que demora a desenvolver.

"Este não é um presente do céu. Para se conseguir alguma coisa vai ser preciso muito trabalho da nossa parte, um investimento significativo e não haverão soluções rápidas. Surgiu a expectativa de uma 'febre do lítio', mas acho que ainda é um pouco cedo demais para falar nisso", alertou.

BM // MSF
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