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Correio da Manhã

Economia
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Offshores: "Já tive, mas já não tenho"

Salgado nega ter beneficiado com as transferências do BESA.
Diana Ramos 19 de Março de 2015 às 17:30
Salgado ao lado de Fernando Negrão, que preside à comissão de inquérito do caso BES
Salgado ao lado de Fernando Negrão, que preside à comissão de inquérito do caso BES FOTO: Lusa

Ricardo Salgado insistiu no Parlamento na ideia de que não obteve benefícios pessoais das transferências efetuadas a partir do BES Angola (BESA), contrariando as conclusões da auditoria forense pedida pelo Banco de Portugal, que apontam para fortes indícios de verbas para contas que tinham o ex-presidente executivo do BES como beneficiário.

"A minha situação pessoal está publicamente divulgada desde 2012. Não recebi nem mais um centavo do que foi divulgado", disse o ex-banqueiro aos deputados da comissão de inquérito ao BES.

O deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim insistiu no tema e perguntou a Ricardo Salgado se tinha offshores. A resposta foi pronta: "Já tive [offshores], mas já não tenho."

 

Ex-banqueiro nega saco azul 

Ricardo Salgado recusou também o rótulo de 'saco azul' que habitualmente é dado à Espírito Santo (ES) Enterprises, uma empresa que está a ser investigada pelo Ministério Público e que não constava do organograma oficial do GES.

"A Enterprise não é um saco azul", sublinhou o ex-líder do BES, e justificou a existência da empresa com o facto de a família Espírito Santo ter estado no exílio e ter tido necessidade de criar uma empresa que funcionasse como "prestadora de serviços".

"A ES Enterprises servia para proceder às regularizações dos serviços partilhados nas diferentes instituições a nível global, numa fase inicial", sintetizou de forma elaborada.

Ricardo Salgado também disse que a não inclusão no organograma foi "uma falha" e que esta deveria ficar por debaixo da ES Imobiliário. Quando o deputado insistiu com mais detalhes, o ex-banqueiro escudou-se no segredo de Justiça.

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